Alcione: ‘Eu sou A Marrom’

Cantora fala sobre Carnaval, novos artistas e seu amor pela Mangueira 

Por: Redação

Por Letícia Motta

Recém-chegada de uma turnê pela Europa, a cantora Alcione desembarcou direto na Sapucaí, onde concedeu entrevista exclusiva ao Samba em Rede.

Patrícia Staude
Crédito: Patrícia StaudeAlcione concede entrevista exclusiva ao Samba em Rede

A nossa rainha do samba foi homenageada, pela primeira vez, por um camarote no Sambódromo, onde dividiu o palco com Sylvia Nazareth e Gabby Moura, cantoras da nova geração: “São artistas jovens e talentosas que gostam do seu ofício e estão fazendo um belíssimo trabalho”.

Com um repertório recheado de sucessos como “A Loba”, “Estranha Loucura”, “Meu Ébano”, entre muitos outros, Alcione animou os foliões e afirmou não pensar em aposentadoria tão cedo.

Confira a entrevista completa abaixo:

1.  Com 47 anos de carreira, pela primeira vez você foi homenageada por um camarote na Sapucaí. O que sentiu ao receber a notícia? Como foi a recepção dos foliões presentes? Mande um recado para eles.

Fiquei muitíssimo feliz! É uma nova emoção ser homenageada durante o Carnaval. Em minhas apresentações, privilegiamos um repertório formatado por hits da minha carreira e, claro, alguns sambas-enredo que, na Marquês de Sapucaí, marcaram época. Quanto ao recado? Presenciamos a magia que é o Carnaval e, com certeza, demos nossa contribuição para alegrar ainda mais o maior espetáculo da Terra! Até 2021, Carnaval!

2. Durante suas apresentações no camarote na Sapucaí, estiveram com você, dividindo o palco, representantes da nova geração do samba. Você procura ouvir e acompanhar o trabalho dos(as) que não deixarão o samba morrer? Qual conselho daria para quem está buscando seu caminho profissional?

Muitos artistas compartilharam conosco dessas noites. São artistas jovens e talentosos que gostam do seu ofício e estão fazendo um belíssimo trabalho, como a Sylvia Nazareth e a Gabby Moura, duas cantoras e compositoras que tenho apresentado ao público durante os meus shows. E são esses jovens que estão levando nossas tradições à frente, sem perder o contato e a conexão com suas gerações. O melhor conselho que posso dar é para que construam suas trajetórias pensando não apenas na fama, mas em trilhar uma carreira sólida, baseada em muito trabalho e cantando o que sentem, o que querem: a sua verdade.

3. Um dos seus bordões mais famosos “Alcione não é e nunca será uma qualquer” mostra a sua força. Tem algo profissional, dentro da sua carreira artística, que não conquistou e ainda deseja?

Sempre terei sonhos, projetos a realizar. Estou num ótimo momento de carreira, não penso em aposentadoria.  Esse bordão também serve, principalmente, para me referir aos amigos e gente que admiro.

4. Você foi Maria, mãe de Jesus, no enredo deste ano em que a Mangueira retratou Jesus Cristo. Foi um desfile muito particular, cheio de sincretismos, homenagens… Qual a sua responsabilidade com a Mangueira?

Quanto a encarnar o papel da mãe de Jesus, foi uma honra inigualável. Uma honra que a minha escola do coração concedeu… Quando Leandro (Vieira) me falou que eu ia representar Nossa Senhora, eu pedi permissão a ela, pois não me acho digna de representá-la. Quase não usei maquiagem e cortei as minhas unhas em respeito.

A Mangueira é uma paixão! Sempre digo que não torço pela Mangueira: eu sou Mangueira!

5. Qual a sua música inesquecível?

A minha música inesquecível é “Não Deixe o Samba Morrer”, ela construiu minha carreira; e, a primeira vez que tocou no rádio, eu fiquei 22 semanas em primeiro lugar.

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