Sona, a última tigresa de circo em Portugal, começa uma nova vida em um santuário espanhol

O martírio de 16 anos dentro de uma pequena jaula de metal

Depois de 16 anos num circo em Portugal, uma tigresa chamada Sona passou a viver em um santuário para grandes felinos em Alicante, na Espanha, e sua história tornou a expressão tigre de circo um símbolo do debate sobre bem estar animal e da mudança na legislação portuguesa que proibiu o uso de animais selvagens em espetáculos.

No caso de Sona, o animal era explorado desde os três meses de idade em apresentações de magia e como atração turística em Portugal.
No caso de Sona, o animal era explorado desde os três meses de idade em apresentações de magia e como atração turística em Portugal.Imagem gerada por inteligência artificial

O que é um tigre de circo e por que o caso Sona se tornou tão conhecido?

No caso de Sona, o animal era explorado desde os três meses de idade em apresentações de magia e como atração turística em Portugal.

Sona vivia num reboque de camião, com acesso apenas a uma pequena jaula exterior, o que limitava o exercício físico e impedia a expressão de comportamentos naturais. A transferência para um santuário em Alicante marcou uma nova fase, com cuidados voltados à recuperação física e comportamental, sob responsabilidade de uma equipa especializada.

Quais foram os impactos do cativeiro na saúde do tigre de circo Sona?

As marcas do passado de circo de Sona são evidentes na sua condição de saúde. A tigresa sofreu amputação parcial dos dedos para impedir o crescimento das garras, procedimento conhecido como desungulação, prática cada vez mais criticada por veterinários e entidades de bem estar animal.

Além disso, desenvolveu cataratas severas que afetam a visão, apresenta atrofia muscular devido à falta de espaço para se movimentar e exibe comportamentos repetitivos associados à zoocose, comuns em animais submetidos a cativeiro intensivo. No santuário, exames, fisioterapia e enriquecimento ambiental ajudam a reduzir estes danos e melhorar a qualidade de vida.

Como a lei sobre tigre de circo em Portugal mudou a vida de animais selvagens?

Em Portugal, o caso de Sona acompanha a evolução da legislação sobre animais em espetáculos. Até o fim da década de 2010 não havia uma proibição ampla do uso de grandes felinos em circos, mas campanhas de organizações de proteção animal e decisões municipais abriram caminho para mudanças nacionais.

Com a entrada em vigor da Lei n.º 20/2019, de 22 de fevereiro, Portugal proibiu o uso de animais selvagens em circos, estabelecendo um período transitório de seis anos para realocação dos animais. Esse período terminou em 2025, quando passou a vigorar a proibição total. Para explicar os principais pontos desta lei, algumas medidas ganharam destaque:

  • Proibição gradual do uso de animais selvagens em espetáculos circenses em todo o país
  • Definição de um período transitório de seis anos para entrega e realocação dos animais
  • Estímulo à colaboração com santuários internacionais para receber grandes felinos
  • Maior fiscalização sobre transporte e manutenção em cativeiro
Portugal baniu animais em circos e agora foca na realocação para santuários. / Foto: (Fonte/Fundação APP)
Portugal baniu animais em circos e agora foca na realocação para santuários. / Foto: (Fonte/Fundação APP)Imagem gerada por inteligência artificial

Como funciona um santuário e por que é importante para um tigre de circo?

Um santuário para grandes felinos é um espaço dedicado ao resgate, recuperação e bem estar de animais que sofreram com cativeiro inadequado, diferente de um circo ou zoológico tradicional. Em Alicante, a Fundação AAP oferece recintos amplos, solo natural, áreas de sombra e estruturas que estimulam comportamentos típicos de tigres e leões.

A adaptação de Sona é um processo gradual que integra cuidados clínicos e nutricionais ao enriquecimento ambiental para mitigar o estresse. Esse trabalho, aliado ao monitoramento comportamental contínuo, permite que o animal recupere sua saúde e bem-estar de forma segura, natural e equilibrada.