Sincor-MG lança iniciativa para evitar prejuízos públicos em tragédias

Projeto mineiro que protege acervos e infraestrutura contra tragédias vira referência para gestão pública em outros estados

16/04/2026 18:10 / Atualizado em 18/04/2026 23:11

O Sindicato dos Corretores de Seguros de Minas Gerais (Sincor-MG) lançou o projeto “Cidades Protegidas”, iniciativa que busca formalizar parcerias entre o poder público e a iniciativa privada para mitigar riscos em municípios.

O foco do programa é antecipar cenários de crise, garantindo que as prefeituras possuam coberturas financeiras para lidar com as catástrofes naturais e acidentes. A proposta nasceu dentro do programa “Corretor na Real” e já serve de modelo para implementações em outras regiões do país.

Evento reuniu executivos das principais empresas de seguridade do país, corretores, autoridades e a sociedade civil
Evento reuniu executivos das principais empresas de seguridade do país, corretores, autoridades e a sociedade civil - Márcio Diniz/Catraca Livre

A iniciativa busca atuar na conscientização de gestores públicos sobre a importância de proteger o orçamento municipal contra imprevistos. “Ao transferir o risco para as seguradoras, as administrações locais buscam evitar o contingenciamento de verbas destinadas a áreas essenciais como saúde e educação após eventos catastróficos”, explica.

O evento, realizado no Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro, promoveu debates diretos entre executivos das principais empresas de seguridade do país, corretores, autoridades e a sociedade civil para identificar as vulnerabilidades específicas de cada região.

Proteção do patrimônio histórico

Um dos pilares centrais do “Cidades Protegidas” é a preservação do patrimônio histórico, setor de relevância no estado mineiro. Segundo Gustavo Bentes, presidente do Sincor-MG, o “seguro é apresentado como uma ferramenta de proteção social que garante a restauração de acervos e monumentos após tragédias”. A ideia é que a apólice permita a continuidade das políticas de conservação sem que a prefeitura dependa exclusivamente de repasses emergenciais ou verbas extraordinárias do Tesouro.

Evento reuniu executivos das principais empresas de seguridade do país, corretores, autoridades e a sociedade civil
Evento reuniu executivos das principais empresas de seguridade do país, corretores, autoridades e a sociedade civil - Márcio Diniz/Catraca Livre

Para Bentes, a proposta representa uma alteração na governança municipal brasileira. Ele afirma que o seguro funciona como um instrumento para assegurar a continuidade do funcionamento de escolas, o suporte ao comércio local e a integridade de bens históricos. A mentalidade defendida pelo projeto é a de que a antecipação de problemas financeiros evita o desgaste da imagem administrativa e garante a reconstrução rápida da infraestrutura urbana.

Aceitação e sustentabilidade na gestão pública

A receptividade das prefeituras ao modelo tem sido positiva, conforme indicam os debates realizados pelo sindicato. Gestores municipais demonstram interesse em mecanismos que reduzam o impacto visual e social de desastres em suas cidades. O projeto argumenta que a contratação de apólices estratégicas permite um planejamento de longo prazo, já que o impacto financeiro de sinistros passa a ser previsível e diluído em prêmios de seguro.

Além da proteção contra danos físicos, o programa debate a cultura de proteção de dados e responsabilidade civil dos entes públicos. O objetivo é criar um ecossistema onde o desenvolvimento sustentável seja apoiado pela segurança financeira. Com a transferência de riscos, o município consegue manter o cronograma de investimentos em infraestrutura e bem-estar social, mesmo em períodos de instabilidade climática ou acidentes de grande proporção.

As discussões promovidas pelo “Cidades Protegidas” também abordaram a necessidade de vistorias técnicas e mapeamento de áreas de risco. Esse diagnóstico prévio é essencial para que as seguradoras precifiquem os riscos e para que as prefeituras adotem medidas preventivas que possam, inclusive, reduzir o valor das apólices. O engajamento das secretarias de obras e de cultura tem sido apontado como fundamental para a eficácia das coberturas contratadas.

O modelo mineiro atraiu a atenção da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor) e de outros sindicatos estaduais, que avaliam a viabilidade de replicar a estrutura de debates e parcerias.

A expectativa do setor é que o seguro deixe de ser visto como uma despesa opcional e passe a integrar a lista de obrigações de compliance e governança das cidades. A expansão do projeto deve seguir um cronograma de eventos regionais para atingir o maior número possível de municípios no interior de Minas Gerais.