Cientistas identificam no Brasil um réptil de 230 milhões de anos com bico semelhante ao de um papagaio
O bico de papagaio e a dentição de lixa que tornavam esse animal imbatível
O anúncio da espécie Isodapedon varzealis, um rincossauro grupo de répteis predominantemente herbívoros típicos do período Triássico ampliou o mapa dos antigos répteis herbívoros que habitaram o território que hoje corresponde ao Brasil e tornou a Formação Santa Maria uma referência ainda maior para o estudo do Triássico, o que é essencial para quem pesquisa Isodapedon varzealis e busca entender como essa fauna se espalhava pelo supercontinente Pangeia.

O que é o Isodapedon varzealis e por que essa espécie chama atenção?
O Isodapedon varzealis é um rincossauro de porte médio, com cerca de 1,5 metro de comprimento, corpo robusto e cabeça relativamente grande. Ele foi escavado em 2020 na localidade de Várzea do Agudo, no município de Agudo, em rochas da Formação Santa Maria, no Triássico Superior, e descrito em 2026 na revista Royal Society Open Science.
A característica mais marcante é o bico pontiagudo semelhante ao de um papagaio, usado para cortar folhas e talos, além de escavar raízes e tubérculos. Os dentes em fileiras lembram uma “lixa” óssea, ideais para triturar grandes quantidades de material vegetal, o que mostra um estilo de vida totalmente ligado ao consumo constante de plantas. No vídeo do canal @TheDailyGuardian, especialistas detalham a descoberta deste réptil de ‘bico de papagaio’ e explicam como a estrutura robusta do crânio e dos dentes permitiu a sua sobrevivência no período Triássico:
Como vivia o Isodapedon varzealis durante o Triássico?
De acordo com os estudos, o animal provavelmente vivia em ambientes de planície com rios, solos relativamente macios e vegetação abundante. A combinação entre bico pontiagudo e dentição especializada sugere um herbívoro eficiente, capaz de explorar folhas, caules e partes subterrâneas das plantas em diferentes estações.
O período Triássico foi marcado por fortes mudanças ambientais e pelo surgimento dos primeiros dinossauros. Nesse cenário, os rincossauros ocupavam nichos semelhantes aos de grandes mamíferos herbívoros atuais, como antílopes ou capivaras, formando a base de muitas cadeias alimentares terrestres logo após a grande extinção do fim do Permiano.
Quais são as principais descobertas sobre a diversidade de rincossauros no Brasil?
A identificação do Isodapedon varzealis elevou para seis o número de espécies de rincossauros descritas em rochas triássicas brasileiras, especialmente no Rio Grande do Sul. Esse conjunto de fósseis mostra que a região central do estado abrigava uma fauna herbívora variada, com diferentes tamanhos corporais, formatos de crânio e especializações alimentares.
Essa diversidade indica um verdadeiro “boom evolutivo” para o grupo. Para entender melhor esse cenário, alguns pontos se destacam de forma clara:
- Seis espécies de rincossauros já reconhecidas no Triássico brasileiro.
- Presença de formas de porte médio e grande, com variações cranianas marcantes.
- Adaptações dentárias diversas, ligadas a dietas vegetais especializadas.
- Papel ecológico semelhante ao de grandes herbívoros atuais em planícies alagáveis.

Por que o Isodapedon varzealis é importante para a geologia e para outros continentes?
Além de ampliar o catálogo da paleontologia brasileira, o Isodapedon varzealis funciona como um importante marcador geológico. Como viveu há cerca de 230 milhões de anos, sua presença em determinadas camadas da Formação Santa Maria ajuda a estimar a idade relativa das rochas e a correlacionar sedimentos de diferentes áreas da mesma bacia.
Ao analisar as semelhanças entre a espécie e seus parentes escoceses, o estudo revelou que as afinidades nos traços do crânio, do bico e da dentição indicam um mesmo ramo evolutivo compartilhado entre a América do Sul e a Europa. Essa distribuição pelo supercontinente Pangeia, aliada a dados geológicos sobre antigos ecossistemas, reforça a existência de um intenso intercâmbio faunístico facilitado por conexões geográficas e climáticas no passado.