O consumo de café na gravidez está ligado ao TDAH? Veja o que a ciência diz

Estudos anteriores haviam apontado uma possível associação entre o consumo de café na gestação e dificuldades cognitivas na infância

Por André Nicolau em parceria com João Gabriel Braga (Médico - CRMGO 28223)
14/02/2025 11:00 / Atualizado em 25/02/2025 15:10

Estudos anteriores haviam apontado uma possível associação entre o consumo de café na gestação e dificuldades cognitivas na infância – Kristina Kokhanova/iStock
Estudos anteriores haviam apontado uma possível associação entre o consumo de café na gestação e dificuldades cognitivas na infância – Kristina Kokhanova/iStock - Getty Images

A relação entre o consumo de café durante a gravidez e o desenvolvimento do TDAH tem sido objeto de investigação científica há anos, mas as conclusões permanecem incertas. No entanto, um estudo da Universidade de Queensland trouxe novas evidências para essa discussão.

Pesquisadores australianos acompanharam a trajetória de dezenas de milhares de gestantes ao longo de duas décadas. Ao analisarem os dados, levando em conta fatores como genética e renda, não encontraram indícios de que o consumo de café na gravidez cause dificuldades no neurodesenvolvimento infantil.

O que motivou essa pesquisa?

Estudos anteriores haviam apontado uma possível associação entre o consumo de café na gestação e dificuldades cognitivas na infância. Entretanto, não conseguiram comprovar que a cafeína fosse a responsável direta por esses efeitos.

Durante a gravidez, o metabolismo da cafeína desacelera, prolongando sua permanência no organismo. Além disso, a cafeína e seus subprodutos atravessam a placenta, chegando ao feto, que ainda não possui enzimas suficientes para metabolizá-los de forma eficiente.

Embora haja indícios de que a cafeína possa influenciar o sistema nervoso do bebê em desenvolvimento, os efeitos específicos relacionados ao TDAH ainda não foram totalmente compreendidos.

Principais descobertas do estudo

Os resultados não evidenciaram uma relação causal significativa entre o consumo materno de café e dificuldades no neurodesenvolvimento infantil. Ainda assim, os pesquisadores alertam que seu estudo não exclui completamente a possibilidade de impactos sutis.

Além disso, enfatizam que, independentemente da ligação com o TDAH, o excesso de cafeína na gestação pode trazer outros riscos, como parto prematuro e baixo peso ao nascer. Por isso, seguir as recomendações médicas é essencial.

Qual a quantidade segura de café na gravidez?

As conclusões do estudo reforçam as diretrizes atuais de saúde, que indicam que a ingestão moderada de cafeína não representa riscos significativos para mãe e bebê. Instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas sugerem um limite de até 200 mg de cafeína por dia, o equivalente a uma xícara de café.

Apesar dessa recomendação geral, cada gestação é única. Assim, qualquer dúvida deve ser discutida com um médico para garantir o bem-estar da mãe e do bebê.

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