Falta de vitamina B12 possui sinal difícil de reverter que afeta os pés

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é essencial para a produção e manutenção da mielina

19/02/2026 11:38

A vitamina B12 é um dos nutrientes mais importantes para o funcionamento do sistema nervoso, e sua falta pode causar danos que vão muito além do cansaço e da fraqueza que a maioria das pessoas associa à deficiência. Um dos sinais mais sérios dessa carência aparece nos pés, muitas vezes de forma silenciosa e progressiva, e o que torna esse quadro ainda mais preocupante é que, quando identificado tarde demais, parte do dano pode ser difícil ou impossível de reverter completamente. Entender esse sinal antes que ele se instale faz toda a diferença.

O sinal mais característico da deficiência de B12 nos pés é a neuropatia periférica
O sinal mais característico da deficiência de B12 nos pés é a neuropatia periféricaImagem gerada por inteligência artificial

O que a falta de vitamina B12 faz com o sistema nervoso?

A vitamina B12, também chamada de cobalamina, é essencial para a produção e manutenção da mielina, a camada protetora que envolve os nervos e permite que os impulsos elétricos viajem de forma rápida e eficiente pelo corpo. Sem B12 em quantidade suficiente, essa camada começa a se deteriorar, afetando a capacidade dos nervos de transmitir sinais adequadamente. Quando os nervos periféricos, aqueles que chegam até os membros, são atingidos, o resultado é um quadro chamado neuropatia periférica.

Um ponto que torna esse processo especialmente perigoso é o tempo que ele leva para dar sinais visíveis. De acordo com uma revisão publicada pela American Academy of Family Physicians, o armazenamento substancial de vitamina B12 no fígado pode atrasar as manifestações clínicas da deficiência por até 10 anos após o início do problema. Isso significa que a deficiência pode estar instalada há muito tempo antes de qualquer sintoma neurológico aparecer, e quando os pés começam a dar sinais, o dano já está em curso há bastante tempo.

Qual é o sinal nos pés que pode ser difícil de reverter?

O sinal mais característico da deficiência de B12 nos pés é a neuropatia periférica, que se manifesta como uma combinação de sensações anômalas que muitas pessoas descrevem de formas diferentes. Formigamento constante, sensação de queimação na planta dos pés, dormência que vai e volta sem razão aparente e uma espécie de choque ou agulhada em diferentes pontos são as queixas mais comuns. Em estágios mais avançados, a pessoa pode sentir dificuldade para caminhar com equilíbrio, especialmente no escuro ou de olhos fechados, porque os nervos responsáveis por transmitir ao cérebro a posição dos pés no espaço estão comprometidos.

Um estudo publicado no PMC pelo National Institutes of Health, que analisou a relação entre os níveis de B12 e a função nervosa periférica em 2.287 participantes do Health, Aging and Body Composition Study, concluiu que níveis baixos de B12 estão associados a comprometimentos sensoriais e motores nos nervos periféricos. O mesmo estudo destacou que esses comprometimentos, quando não tratados, estão relacionados a quedas e declínio da função física em idosos. A reversibilidade do quadro depende diretamente de quanto tempo o nervo ficou sem a nutrição adequada.

O sinal mais característico da deficiência de B12 nos pés é a neuropatia periférica
O sinal mais característico da deficiência de B12 nos pés é a neuropatia periféricaImagem gerada por inteligência artificial

Quem tem mais risco de desenvolver esse quadro?

A deficiência de vitamina B12 não afeta todas as pessoas com a mesma probabilidade. Alguns grupos têm um risco significativamente maior de desenvolver níveis baixos desse nutriente e precisam estar mais atentos aos sinais e fazer acompanhamento com exames regulares. De acordo com a revisão da American Academy of Family Physicians, os principais grupos que merecem atenção especial são:

  • Pessoas que seguem dieta vegetariana ou vegana: a vitamina B12 está presente quase exclusivamente em alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e derivados. Quem exclui esses alimentos sem fazer suplementação adequada tem risco elevado de desenvolver deficiência ao longo do tempo.
  • Adultos acima de 75 anos: com o envelhecimento, a capacidade de absorver vitamina B12 diminui progressivamente. A revisão aponta que a triagem deve ser considerada nessa faixa etária justamente por esse motivo.
  • Usuários de metformina por mais de quatro meses: esse medicamento amplamente usado no tratamento do diabetes tipo 2 está associado à redução da absorção de vitamina B12 no intestino, sendo um fator de risco reconhecido para deficiência.
  • Usuários prolongados de inibidores de bomba de prótons ou bloqueadores H2: medicamentos usados para tratar gastrite e refluxo por períodos superiores a 12 meses também estão associados à redução da absorção de B12.
  • Pessoas com ressecção gástrica ou intestinal e doença inflamatória intestinal: condições que afetam a mucosa do estômago ou do intestino comprometem a absorção da vitamina B12 independentemente da quantidade presente na dieta.

Confira o vídeo do canal do Dr. Juliano Teles, com mais de 500 mil visualizações mostrando os sintomas da falta de vitamina B12:

Como o diagnóstico é feito e o que os exames mostram?

O diagnóstico da deficiência de vitamina B12 é feito por meio de exame de sangue que mede o nível sérico da vitamina, geralmente solicitado junto a um hemograma completo. De acordo com a revisão da American Academy of Family Physicians, um nível abaixo de 150 picogramas por mililitro é diagnóstico para deficiência. Em pacientes com nível normal ou limítrofe mas com sintomas neurológicos suspeitos, a dosagem de ácido metilmalônico sérico é recomendada para confirmar se a deficiência está afetando o funcionamento celular mesmo que o nível sérico de B12 pareça adequado.

Quando a neuropatia periférica já está presente, um exame chamado eletroneuromiografia pode ser solicitado para avaliar a velocidade de condução dos nervos nos membros e determinar a extensão do dano. Esse exame é importante não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para servir de parâmetro durante o tratamento, mostrando se os nervos estão ou não se recuperando após a correção da deficiência.

O tratamento reverte os sintomas nos pés completamente?

A revisão sistemática publicada no Cureus em 2025, que avaliou dez ensaios clínicos randomizados sobre os efeitos neurológicos da suplementação de B12, concluiu que a suplementação melhora os sintomas neurológicos em pacientes com deficiência declarada, com a terapia oral mostrando eficácia similar à injeção intramuscular em muitos casos. No entanto, o mesmo estudo destacou que em adultos mais velhos com deficiência subclínica, a suplementação não melhorou significativamente os desfechos neurológicos, reforçando que o momento do tratamento é determinante para o resultado.

Na prática, isso significa que quanto mais cedo a deficiência for identificada e tratada, maiores são as chances de recuperação completa dos sintomas nos pés. Quando o dano nervoso já está consolidado por conta de uma deficiência prolongada, a melhora pode ser parcial e algumas sequelas podem permanecer de forma permanente. A forma de reposição mais adequada, seja oral ou intramuscular, e a dose correta, devem sempre ser definidas com orientação médica após a avaliação dos exames e do quadro clínico completo, já que a causa da deficiência determina diretamente qual abordagem terá mais eficácia para cada pessoa.