Hábitos do dia a dia que podem colocar a saúde da sua pele em risco
Doenças de pele são mais comuns do que parecem, mas a maioria dos brasileiros ainda não busca acompanhamento dermatológico regular
Acne, micose e dermatite estão entre as doenças de pele mais frequentes e atingem uma parcela significativa da população, embora muitas vezes sejam subestimadas. No Brasil, cerca de 11,5 milhões de pessoas convivem com enfermidades dermatológicas crônicas, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com o Datafolha e a L’Oréal.
Mesmo com a consciência sobre a seriedade desses problemas —já que 86% dos brasileiros discordam da ideia de que doenças de pele se resolvem sozinhas— a busca por acompanhamento médico ainda é baixa. A pesquisa revela que 54% da população nunca consultou um dermatologista ao longo da vida.

Para Marina Ito, médica dermatologista do AmorSaúde, o acompanhamento regular é essencial tanto para a prevenção quanto para o controle dessas condições. A especialista também alerta para práticas cotidianas que aumentam os riscos de infecções, como o compartilhamento de toalhas e a falta de higienização de equipamentos de academia antes do uso, hábitos que podem facilitar o surgimento de problemas dermatológicos.
Fatores de risco para contrair doenças de pele
De acordo com a profissional, dividir objetos do dia a dia é um dos fatores que mais aumentam o risco de contrair uma doença de pele. “Itens compartilhados podem servir como veículos para fungos, bactérias e vírus, principalmente quando a pele apresenta pequenas lesões, cortes ou está fragilizada”, explica. Segundo a dermatologista, alguns dos objetos que podem carregar organismos causadores de doenças de pele são:
- Alicates e materiais de manicure sem esterilização adequada;
- Aparelhos de academia;
- Toalhas;
- Lâminas de barbear;
- Chinelos;
- Fones de ouvido;
- Bonés;
- Celulares.
A médica informa que “objetos mal higienizados acumulam microrganismos que entram em contato direto com a pele, facilitando infecções, alergias e irritações”. Por isso, compartilhar itens como toalhas e chinelos até mesmo com familiares e pessoas que moram juntas pode representar um risco de contrair doenças de pele, caso um dos usuários esteja infectado.
Algumas das doenças mais comuns que podem ser contraídas com o uso de objetos compartilhados são:
- Micoses: infecções causadas por fungos que costumam aparecer principalmente nos pés, unhas, virilha e dobras do corpo;
- Verrugas: que podem ser causadas por vírus, como o Papilomavírus Humano (HPV) e geralmente atingem mãos, pés e rosto;
- Infecções bacterianas: como foliculite ou furúnculo, que geram vermelhidão, inchaço e pus na pele;
- Herpes: que pode gerar dor em partes da pele ao longo do corpo.
A médica esclarece que ambientes úmidos e com grande circulação de pessoas, como salões de beleza, academias e piscinas, facilitam a transmissão de doenças com mais facilidade.
Cuidados no dia a dia que podem evitar doenças de pele
Simples atos, como evitar o compartilhamento de itens pessoais (toalhas, chinelos, lâminas e alicates), já podem ajudar a prevenir a contaminação por doenças de pele. A médica também explica que, em ambientes úmidos, é melhor usar chinelos do que sapatos fechados, já que estes podem favorecer o crescimento de fungos e bactérias nos pés.
Fora de casa, é necessário prestar atenção aos cuidados que os estabelecimentos adotam. “É importante dar preferência a materiais individuais ou descartáveis, verificar se há esterilização correta dos instrumentos em salões de beleza e de manicure, higienizar as mãos antes e após o uso de aparelhos de academia e limpá-los antes da utilização”, recomenda Marina.
Por fim, a dermatologista explica que visitar o dermatologista com constância é também uma forma de evitar o agravamento e a disseminação de doenças de pele. “Embora muitas dessas infecções comecem de forma leve, elas podem piorar quando não são tratadas corretamente, espalhar-se para outras áreas do corpo, causar dor, inflamação, alterações nas unhas e até afastamento de atividades do dia a dia”, alerta.
Além disso, a médica dermatologista ressalta que uma pessoa infectada pode transmitir a doença para familiares e contatos próximos, o que reforça a importância do diagnóstico e do tratamento precoce.
Cuidados diários com a pele
Além de se preocupar com a limpeza de ambientes como salões de beleza, academias e piscinas, cuidados preventivos com a pele também podem ajudar a evitar doenças.
De acordo com a médica, a pele funciona como uma barreira de proteção, mas quando essa barreira é agredida repetidamente por suor, umidade, atrito ou sujeira, ela se torna mais vulnerável. Diante disso, a dermatologista cita algumas práticas que ajudam a evitar doenças:
- Hidratação: beber água e usar hidratantes corporais ajudam a manter a barreira cutânea íntegra, o que reduz significativamente o risco de infecções;
- Evitar banhos quentes: essa prática causa ressecamento excessivo da pele, o que fragiliza sua proteção natural;
- Evitar o uso de sabonetes agressivos e esponjas ásperas: esses produtos também provocam ressecamento e desidratação da pele, facilitando o surgimento de infecções;
- Uso regular, quando indicado, de óleos lavantes: ajudam a limpar a pele sem agredir, preservando a barreira cutânea e diminuindo o risco de contaminação.
Sintomas como coceira persistente, descamação, vermelhidão, manchas, bolhas, feridas que não cicatrizam e dor são sinais de alerta e que demonstram a necessidade de procurar um dermatologista. “Sempre que a lesão não melhora em poucos dias, se espalha ou volta com frequência, é importante ir ao médico. O diagnóstico precoce evita complicações, tratamentos mais longos e a transmissão”, finaliza a dermatologista.