Cientistas descobrem bactérias intestinais que destroem colesterol

Espécies no microbioma humano têm enzimas que podem metabolizar um lipídio, segundo pesquisa

Em um estudo recente, investigadores dos EUA descobriram que certas bactérias intestinais também podem ter efeitos positivos nos níveis de colesterol.

Segundo a equipe de pesquisa, já se sabe por estudos anteriores que existe uma interação entre o microbioma e o colesterol.

O microbioma refere-se a todos os organismos – como bactérias, fungos e vírus – que colonizam o intestino humano.

No entanto, as conexões exatas para esta interação permaneceram obscuras até agora.

Detalhes da descoberta

Ao avaliar dados de mais de 1.400 voluntários, a equipe do Broad Institute, em Cambridge, conseguiu determinar que certas bactérias intestinais podem reduzir os níveis de colesterol.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram o DNA dos micróbios nas amostras de fezes dos participantes.

Os resultados mostraram que pessoas em particular cuja flora intestinal tinha uma presença aumentada da bactéria Oscillibacter tinham níveis mais baixos de colesterol.

Oscillibacter tem a capacidade de absorver e metabolizar o colesterol porque converte o colesterol em coprostanol, que por sua vez pode ser decomposto por outras bactérias. 

Pesquisadores ligam presença de certas bactérias intestinais a menor acúmulo de colesterol
Créditos: AnatomyInsider/DepositPhotos
Pesquisadores ligam presença de certas bactérias intestinais a menor acúmulo de colesterol

Quando o colesterol é perigoso?

O colesterol é realmente essencial para o corpo humano. Entre outras coisas, desempenha um papel no metabolismo da gordura ou na produção de certos hormônios, como glicocorticóides, estrogênios e testosterona.

A produção do colesterol acontece em grande parte no fígado e é liberado na corrente sanguínea e distribuído para os tecidos, onde pode ser utilizado ou armazenado no tecido adiposo, que é a camada de gordura que o corpo possui abaixo da pele.

Níveis altos de colesterol HDL, o “colesterol bom”, podem ser atribuídos a algum grau de proteção para estas doenças.

No entanto, altos níveis do “colesterol ruim” estão relacionados a doenças cardiovasculares.

Porém, se a bactéria Oscillibacter já digere grande parte do colesterol “ruim”, ela não consegue chegar ao resto do corpo através da corrente sanguínea.

Colesterol acumulado nas artérias
Créditos: sciencepics/DepositPhotos
Colesterol acumulado nas artérias

Causas de níveis elevados de colesterol

Vários fatores contribuem para os níveis de colesterol alto. A começar pela alimentação, já que uma dieta rica em gorduras saturadas e trans tende a aumentar os níveis de colesterol LDL (colesterol ruim).

Além disso, o consumo excessivo de alimentos processados e fast foods também pode contribuir significativamente.

Em segundo lugar, a genética pode ser um fator determinante. Algumas pessoas têm uma predisposição hereditária para níveis elevados de colesterol, o que significa que mesmo com uma dieta saudável e exercícios regulares, elas podem ainda apresentar colesterol alto. 

Além disso, o estilo de vida é outro fator importante. A falta de atividade física regular pode levar ao aumento dos níveis de colesterol. Por outro lado, o exercício ajuda a aumentar os níveis de colesterol HDL (colesterol bom), que auxilia na remoção do colesterol LDL das artérias.

Ademais, certas condições médicas podem levar ao aumento do colesterol. Por exemplo, doenças como diabetes tipo 2 e hipotireoidismo são conhecidas por influenciar negativamente os níveis de colesterol no sangue.

Finalmente, fatores como idade e gênero também desempenham um papel. À medida que envelhecemos, os níveis de colesterol tendem a aumentar.

Além disso, os homens geralmente têm níveis mais altos de colesterol LDL em comparação às mulheres, embora essa diferença tenda a diminuir após a menopausa.