Tesouro viking de 1.100 anos é encontrado e revela a verdadeira fonte de riqueza dos guerreiros nórdicos
Pesquisa revela que parte da riqueza dos vikings veio do comércio com o mundo islâmico, desafiando a visão tradicional de que viviam apenas de saques.
Um tesouro viking de 1.100 anos encontrado na Inglaterra revelou que os guerreiros escandinavos enriqueceram não apenas com saques, mas também por meio de uma ampla rede comercial que alcançava o Oriente Médio.

Como o estudo muda a visão sobre a riqueza dos vikings?
Durante muito tempo, os vikings foram retratados principalmente como saqueadores. No entanto, uma nova pesquisa mostra que essa imagem conta apenas parte da história de como esse povo acumulou riqueza.
A análise do Tesouro de Bedale, descoberta na Inglaterra, identificou prata obtida por meio do comércio com o mundo islâmico, reforçando a importância das relações comerciais mantidas durante a Era Viking.
O que foi encontrado no Tesouro de Bedale?
Descoberto em 2012 por detectoristas de metais no norte da Inglaterra, o conjunto arqueológico reúne objetos valiosos que demonstram o elevado poder econômico dos vikings estabelecidos na região.
Entre os principais itens encontrados estão:
- 29 lingotes de prata;
- Joias confeccionadas em prata;
- Um pomo de espada em ouro;
- Objetos produzidos a partir da fusão de diferentes tipos de moedas.
A prata islâmica chegou aos vikings por rotas comerciais
Os pesquisadores utilizaram análises geoquímicas para identificar a origem dos metais. Os resultados apontaram que boa parte da prata veio de moedas islâmicas conhecidas como dirhams.
Cerca de um terço dos lingotes possui origem ligada ao Califado Abássida. Essa prata chegava aos escandinavos pelas rotas comerciais orientais chamadas Austrvegr, muito antes de ser levada para a Inglaterra.

Os vikings negociavam produtos valiosos além de realizar invasões?
As evidências indicam que os escandinavos participavam de uma economia internacional bastante ativa. Em vez de depender apenas das invasões, eles também mantinham relações comerciais de longa distância.
Segundo registros históricos citados pelos pesquisadores, os vikings trocavam peles, âmbar, espadas e escravos por moedas de prata islâmicas, ampliando suas fontes de riqueza ao longo dos séculos VIII e XI.
Como a descoberta reforça a importância das conexões entre Europa e Oriente Médio?
O estudo mostra que a riqueza encontrada em Bedale representa uma combinação de prata obtida em saques na Europa Ocidental e de metais adquiridos por meio do comércio internacional.
Para a arqueóloga Jane Kershaw, da Universidade de Oxford, o achado demonstra que os vikings transportavam riqueza consigo quando se estabeleciam em novos territórios, integrando uma vasta economia que conectava Europa e Oriente Médio.
Por que a descoberta é considerada tão importante?
O trabalho amplia o conhecimento sobre a economia da Era Viking e ajuda a compreender como diferentes povos mantinham contato muito antes da globalização moderna.
Além de revelar novas informações sobre o Tesouro de Bedale, a pesquisa reforça que os vikings foram comerciantes, exploradores e navegadores capazes de construir uma rede econômica que atravessava continentes.