O que é lúpus? Entenda sinais, causas e por que o diagnóstico é complexo

Por EdiCase
10/05/2026 11:00

O diagnóstico de uma doença pode ser comparado a um quebra-cabeça, e, no caso do lúpus, essa montagem costuma ser mais longa e desafiadora. No Dia Mundial do Lúpus, celebrado em 10 de maio, o alerta é para os sinais variados e pouco específicos da condição, que dificultam a identificação precoce.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), o Brasil tem entre 150 e 300 mil pessoas com a doença, que atinge principalmente mulheres entre 20 e 45 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade e sexo. A dificuldade no diagnóstico ficou popular até na cultura pop, como na série Doutor House, em que o lúpus era frequentemente cogitado e descartado. E isso não é ficção.

“A doença pode se confundir com outras condições, exigindo uma investigação detalhada, com avaliação clínica e exames laboratoriais específicos”, explica o reumatologista Leonardo Zambom, do Hospital e Maternidade São Luiz Osasco, da Rede D’Or.

O que é o lúpus?

O lúpus é uma doença autoimune em que o sistema imunológico passa a atacar células saudáveis do próprio corpo, podendo causar inflamações em diversos órgãos. A condição pode se apresentar de duas formas principais:

  • Lúpus cutâneo: restrito à pele, com manchas avermelhadas, especialmente em áreas expostas ao sol (rosto, orelhas, colo e braços);
  • Lúpus sistêmico: mais grave, podendo afetar múltiplos órgãos, além de articulações e pele.

Entre os sintomas mais comuns do lúpus, estão febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros são específicos de cada órgão acometido, como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

As manifestações da doença podem afetar o trabalho, a vida social e o emocional dos pacientes. Sem cura, o tratamento é adaptado a cada caso. “O lúpus tem origem multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais. Exposição solar, infecções e até alguns medicamentos podem atuar como gatilhos”, destaca Leonardo Zambom.

Exames gerais, como hemograma, função renal e análise de urina são fundamentais para avaliar possíveis impactos do lúpus no organismo (Imagem: RossHelen | Shutterstock)
Exames gerais, como hemograma, função renal e análise de urina são fundamentais para avaliar possíveis impactos do lúpus no organismo (Imagem: RossHelen | Shutterstock)

Exames e investigação

O diagnóstico costuma começar pelo exame Fator Antinuclear (FAN), que identifica a presença de autoanticorpos, comuns em pacientes com lúpus. Outros testes, como o Anti-SM (Anti-Smith), ajudam a confirmar o diagnóstico, enquanto o Anti-DNA funciona como um indicador da atividade da doença. Exames gerais, como hemograma, função renal e análise de urina, também são fundamentais para avaliar possíveis impactos no organismo.

Tratamento e qualidade de vida

Apesar de não ter cura, o lúpus pode ser controlado. A base do tratamento inclui medicamentos como a hidroxicloroquina, além de corticoides e imunossupressores nos casos mais ativos. Em situações específicas, terapias imunobiológicas também podem ser indicadas.

“Hoje há um avanço importante na medicina personalizada, que permite ajustar o tratamento conforme o perfil de cada paciente, aumentando as chances de controle da doença e melhorando a qualidade de vida”, finaliza o reumatologista Leonardo Zambom.

Por Samara Meni