Por que os jardineiros mais velhos colocam jornais no jardim?

A cobertura morta, conhecida também pelo termo em inglês mulch, é qualquer material colocado sobre o solo ao redor das plantas com o objetivo de protegê-lo

28/04/2026 06:31

Se você já viu um jardineiro experiente espalhando folhas de jornal no jardim antes de cobri-las com terra ou palha, provavelmente ficou curioso. Parece um truque improvisado, mas é justamente o contrário: é uma técnica antiga, testada por décadas e cada vez mais respaldada por especialistas em horticultura. O jornal no jardim funciona como uma camada de cobertura morta natural, capaz de sufocar ervas daninhas, reter umidade e nutrir o solo enquanto se decompõe, tudo isso sem custo algum e com material que a maioria das famílias já tem em casa.

A simplicidade da técnica não diminui sua eficiência
A simplicidade da técnica não diminui sua eficiênciaImagem gerada por inteligência artificial

O que é cobertura morta e por que o jornal funciona tão bem nessa função?

A cobertura morta, conhecida também pelo termo em inglês mulch, é qualquer material colocado sobre o solo ao redor das plantas com o objetivo de protegê-lo e melhorá-lo. Grama cortada, folhas picadas, palha e serragem são as opções mais comuns, mas o jornal se encaixa perfeitamente nessa categoria porque é, essencialmente, uma folha fina de celulose, a mesma matéria-prima de origem vegetal que compõe boa parte dos materiais orgânicos usados no jardim. Quando colocado corretamente, ele se comporta como uma barreira física que bloqueia a luz solar e impede a germinação das ervas daninhas mais persistentes.

O jornal no jardim pode suprimir ervas daninhas, reter a umidade do solo e se decompor com o tempo de forma benéfica. Para ela, o melhor resultado aparece quando o jornal é usado como camada intermediária, posicionado diretamente sobre o solo e coberto por outro tipo de cobertura morta por cima, como serragem, composto ou aparas de madeira. Essa combinação potencializa os benefícios de ambos os materiais e mantém o conjunto mais estável na superfície do canteiro.

Quais são os benefícios concretos de usar jornal no jardim?

A simplicidade da técnica não diminui sua eficiência. Jardineiros que adotam o jornal no jardim como parte da rotina de cuidado com o solo relatam melhorias visíveis em poucas semanas. Como é basicamente celulose, o papel se degrada e se incorpora ao solo como um componente de carbono, da mesma forma que se faria com um material de compostagem. Esse processo lento de decomposição alimenta os microrganismos do solo e melhora gradualmente a sua estrutura. Os principais benefícios observados pelos especialistas incluem:

  • Controle de ervas daninhas: a camada de jornal bloqueia a luz e impede a germinação de sementes indesejadas, reduzindo significativamente o trabalho manual de capina
  • Retenção de umidade: o papel retarda a evaporação da água do solo, o que significa menos regas e plantas mais resistentes em períodos de calor
  • Melhora da saúde do solo: ao se decompor, o jornal adiciona matéria orgânica e serve de alimento para minhocas e microrganismos benéficos que estruturam o solo
  • Custo zero: aproveita um material que seria descartado, tornando a técnica acessível para qualquer tamanho de horta ou jardim
  • Compatibilidade com a horta orgânica: os jornais modernos usam tintas à base de soja, sem metais pesados, tornando o material seguro para canteiros de hortaliças
A simplicidade da técnica não diminui sua eficiência
A simplicidade da técnica não diminui sua eficiênciaImagem gerada por inteligência artificial

Como usar o jornal no jardim da forma correta?

A técnica tem detalhes importantes que fazem a diferença entre um resultado excelente e um problema no jardim. O jornal tende a se compactar formando uma camada densa, semelhante ao papier-mâché. Se essa camada for espessa demais, ela cria uma barreira que impede a respiração do solo, bloqueando o fluxo de ar e prejudicando os microrganismos e fungos benéficos que as plantas precisam para se desenvolver. Para evitar esse problema, a recomendação dos especialistas é nunca usar mais do que duas a quatro folhas de jornal sobrepostas e sempre perfurar alguns furos no papel para garantir drenagem e circulação de ar adequadas.

Além da espessura, a aplicação correta envolve alguns passos simples que garantem que o controle de ervas daninhas funcione sem comprometer a saúde do solo. Para obter o melhor resultado com a técnica do jornal no jardim, siga essa sequência:

  • Molhe o solo antes de aplicar o jornal, garantindo que a umidade já esteja retida desde o início
  • Sobreponha as folhas de jornal com uma margem de sobreposição de ao menos 10 centímetros entre elas, sem deixar frestas por onde ervas daninhas possam passar
  • Molhe o jornal depois de posicionado para que ele se adapte ao contorno do solo e fique no lugar
  • Cubra com uma camada de cobertura morta orgânica por cima, como composto, palha ou aparas de madeira, para fixar o conjunto e acelerar a decomposição do papel
  • Faça furos ou aberturas nos pontos exatos onde as mudas serão plantadas, sem rasgar o restante da camada protetora

Existe algum tipo de jornal que não deve ser usado no jardim?

Apesar de seguro na maioria dos casos, nem todo papel de jornal é igual e essa distinção é fundamental para quem cultiva hortaliças ou plantas comestíveis. Os encartes brilhantes que acompanham os jornais, aquelas páginas coloridas e plastificadas de publicidade, podem conter revestimentos químicos que definitivamente não devem entrar em contato com canteiros de alimentos. Esses materiais têm composição diferente do papel jornal comum e não se degradam da mesma forma nem com a mesma segurança para a saúde do solo.

O jornal convencional, impresso em papel poroso com tintas modernas à base de soja, é completamente seguro para uso em hortas e jardins e sua decomposição não deixa resíduos prejudiciais. Reservar os encartes brilhantes para a reciclagem convencional e usar apenas as páginas comuns no jardim é a prática mais recomendada. Com esse cuidado simples, o jornal no jardim continua sendo uma das ferramentas mais eficientes, econômicas e sustentáveis que qualquer jardineiro pode adotar para melhorar o controle de ervas daninhas e a qualidade do solo ao longo das estações.