Como o envelhecimento afeta corpo e metabolismo após os 60

Pesquisadores identificam aumento de metabólitos entre 60 e 70 anos, sugerindo benefícios no envelhecimento

Por Thatyana Costa em parceria com Anna Luísa Barbosa (Médica - CRMGO 33271)
Efeitos do envelhecimento no organismo se tornam mais evidentes após os 60 anos, mostra estudo
Efeitos do envelhecimento no organismo se tornam mais evidentes após os 60 anos, mostra estudo - iSTock/PeopleImages

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram que, a partir dos 60 anos, os efeitos do envelhecimento no corpo humano se tornam mais evidentes, especialmente no controle da frequência cardíaca e na aptidão cardiorrespiratória. Em um estudo com 118 pessoas de diferentes idades, os cientistas observaram mudanças significativas na capacidade do corpo de processar oxigênio durante o exercício físico e no perfil metabólico dos participantes. As conclusões indicam que, embora o envelhecimento seja um processo gradual, aos 60 anos há um ponto de virada, no qual essas alterações se tornam mais intensas.

Mudanças na capacidade cardiorrespiratória

O estudo indicou que, após os 60 anos, a aptidão cardiorrespiratória, que envolve a eficiência do sistema cardiovascular e respiratório em captar, transportar e consumir oxigênio durante o exercício, sofre um declínio considerável. A pesquisa sugere que o corpo, mesmo em indivíduos saudáveis, começa a mostrar sinais de comprometimento, especialmente no controle autônomo da frequência cardíaca. A modulação da frequência cardíaca, que é influenciada pelo sistema nervoso autônomo, sofre um desequilíbrio, com aumento da modulação simpática e redução da modulação parassimpática. Isso resulta em maior estresse para o organismo, comprometendo sua capacidade de recuperação e adaptação.

O papel dos metabólitos no envelhecimento

Uma das descobertas mais interessantes do estudo foi a observação de que certos metabólitos, como o ácido hipúrico, aumentam significativamente entre os 60 e 70 anos. O ácido hipúrico, que está relacionado à microbiota intestinal e à saúde metabólica, pode atuar como um protetor contra os efeitos negativos do envelhecimento, melhorando a absorção de nutrientes no intestino. No entanto, os pesquisadores alertam que, embora esse aumento possa ser um indicativo de problemas renais, ele também pode ser um marcador da saúde metabólica e da complexidade da microbiota intestinal, fundamental para o processo de envelhecimento saudável.

Outro ponto importante observado foi a redução dos níveis de aminoácidos essenciais, conhecidos como BCAAs (valina, leucina e isoleucina), que desempenham um papel crucial na síntese proteica. Com o envelhecimento, a atividade anabólica do corpo diminui, o que pode ser uma adaptação natural do organismo para se proteger. A suplementação desses aminoácidos em idosos ainda é um tema controverso, pois alguns estudos sugerem que a redução da atividade anabólica pode ter efeitos benéficos, enquanto outros alertam para riscos, como o câncer.

O envelhecimento e seus efeitos complexos

O envelhecimento é um processo complexo que afeta diversos sistemas do corpo humano de maneira integrada. Este estudo, ao examinar de forma conjunta o metabolismo, a modulação cardíaca e a aptidão cardiorrespiratória, revelou um ponto de virada aos 60 anos, quando as alterações nesses sistemas se tornam mais evidentes. Embora o envelhecimento seja inevitável, compreender esses processos pode ajudar a desenvolver estratégias para mitigar seus efeitos e promover uma vida mais saudável na terceira idade.

Como retardar o envelhecimento

Adotar hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios e cuidados com a pele, pode retardar o envelhecimento. Estudos comprovam que o controle do estresse e a qualidade do sono também são fundamentais para preservar a saúde física e mental ao longo dos anos. Clique aqui para saber mais.