Devemos ficar muito felizes pelo aparecimento de cabelos grisalhos, explica um estudo do Japão

O processo começa nas células-tronco que ficam dentro dos folículos pilosos, pequenas estruturas na raiz de cada fio

21/02/2026 14:48

Aceitar os fios brancos sempre foi um desafio para muita gente, mas uma descoberta científica feita no Japão pode mudar completamente a forma como enxergamos esse processo. O que parecia ser apenas um sinal inevitável do envelhecimento acabou revelando algo muito mais profundo sobre o funcionamento do corpo, e o resultado surpreendeu até os próprios pesquisadores: os cabelos grisalhos podem ser, na verdade, um sinal de que o organismo está trabalhando a seu favor.

Do ponto de vista do cuidado com o próprio corpo, essa pesquisa traz uma perspectiva diferente sobre a relação com os fios brancos
Do ponto de vista do cuidado com o próprio corpo, essa pesquisa traz uma perspectiva diferente sobre a relação com os fios brancosImagem gerada por inteligência artificial

Por que os cabelos ficam brancos com o tempo?

O processo começa nas células-tronco que ficam dentro dos folículos pilosos, pequenas estruturas na raiz de cada fio. São essas células que produzem a melanina, o pigmento responsável pela cor do cabelo. Com o passar dos anos, especialmente após sofrerem danos no DNA causados por estresse, exposição solar ou outros fatores externos, essas células começam a perder sua capacidade de funcionar normalmente.

Quando isso acontece, elas entram em um processo chamado senescência celular, que basicamente significa que param de se dividir e de se renovar. Sem a reposição dessas células produtoras de pigmento, os fios que crescem vão perdendo a cor progressivamente até chegarem ao branco ou cinza. O que os cientistas japoneses descobriram é que essa parada não é apenas um “defeito” do envelhecimento, mas pode ter uma função muito mais importante do que se imaginava.

Qual é a ligação entre os fios brancos e a proteção contra o câncer?

A descoberta que chamou atenção foi justamente essa: bloquear a multiplicação de células-tronco danificadas funciona como um mecanismo de freio natural do organismo. Quando uma célula acumula lesões no DNA e continua se dividindo sem controle, o risco de formação de tumores aumenta. Ao impedir que essa divisão aconteça, o corpo está, de certa forma, se protegendo de um processo que poderia se tornar cancerígeno.

Os pesquisadores identificaram que o organismo tende a priorizar essa proteção genética em vez de manter a produção de pigmento nos fios. Em outras palavras, a cor do cabelo acaba sendo sacrificada em troca de uma camada extra de defesa celular. Isso não significa que quem tem cabelos grisalhos está imune ao câncer, mas que o processo de embranquecimento pode ser um reflexo de que o corpo está tomando decisões biológicas importantes em prol da saúde geral.

Do ponto de vista do cuidado com o próprio corpo, essa pesquisa traz uma perspectiva diferente sobre a relação com os fios brancos
Do ponto de vista do cuidado com o próprio corpo, essa pesquisa traz uma perspectiva diferente sobre a relação com os fios brancosImagem gerada por inteligência artificial

O que essa descoberta muda na prática para o autocuidado?

Do ponto de vista do cuidado com o próprio corpo, essa pesquisa traz uma perspectiva diferente sobre a relação com os fios brancos. Encará-los com menos resistência e mais curiosidade passa a fazer sentido quando se entende que eles podem estar contando uma história sobre o funcionamento interno do organismo. Alguns pontos que ajudam a repensar essa relação são:

  • Os fios brancos podem indicar que as células-tronco estão respondendo ativamente a danos no DNA, o que é um processo natural e, em certa medida, protetivo
  • Fatores como estresse crônico, exposição excessiva ao sol e hábitos que aceleram o dano celular podem antecipar o aparecimento dos grisalhos, o que reforça a importância de cuidar da saúde de forma mais ampla
  • A pesquisa abre caminho para estudos sobre medicina regenerativa que, no futuro, podem resultar em formas de restaurar células-tronco danificadas sem comprometer a proteção genética do organismo

Isso não significa que colorir os cabelos seja um problema ou que quem escolhe manter os grisalhos está automaticamente mais saudável. A escolha de como lidar com os fios brancos continua sendo completamente pessoal. O que muda é o olhar sobre o processo em si.

Essa descoberta tem impacto para além da estética?

Sim, e é justamente aí que a ciência abre perspectivas interessantes. A Universidade de Tóquio, responsável pelo estudo, destacou que compreender melhor como o corpo escolhe entre manter funções capilares e proteger o material genético pode ajudar no desenvolvimento de terapias para doenças degenerativas e até abordagens mais eficazes na oncologia. Monitorar como as células-tronco envelhecem e reagem a agressões pode se tornar uma ferramenta de identificação precoce de riscos à saúde.

Para quem cuida do corpo no dia a dia, a lição que fica é mais simples do que parece: o envelhecimento não é apenas perda. Cada mudança que o corpo apresenta ao longo do tempo carrega informações sobre o que está acontecendo internamente, e os fios brancos são mais um exemplo disso. Aceitar, observar e entender o próprio corpo continua sendo um dos gestos mais genuínos de autocuidado que existem.