Chocolate na Páscoa: veja como escolher opções que oferecem mais benefícios à saúde

Por EdiCase
23/03/2026 16:30

A proximidade da Páscoa reacende uma tradição já consolidada no cotidiano dos brasileiros: o consumo de chocolate. Mais do que um hábito sazonal, o doce tem presença constante na dieta da população. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (ABICAB), o consumo médio de chocolate no Brasil chega a 3,9 quilos por pessoa ao ano, com uma produção nacional que ultrapassa 800 mil toneladas anuais. 

Esse volume reflete um mercado consolidado e em constante movimento, sustentado por hábitos de consumo frequentes. Segundo a  Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, 41% dos brasileiros consomem chocolate pelo menos uma vez por semana, enquanto cerca de 10% afirmam ingerir o produto quatro vezes ou mais no mesmo período.

A professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra. Juliana Couto Guimarães, comenta que o consumo moderado do alimento fica entre 20 a 30 g por dia, com preferência para chocolates com alto teor de cacau (acima de 70%) ou para o cacau em sua forma mais natural, como o cacau em pó e os nibs de cacau.

“Do ponto de vista prático, manter o equilíbrio no consumo envolve priorizar chocolates com maior concentração de cacau e evitar o chocolate branco, que não contém sólidos de cacau e é composto principalmente por manteiga de cacau, açúcar e leite. O mais importante é inserir esse consumo dentro de uma rotina alimentar equilibrada, evitando exageros e o consumo impulsivo”, aconselha. 

Projeto define novos critérios de pureza para chocolates no Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece novos critérios de pureza para a classificação de chocolates no Brasil, visando aumentar a transparência para o consumidor. A principal mudança consiste na extinção das nomenclaturas amargo e meio-amargo, que serão substituídas pela categoria chocolate intenso. Para receber essa nova classificação, o produto deverá conter no mínimo 35% de sólidos totais de cacau, elevando o padrão de qualidade em relação às normas atuais.

Além das novas definições, a proposta limita o uso de gorduras vegetais substitutas a no máximo 5% da composição total do produto e fixa percentuais específicos para o chocolate em pó e o chocolate branco. Buscando, desta forma, valorizar a produção nacional de cacau. 

É importante optar por chocolates que preservam melhor os compostos benéficos à saúde (Imagem: BearFotos | Shutterstock)
É importante optar por chocolates que preservam melhor os compostos benéficos à saúde (Imagem: BearFotos | Shutterstock)

Chocolates que preservam melhor os benefícios

A Dra. Juliana Couto Guimarães comenta que o processamento do cacau, desde a colheita até as etapas de fermentação e secagem, pode interferir na preservação dos polifenóis presentes nos chocolates. “Quando falamos de produtos industrializados, muitas vezes há adição de açúcar, gorduras e outros ingredientes que reduzem ainda mais o valor nutricional. Já o cacau de origem, ou chocolates com maior teor de cacau, geralmente passam por processos mais cuidadosos e preservam melhor esses compostos, oferecendo mais benefícios à saúde”, afirma.

Benefícios do chocolate para a saúde

Quanto maior for o índice de pureza do chocolate, maior será o valor nutricional e a presença de compostos bioativos que podem contribuir para a saúde. De acordo com a nutricionista e professora da Afya Contagem, Sabrina Pinheiro Fabrini, quando consumido com moderação, o alimento pode ser um aliado interessante dentro de uma alimentação equilibrada.

Entre os principais benefícios para a saúde, a especialista destaca:

  1. Impacto no humor e no bem-estar: o cacau contém triptofano e teobromina, que estimulam a produção de neurotransmissores como serotonina e dopamina, contribuindo para a redução do estresse e da ansiedade;
  2. Ação antioxidante: rico em polifenóis, o cacau ajuda a reduzir o estresse oxidativo, preservando a integridade de biomoléculas e modulando a expressão de enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase (SOD) e catalase;
  3. Efeito anti-inflamatório: os compostos bioativos contribuem para a redução de citocinas pró-inflamatórias, auxiliando na prevenção de doenças crônicas, como aterosclerose e resistência insulínica;
  4. Benefícios cardiovasculares: a epicatequina, um tipo de polifenol presente no cacau, está associada ao aumento da biodisponibilidade de óxido nítrico, promovendo vasodilatação e melhora da perfusão sanguínea.

Por Matheus Garcia