Após os 50 anos, este fator pode dobrar o risco de Parkinson

O estudo ainda indicou os sintomas que podem ser fatores de risco para o Parkinson em pessoas com ansiedade

Pessoas com ansiedade podem ter um risco duas vezes maior de desenvolver Parkinson, segundo um estudo publicado no British Journal of General Practice.

Tremor nas mãos é um dos sintomas mais conhecidos de Parkinson
Tremor nas mãos é um dos sintomas mais conhecidos de Parkinson - AndreyPopov/iStock

A pesquisa analisou a relação entre a ansiedade em indivíduos acima dos 50 anos e a probabilidade de receber um diagnóstico da doença neurodegenerativa.

Descobertas do estudo

Cientistas da University College London (UCL), no Reino Unido, utilizaram dados de cuidados primários do país entre 2008 e 2018.

A análise incluiu 109.435 pacientes que desenvolveram ansiedade após os 50 anos, comparando com um grupo de 878.256 pessoas sem o transtorno. O objetivo era avaliar se a ansiedade poderia ser um fator de risco para o desenvolvimento do Parkinson ao longo do tempo.

Os pesquisadores ainda identificaram outros fatores de risco para a doença em pessoas com o transtorno. Entre eles:

  • Depressão;
  • Distúrbios do sono;
  • Fadiga;
  • Comprometimento cognitivo;
  • Hipotensão;
  • Tremor;
  • Rigidez;
  • Dificuldade de equilíbrio;
  • Constipação intestinal.

Esses sintomas foram rastreados desde o diagnóstico de ansiedade até um ano antes do diagnóstico de Parkinson, permitindo uma melhor compreensão da relação entre os transtornos.

O que essa descoberta significa?

Os pesquisadores concluíram que pessoas com ansiedade têm o dobro de risco de desenvolver Parkinson em comparação com aquelas sem o transtorno. Esse achado permaneceu mesmo após ajustes para fatores como idade, sexo, nível socioeconômico, estilo de vida, histórico de doenças mentais graves, traumatismo cranioencefálico e demência.

“A ansiedade é conhecida por ser uma característica dos estágios iniciais da doença de Parkinson, mas antes do nosso estudo, o risco prospectivo de Parkinson em pessoas com mais de 50 anos com ansiedade de início recente era desconhecido”, afirma Juan Bazo Alvarez, coautor do estudo e pesquisador da UCL Epidemiology & Health.

O especialista destaca que compreender essa conexão pode auxiliar na detecção precoce da doença, permitindo um tratamento mais ágil e adequado para os pacientes. Mais estudos são necessários.