Carnaval sob calor recorde acende alerta para inchaço e dor nas pernas
O Carnaval de 2026 acontece em um cenário atípico até para os padrões do verão brasileiro. O país atravessa um período de calor extremo, com sucessivos recordes de temperatura e previsões de novos picos acima dos 40 °C em diversas regiões. Em meio a esse contexto, milhares de foliões passam horas nas ruas sob sol intenso, caminhando longas distâncias e muitas vezes negligenciando pausas e hidratação adequada.
Para a saúde vascular, essa combinação merece atenção. Segundo a Dra. Gabriella Corrêa Casais, professora de Medicina e preceptora do Ambulatório de Cirurgia Vascular da Afya Unigranrio da Barra, o calor intenso provoca mudanças importantes no funcionamento da circulação sanguínea, especialmente nas pernas.
“Quando a temperatura sobe, o corpo dilata os vasos sanguíneos, o que dificulta o retorno venoso. Isso é natural, mas acaba prejudicando a chegada do sangue das pernas para o coração. O resultado é o acúmulo de líquido, que se manifesta como inchaço, sensação de peso e dor ao longo do dia”, explica.
Ela destaca que o problema tende a se intensificar no Carnaval pela soma de vários fatores. “Além do calor extremo, a pessoa passa muito tempo em pé, caminha bastante, consome bebida alcoólica e nem sempre se hidrata corretamente. Tudo isso cria um cenário perfeito para o desconforto vascular”, completa.
Calor intenso torna o risco maior
O alerta ganha força diante do momento climático vivido pelo país. O Brasil enfrenta um dos períodos mais quentes já registrados, com ondas de calor mais frequentes, intensas e duradouras. Esse aumento sustentado das temperaturas faz com que sintomas, antes considerados pontuais, sejam mais comuns e intensos.
“O que antes aparecia só no fim do dia agora pode surgir ainda durante o bloco. Em pessoas predispostas, como quem já tem varizes ou histórico de inchaço, o impacto é ainda maior”, afirma a Dra. Gabriella Corrêa Casais.
Protegendo as pernas durante a folia
Sem fórmulas milagrosas, os cuidados passam por atitudes simples e possíveis de realizar no meio da festa. Entre as principais orientações da cirurgiã vascular, estão:
1. Mantenha a hidratação
Hidratar-se ao longo do dia, priorizando água e intercalando com água de coco ou bebidas isotônicas para repor eletrólitos perdidos pelo suor intenso.
2. Descanse um pouco durante a folia
Alternar movimento e pausas, evitando tanto longas caminhadas contínuas quanto períodos prolongados em pé. Sempre que possível, buscar sombra ou ambientes mais frescos para reduzir o estresse térmico do corpo.
3. Atenção com roupas e calçados
Escolher roupas leves e calçados adequados, dando preferência a sapatos macios, sem salto e com espaço para os dedos, o que ajuda a evitar compressão, desconforto e piora do inchaço ao longo do dia.
4. Utilize meias de compressão
Para quem já tem diagnóstico de doenças venosas é importante o uso de meias de compressão, especialmente durante longos períodos de folia.
Além das meias de compressão, pouco práticas no calor intenso, a médica reforça a importância do descanso em elevação. “Elevar as pernas acima do nível do coração por alguns minutos, no fim do dia, faz muita diferença. Essa posição facilita o retorno do sangue, reduz o inchaço e alivia o cansaço, sem exigir nenhum equipamento ou adaptação difícil para o folião”, orienta.
Atenção aos sinais que fogem do normal
Embora algum grau de inchaço seja comum após horas de folia, a Dra. Gabriella Corrêa Casais alerta que certos sintomas não devem ser ignorados. “Dor intensa, endurecimento localizado, vermelhidão, inchaço que não melhora após o descanso ou sintomas como falta de ar e tontura não são normais e precisam de avaliação médica imediata. Em situações raras, o calor e a desidratação podem contribuir para quadros mais graves, como trombose”, sinaliza.
Com a expectativa de um Carnaval sob temperaturas históricas, o recado é claro. “A festa pode e deve ser aproveitada, mas o corpo precisa de limites. Respeitar o calor, hidratar-se e fazer pausas não é exagero, é cuidado com a saúde”, ensina.
Por Paula Novaes
