Ele é o 1º deficiente visual a chegar à livre-docência no Brasil

Atuação de deficiente visual é considerada exemplar pelo movimento Sou Responsável, campanha sem partidos, candidatos ou ideologia apoiada pelo Catraca Livre e pelo Instituto SEB de Educação

Por: Redação | Comunicar erro

Eder Pires de Camargo, professor-adjunto do Departamento de Física e Química da Unesp de Ilha Solteira (SP), passou por muita desconfiança antes de conseguir chegar ao posto que hoje ocupa, aos 45 anos –é o primeiro deficiente visual a alcançar a livre-docência no Brasil.

Eder Pires de Camargo, professor cego que foi orientado a desistir

De acordo com seu relato para o site UOL, ele foi orientado a desistir de estudar aos 14 anos pelos professores de sua escola em Lençóis Paulista (SP), onde nasceu. Continuou porque um dos docentes viu potencial no aluno –ambos são amigos até hoje.

Essa história faz parte da série para o movimento Sou Responsável, cuja meta é estimular o protagonismo dos brasileiros. Nesta eleição, o Catraca Livre e o Instituto SEB de Educação decidiram apoiar essa campanha para ajudar o brasileiro a ser parte das soluções, e não do problema.

Camargo entrou na faculdade de física da Unesp, em Bauru (SP), com outros 20 alunos, em 1992. Somente dois se formaram (ele e mais um colega).

Eder Pires de Camargo, durante participação no programa “Encontro com Fátima Bernardes”

As provas de suas turmas são realizadas no laboratório de computação. As respostas são escritas em um editor de texto e corrigidas com a ajuda de um auxiliar. A chamada é realizada em uma planilha eletrônica. Ao fim de cada mês, as informações são transferidas para o sistema universitário. Ele utiliza ainda um projetor conectado ao computador, com o qual realiza debates e experimentos multissensoriais.

O livre-docente calcula ter orientado aproximadamente 20 teses de doutorado e dissertações de mestrado, além de realizar palestras por todo o Brasil.

O professor universitário conta sua história no livro “Estrangeiro” (Editora Plêiade), lançado em 2017. “Sou um estrangeiro em um país de pessoas que enxergam. Trabalho para que as pessoas se reconheçam tateantes, ouvintes, cheirantes e degustantes. É preciso entender que as percepções são muito mais que biológicas. Elas são sociais.”

Camargo também é cantor e gravou o álbum “Inquietude”, que funciona como trilha sonora para os capítulos do livro.

Leia a reportagem completa no UOL

Compartilhe: