Mãe doa mais de mil saquinhos de leite materno para ajudar bebês

Por: Catraca Livre

A amamentação, apesar de ser um momento importante e uma conexão entre mãe e bebê, para muitas mulheres, é uma fase desgastante, de stress e frustrações. Infelizmente nem todas conseguem seguir adiante com o aleitamento materno e acabam recorrendo às fórmulas (leite artificial), ou porque não foram devidamente orientadas e o bebê não conseguiu fazer a pega correta, ou porque simplesmente não conseguem manter a produção.

São diversos fatores que levam à interrupção da amamentação, cada mulher vive uma realidade e deve ser respeitada. No entanto, a história da americana Christa Hood, de 28 anos, vai na contramão da maioria. Ela viveu uma situação diferente e inusitada, que acabou ajudando outras mães.

Christa deu à luz ao pequeno Ayden mas, já no parto, as coisas não aconteceram como o planejado. Não foi natural, como desejava. Ainda assim, ela seguia querendo amamentar o filho e, quando finalmente pôde ter essa experiência, ela não foi positiva:

“Senti dor. Mas as enfermeiras me disseram que era normal, que iria melhorar. E lá fui eu para casa. Continuava amamentando, mas a pega de Ayden não estava correta. E o que era para ser uma experiência boa foi algo horrível. Fui atrás de três consultores de amamentação, mas não tive muita sorte com eles.” – contou ao site Love What Matters.

Foi então que, depois de duas semanas de tentativa, Christa não conseguia mais: “meus mamilos estavam rachados e sangrando. Foi quando resolvi partir para a fórmula. Eu simplesmente não podia mais passar por aquilo. Porém, após dois dias dando fórmula ao meu bebê, eu me sentia péssima. Foi quando passei a bombear o leite e achei menos doloroso do que amamentar meu filho diretamente nos seios” – conta.

Christa percebeu que era possível continuar amamentando seu filho com o leite extraído pela bomba, ao invés de oferecer o peito. Assim, pretende seguir na amamentação até o primeiro ano de Ayden.

A culpa materna é comum, frequente entre as mães pelos mais diversos motivos. A amamentação é um deles. As mulheres se sentem culpadas por não conseguirem amamentar, por complementarem as mamadas com o leite artificial, por oferecerem muito, por oferecerem pouco, por várias razões, reforçadas por uma série de mitos criados sobre o aleitamento. Mas no caso de Christa, ela encontrou um caminho e reverteu a situação.

Quando ela se deu conta que era possível seguir amamentando Ayden por meio do leite que extraía com a bomba, tudo mudou. “Se você tivesse me perguntado no primeiro mês se eu continuaria dando leite materno ao meu filho, eu te diria que não sabia. Mas aqui estou, com nove meses de amamentação, seguindo para o primeiro ano, quando pretendo fazer o desmame” – completa.

O leite materno é produzido sob demanda e sob estímulo – quanto mais a mulher estimula a produção, mais ela terá. Foi assim com Christa, que tinha que acordar no meio da noite para esvaziar as mamas: “acordava para bombear e chorava o tempo todo. E eu odiava aquilo. Apesar de todo mundo falar que eu era abençoada, e eu saber disso, havia dias em que tudo o que eu queria era passar longe da máquina de leite. Com os mamilos sempre doloridos, usar um sutiã normal é um desafio, assim como encontrar roupas confortáveis que não sejam camisetas”.

Christa e o marido tiveram que tirar comida do freezer várias vezes para abrir espaço para o estoque de leite.

Ayden consumia 28 saquinhos por dia, enquanto Christa produzia 50. Com tanto leite assim, por que não ajudar outras mães que não conseguem amamentar? Foi isso que a americana fez:

“Lembro que o primeiro bebê que ajudei tinha 3 meses de idade e estava com dificuldades respiratórias num hospital, enquanto sua mãe também não era muito saudável. Senti o desejo de perguntar se precisava de leite, e ela, com lágrimas respondeu que sim porque não conseguia suprir a necessidade do bebê e se sentia péssima por isso. Aquilo fez com que eu me sentisse tão bem! Afinal, eu não alimentava um, mas dois bebês!”

Desde então, ela vem ajudando outras mães e outros bebês com a doação de seu próprio leite. “Ao longo dos últimos nove meses, consegui dar mais de 29 litros (mais de 1.000 saquinhos) para ajudar a alimentar outros sete bebês que precisavam de leite quando suas mães estavam no hospital ou seu suprimento era baixo.”, ela relata.

Por fim, Christa ainda brinca: “Tem sido uma longa e emocionante estrada, mas nós conseguimos. Agradeço a minha família e, principalmente, meu marido que tirou comida do freezer várias vezes para abrir espaço para o meu estoque”.

Foram mais de mil saquinhos de leite extraído, cerca de 29 litros, que beneficiaram sete outros bebês que precisavam ser amamentados.
  • DOAÇÃO DE LEITE MATERNO

É importante destacar que, para a doação do leite materno, a mulher deve seguir alguns procedimentos e procurar um Banco de Leite especializado. Não é recomendado que o leite seja oferecido diretamente a uma outra criança. Contraindicada formalmente pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação cruzada, como é conhecida esta prática, traz diversos riscos ao bebê, podendo transmitir doenças infectocontagiosas.

Caso você conheça alguma mãe que não consiga amamentar, oriente que ela procure ajuda do médico ou na unidade onde o bebê nasceu. Os Banco de Leite Humano (BLHs) também oferecem consulta, orientação e apoio a lactantes e podem auxiliá-las, inclusive, a retomar a amamentação, caso tenha sido interrompida.

Para a doação de leite materno, a mulher deve procurar por um Banco e efetuar um cadastro. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde não recomendam a amamentação cruzada.

O leite, quando doado, segue para o BLH e lá passa por um processo de pasteurização e é destinado a bebês prematuros ou que estejam internados em centros de tratamento intensivo neonatal. Quer saber onde tem um Banco perto de você? Clique aqui ou acesse o site Doe Leite Materno e consulte.

De acordo com a legislação RDC Nº 171, as mulheres que desejam doar precisam estar saudáveis, atendendo alguns requisitos:

• Não fumar
• Não usar álcool ou drogas ilícitas
• Não tomar medicamentos incompatíveis com a amamentação
• Apresentar exames do pré ou do pós-natal comprovando estar bem de saúde

Os Bancos fazem um cadastramento cuidadoso das doadoras justamente para avaliar se há alguma restrição. Como o leite é destinado a prematuros ou pacientes de UTIs neonatais, há um controle rígido da saúde da doadora.

Para doar, é preciso ainda tomar alguns cuidados para evitar que haja contaminação. Clique aqui e conheça o passo a passo para a coleta adequada.

Vale destacar que o Brasil é considerado referência na doação de leite materno, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Exportamos essa tecnologia para outros 25 países e temos uma das redes mais abrangentes – são 221 Bancos de Leite Humano e 199 postos de coleta, de acordo com o Ministério da Saúde. São cerca de 171 mil mulheres doadoras.

  • RECOMENDAÇÕES OMS | ALEITAMENTO MATERNO

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê, e em livre demanda. Após este período, deverá ser oferecida uma alimentação complementar apropriada, continuando com o leite materno até o segundo ano de vida ou mais.

A OMS também recomenda que o bebê seja amamentado pela mãe ainda na primeira hora de vida. Isso é importante tanto para ele quanto para a mãe, pois auxilia nas contrações uterinas, diminuindo o risco de hemorragia. Além das questões de saúde, a amamentação fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida do bebê, e complementado adequadamente até os dois anos.

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Tags:#Saúde