Cerveja faz mal para o coração? Entenda a verdade por trás da bebida

A bebida alcóolica mais consumida no mundo tem efeitos na saúde cardiovascular, especialmente para quem tem comorbidades, alerta o médico

06/01/2026 21:00

Presente em encontros sociais, comemorações e momentos de lazer, a cerveja ocupa o posto de bebida alcoólica mais consumida do planeta. A popularidade, no entanto, não a livra de questionamentos —sobretudo quando o tema é a saúde do coração.

Afinal, a cerveja representa um risco ao sistema cardiovascular ou seus efeitos dependem da quantidade ingerida e do perfil de quem consome?

A bebida alcóolica mais consumida no mundo tem efeitos na saúde cardiovascular, especialmente para quem tem comorbidades
A bebida alcóolica mais consumida no mundo tem efeitos na saúde cardiovascular, especialmente para quem tem comorbidades - Divulgação / MF Press Global

Segundo especialistas, não há uma resposta única ou definitiva. O impacto da bebida sobre o coração varia de acordo com uma série de fatores, como frequência e volume de consumo, idade, histórico clínico e a existência de condições prévias, entre elas hipertensão, diabetes e dislipidemias.

O cardiologista Roberto Yano (CRM-SP 134669) explica que o álcool, de forma geral, tem efeitos diretos sobre o coração e os vasos sanguíneos. “A cerveja, assim como qualquer bebida alcoólica, pode interferir na pressão arterial, no ritmo cardíaco e no metabolismo das gorduras. Para pessoas com comorbidades cardiovasculares, esses efeitos tendem a ser mais pronunciados e potencialmente perigosos”, alerta.

Os efeitos do consumo de álcool para a saúde do coração

Estudos científicos mostram que o consumo excessivo e frequente de álcool está associado ao aumento do risco de hipertensão, arritmias, cardiomiopatia alcoólica e acidente vascular cerebral. Mesmo bebidas consideradas “mais leves”, como a cerveja, podem contribuir para esses quadros quando ingeridas em grandes quantidades ou de forma contínua.

“No caso da cerveja, existem compostos como polifenóis e antioxidantes, derivados do lúpulo e da cevada, que já foram estudados por possíveis efeitos anti-inflamatórios. Porém, ressalto que a presença dessas substâncias não transforma a bebida em um ‘protetor cardíaco”, diz Roberto Yano. Segundo o médico, a “quantidade necessária para obter benefícios significativos exigiria um consumo de álcool tóxico para o organismo, anulando qualquer vantagem”.

Outro ponto importante é o impacto da cerveja no peso corporal e no metabolismo. O consumo regular pode contribuir para o ganho de peso e o aumento da gordura abdominal, fatores diretamente ligados ao maior risco cardiovascular. “Além disso, o álcool interfere no controle glicêmico, o que exige atenção redobrada de pessoas com diabetes ou resistência à insulina”.

Mas para quem já tem diagnóstico de hipertensão, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto, existe um alerta importante, o cuidado deve ser ainda maior com o consumo de bebidas alcóolicas, especialmente com frequência.

De acordo com o cardiologista, nesses casos, o consumo de cerveja pode agravar o quadro clínico e interferir na eficácia dos medicamentos. “O consumo de álcool pode reduzir, por exemplo, o efeito de remédios anti-hipertensivos e aumentar a sobrecarga cardíaca”, destaca.

Beber cerveja é sentença?

Isso não significa que toda pessoa que consome cerveja está automaticamente prejudicando o coração. O ponto central está no equilíbrio e na individualização. Avaliação médica, exames de rotina e acompanhamento cardiológico são fundamentais para entender como o organismo reage ao álcool.

“A principal mensagem é que o coração não se beneficia do excesso. Para quem tem alguma condição cardiovascular, a moderação não é apenas uma escolha, é uma necessidade”, conclui o médico Roberto Yano.