Musculação ajuda a proteger o cérebro contra demência, aponta estudo

Pesquisa da Unicamp indica que a musculação pode atuar como proteção contra a demência

06/01/2026 12:52

A musculação deixou de ser vista apenas como uma prática voltada à estética corporal. Os treinos de força passaram a ser reconhecidos como aliados fundamentais para um envelhecimento saudável.

Isso porque, nos últimos anos, diversos estudos têm demonstrado que o músculo funciona também como um órgão endócrino: durante as contrações, ele produz substâncias chamadas miocinas, que desempenham papel essencial na regulação metabólica do organismo.

Pesquisa da Unicamp indica que a musculação pode atuar como proteção contra a demência
Pesquisa da Unicamp indica que a musculação pode atuar como proteção contra a demência - Depositphotos/VitalikRadko

Mas pesquisas recentes indicam que a musculação pode atuar como proteção contra a demência. Um estudo conduzido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado na revista GeroScience analisou os efeitos do treinamento de força em pessoas com comprometimento cognitivo leve —condição clínica que se situa entre o envelhecimento normal e a doença de Alzheimer, caracterizada por um declínio cognitivo superior ao esperado para a idade e que aumenta o risco de demência.

Na pesquisa, participaram 44 voluntários diagnosticados com esse quadro. Os resultados mostraram que a prática regular de exercícios de força não apenas promoveu melhora significativa na memória, como também provocou alterações na anatomia cerebral, sugerindo impacto direto na saúde do sistema nervoso.

Músculos fortes, cérebro saudável

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em saúde postural, dores crônicas e liberação miofascial, esse estudo corrobora outras pesquisas que já haviam apontado o fator de neuroproteção dos treinos de força. Uma das explicações é que durante a contração muscular, são liberadas substâncias como as miocinas, que agem como hormônios no organismo.

“As miocinas agem como mensageiros químicos, que se comunicam com várias partes do corpo. Quando as miocinas são liberadas, elas alcançam o fígado, pâncreas, tecido adiposo, sistema imunológico e o cérebro. Além disso, os treinos de força também reduzem a inflamação do organismo, bem como ajudam no equilíbrio dos hormônios do estresse e do envelhecimento”, explica a especialista.

Musculação pode prevenir demência?

Com o envelhecimento da população, que é um fenômeno global, a prevalência de doenças relacionados à senilidade tem aumentado. Uma dessas patologias é a demência, sendo a mais comum o Alzheimer.

“As miocinas têm um efeito protetor no cérebro, pois ajudam na saúde dos neurônios, bem como estimulam a neuroplasticidade (capacidade do cérebro em criar conexões), melhoram a memória, o aprendizado, a atenção, além de reduzirem processos inflamatórios associados ao declínio cognitivo”, diz a especialista.

Há também evidências de que as miocinas liberadas durante as contrações musculares têm um papel importante na redução da inflamação cerebral e melhora da saúde metabólica do cérebro. Isso é fundamental para retardar os danos associados à demência. Por fim, as miocinas também têm um impacto positivo nos marcadores característicos da demência, como o acúmulo de beta-amiloide.

“Portanto, frente às evidências que temos hoje, podemos afirmar que os treinos de força são cruciais para manter o cérebro e o corpo saudáveis, especialmente em idosos. Claro que quanto antes a pessoa investir no fortalecimento muscular, maior a chance de prevenir o Alzheimer e outras demências”, comenta Walkíria.

Regularidade nos treinos é importante

Em relação à musculação, o ideal é praticar treinos para os membros superiores e inferiores, em dias alternados. Portanto, estamos falando de 3 a 4 treinos por semana. Caso a pessoa queira reforçar o fortalecimento muscular, também é interessante pensar no pilates..

“O pilates foca na musculatura profunda, especialmente no CORE, o grupo muscular que sustenta a coluna vertebral. Para além disso, o Pilates melhora o equilíbrio, postura, consciência corporal e traz benefícios também para a saúde mental, algo importante durante o processo natural do envelhecimento”, acrescenta a especialista.

O mais importante é entender que apesar de a expectativa de vida ter aumentado, é crucial envelhecer de forma saudável. Isso ajuda a manter a autonomia e a independência, além de prevenir ou reduzir o risco de desenvolver doenças como diabetes, hipertensão arterial e as demências. “Para isso, é mandatório praticar atividades físicas que tragam benefícios para a saúde em geral, como os treinos de força”, finaliza Walkíria.