O que significa pular sete ondas na virada do ano?

Pular sete ondas pode marcar um recomeço mais leve no Ano Novo

01/01/2026 11:06

Pular sete ondas é um costume bastante conhecido nas praias brasileiras, especialmente na virada de ano. A prática costuma estar associada à ideia de começar um novo ciclo com mais equilíbrio, deixando para trás dificuldades e mentalizando novos objetivos. Mesmo para quem não segue nenhuma religião, o gesto ganhou espaço como um ritual simbólico de renovação.

A expressão “pular sete ondas” está ligada à tradição popular e, muitas vezes, à religiosidade de matriz africana
A expressão “pular sete ondas” está ligada à tradição popular e, muitas vezes, à religiosidade de matriz africanaImagem gerada por inteligência artificial

O que significa pular sete ondas na virada do ano?

A expressão “pular sete ondas” está ligada à tradição popular e, muitas vezes, à religiosidade de matriz africana, especialmente ao culto às divindades associadas ao mar. Nessa visão, o oceano é visto como uma força da natureza capaz de levar embora o que não serve mais e de abrir caminhos para novas oportunidades, marcando a passagem de um ciclo para outro.

No ritual, a pessoa entra no mar até a altura dos joelhos ou um pouco acima, aguarda as ondas menores e salta, uma a uma, sem virar as costas para o mar. Em cada pulo, é comum mentalizar aspectos diferentes da vida, como trabalho, saúde, família ou proteção, fazendo do ato físico de saltar um marco simbólico de encerramento e recomeço.

Qual é a origem e a simbologia do costume de pular sete ondas?

A tradição de pular sete ondas tem forte ligação com cultos afro-brasileiros, como o candomblé e a umbanda, nos quais o mar é frequentemente relacionado a orixás da água salgada. Com o tempo, essa prática ultrapassou os limites dos terreiros e passou a ser adotada por pessoas de diferentes crenças, transformando-se em um hábito cultural do Réveillon brasileiro.

A escolha do número sete aparece em diversas culturas como símbolo de totalidade, passagem e plenitude, como nos sete dias da semana ou nas sete cores do arco-íris. Na virada do ano, ele representa um ciclo completo de pedidos ou intenções, muitas vezes associado à ideia de limpeza energética e descarrego de tensões acumuladas.

Dentro desse simbolismo, cada elemento do ritual é interpretado de forma específica, reforçando a ideia de renovação e força interior. A lista a seguir mostra alguns dos significados mais recorrentes atribuídos a esses componentes:

  • Mar: visto como força renovadora;
  • Ondas: interpretadas como desafios do dia a dia;
  • Saltos: simbolizam superação e movimento;
  • Número sete: relacionado a ciclo, mudança e proteção.

Como pular sete ondas de forma segura e respeitosa?

Embora seja um gesto simples, pular sete ondas exige cuidados básicos, já que o mar é um ambiente em constante movimento. A recomendação é escolher ondas pequenas, permanecer em áreas rasas e evitar pontos com correnteza forte, dando atenção especial a crianças e pessoas com mobilidade reduzida.

  1. Entrar no mar com calma, evitando correr.
  2. Ficar em uma profundidade segura, geralmente abaixo da cintura.
  3. Observar a movimentação do mar antes de começar.
  4. Pular ondas menores, sem tentar enfrentar ondas grandes.
  5. Manter o respeito ao espaço de outras pessoas na água.
  6. Evitar consumo excessivo de álcool antes de entrar no mar.

Além da segurança física, há o aspecto do respeito cultural e ambiental, já que muitas pessoas encaram o mar como um espaço sagrado durante o Réveillon. Isso envolve não descartar lixo na praia, ter cuidado com copos e garrafas, e não desrespeitar oferendas que porventura estejam na areia ou na água.

A expressão “pular sete ondas” está ligada à tradição popular e, muitas vezes, à religiosidade de matriz africana
A expressão “pular sete ondas” está ligada à tradição popular e, muitas vezes, à religiosidade de matriz africanaImagem gerada por inteligência artificial

Pular sete ondas é tradição, simpatia ou ritual espiritual?

Para algumas pessoas, pular sete ondas é apenas uma simpatia de ano-novo, repetida por costume familiar ou pela influência dos amigos na praia. Para outras, trata-se de um ritual espiritual, carregado de fé, intenção e concentração, servindo como um momento de introspecção na passagem de ano.

Na prática, essa diversidade de interpretações mostra como o costume se incorporou ao imaginário brasileiro, sem um significado único e rígido. Entrar no mar, encarar as pequenas ondas e saltar sete vezes cria uma pausa simbólica entre um ano e outro, permitindo que cada pessoa atribua ao gesto o sentido que fizer mais sentido em sua própria trajetória.