Segurança supera medo da solidão para quem mora sozinho
Pesquisa revela que 43,6% dos brasileiros priorizam proteção contra invasões e roubos ao optar por viver sem companhia
O hábito de morar sozinho tem se consolidado no Brasil, acompanhado por uma mudança nas prioridades de quem opta por esse estilo de vida. Levantamento recente da Verisure, empresa de sistemas de monitoramento, indica que a segurança é o fator de maior preocupação para 43,6% dos brasileiros que moram, já moraram ou pretendem morar sozinhos. O receio de roubos e invasões domiciliares supera numericamente o medo da solidão e as instabilidades financeiras.
Os dados detalham que as questões econômicas preocupam 42,6% dos respondentes, enquanto a solidão é citada por 43,2%. A percepção de vulnerabilidade física na própria residência direciona não apenas o comportamento cotidiano, mas também a escolha do imóvel e da região de moradia. Segundo o levantamento, a segurança tem peso decisivo na definição de destinos considerados ideais para a vida independente.

Para mitigar esses riscos, o público que vive sozinho adota estratégias tecnológicas e hábitos preventivos. O uso de câmeras de segurança é a solução mais citada, presente na rotina de 64% dos entrevistados, seguida pela instalação de sistemas de monitoramento e alarmes, mencionada por 59%. A pesquisa reflete uma demanda crescente por camadas de proteção eletrônica em ambientes unipessoais.
Além dos dispositivos, cuidados práticos são recomendados por quem já possui experiência na modalidade. O hábito de reforçar o travamento de portas e janelas é seguido por 62% dos participantes. Outra medida recorrente, adotada por 50% dos ouvidos, é a manutenção de contatos de emergência sempre acessíveis, evidenciando que a rede de apoio externa permanece essencial mesmo para quem busca autonomia total.
Privacidade e autonomia motivam a escolha
A tendência de viver por conta própria é corroborada por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que registrou um aumento de 52% no número de pessoas morando sozinhas em um intervalo de 12 anos. O estudo da Verisure confirma que o movimento é uma realidade ou plano para a maioria: 60% dos respondentes já viveram ou vivem sozinhos, e 14,4% planejam fazê-lo no futuro.
A busca por privacidade é o principal motor dessa decisão, citada por 59,2% dos entrevistados. Em seguida, a autonomia na organização da rotina e na tomada de decisões aparece com 49% das menções. A melhoria na qualidade de vida, que inclui aspectos de conforto e lazer personalizado, é o motivo apontado por 33,6% dos brasileiros que buscam a independência domiciliar.
Para os que estão iniciando o processo, a experiência acumulada por veteranos sugere um equilíbrio entre liberdade e autocuidado. Cerca de 62,4% dos entrevistados recomendam o período para o desenvolvimento pessoal, enquanto 54% reforçam a necessidade de atenção à saúde física e mental. O bem-estar é visto como um pilar necessário para sustentar a decisão de longo prazo.
A proximidade com amigos e familiares é sugerida por 50% dos participantes como forma de evitar o isolamento social. Esse vínculo também é lido como uma estratégia indireta de segurança, permitindo que o indivíduo tenha suporte rápido em situações críticas. O planejamento logístico e emocional aparece como requisito fundamental para quem deseja migrar de uma moradia compartilhada para uma individual.
Estados do Sul e Minas lideram preferência
A preocupação com a integridade do imóvel e do residente influencia diretamente o fluxo migratório interno. De acordo com a pesquisa, 60% dos respondentes afirmam que estariam dispostos a mudar de estado para viver sozinhos, desde que o destino ofereça maior sensação de proteção. A segurança pública torna-se, portanto, um ativo de atratividade para novos moradores.
Nesse cenário, Santa Catarina lidera como o destino mais bem avaliado, sendo citado por 32,8% dos participantes. O Rio Grande do Sul aparece em segundo lugar, com 21,4%, seguido por Minas Gerais, com 20,6%. Esses estados são percebidos como locais que conseguem equilibrar a tranquilidade pública com uma infraestrutura urbana adequada para quem vive sem acompanhantes.
A preferência por essas regiões não se limita apenas aos índices de criminalidade. Os entrevistados associam esses estados a um custo de vida mais equilibrado e a melhores oportunidades de emprego e educação. Fatores climáticos, opções de lazer e a oferta cultural também foram mencionados como elementos que compõem o pacote de qualidade de vida buscado pelo brasileiro.