O que significa quando sentimos arrepios ouvindo música?

4 motivos que explicam os arrepios ao ouvir música favorita

30/01/2026 07:16

Em muitas situações do dia a dia, algumas pessoas relatam sentir arrepios ouvindo música, como se uma onda passasse pela pele ou pela coluna. Esse fenômeno, chamado de frisson musical, é relativamente comum e costuma surgir em momentos específicos da canção, como no auge do refrão, na entrada de um coro ou em uma mudança inesperada de melodia, sendo uma sensação física fortemente ligada a processos emocionais e cognitivos.

A experiência de frisson resulta da interação entre várias áreas cerebrais
A experiência de frisson resulta da interação entre várias áreas cerebraisImagem gerada por inteligência artificial

O que é o frisson musical e qual o seu significado?

O termo mais usado em estudos para essa reação é frisson musical, uma espécie de “arrepio emocional” que aparece em resposta a trechos marcantes de uma canção. Nesses momentos, o cérebro interpreta o estímulo sonoro como altamente significativo e aciona sistemas ligados ao prazer, à motivação e à emoção.

Do ponto de vista fisiológico, o frisson está associado à liberação de substâncias como dopamina, envolvidas em processos de recompensa. O organismo reage de forma parecida à que ocorre diante de outras experiências prazerosas ou de grande impacto emocional, o que ajuda a explicar por que algumas músicas “tocam fundo” e ficam gravadas na memória por muito tempo.

Como o cérebro produz os calafrios ao ouvir música?

A experiência de frisson resulta da interação entre várias áreas cerebrais. Regiões ligadas ao processamento auditivo analisam ritmo, harmonia e melodia, enquanto estruturas do sistema límbico participam da avaliação emocional e da sensação de prazer gerada pela música.

Estudos de neuroimagem mostram maior atividade em circuitos de recompensa segundos antes do trecho em que surgem os arrepios. Isso indica que a antecipação do que está por vir tem papel importante: o cérebro cria previsões sobre a canção e, quando elas são confirmadas ou levemente quebradas de forma agradável, a chance de frisson aumenta.

Por que algumas pessoas sentem arrepios e outras não?

A intensidade dos arrepios ao ouvir música varia bastante entre indivíduos e depende de fatores emocionais, biológicos e de experiência. Pessoas com maior sensibilidade emocional, histórico musical rico ou forte ligação afetiva com determinadas canções tendem a relatar mais frisson, embora isso não seja uma regra fixa.

Alguns elementos ajudam a entender melhor essas diferenças individuais e em quais situações o frisson se torna mais provável:

  • História pessoal: músicas ligadas a lembranças marcantes geram respostas mais intensas;
  • Contexto de escuta: ambiente silencioso ou shows ao vivo podem potencializar o efeito;
  • Envolvimento emocional: atenção plena à música facilita o surgimento de arrepios;
  • Variações biológicas: diferenças no cérebro e no corpo influenciam a sensibilidade sonora.
A experiência de frisson resulta da interação entre várias áreas cerebrais
A experiência de frisson resulta da interação entre várias áreas cerebraisImagem gerada por inteligência artificial

Sentir arrepio ouvindo música é normal e como aproveitar essa resposta?

De forma geral, sentir arrepios ouvindo música é uma reação normal a um estímulo sonoro carregado de significado e não costuma indicar problema de saúde. Só merece investigação médica quando vem acompanhado de sintomas persistentes, como dor no peito, tonturas intensas ou desmaios, situações em que é importante descartar causas clínicas.

O entendimento desse fenômeno tem sido aplicado em educação musical, musicoterapia e produção artística. Em contextos terapêuticos, profissionais escolhem músicas capazes de despertar emoções e memórias, enquanto compositores exploram recursos como crescendos, pausas estratégicas e mudanças inesperadas de harmonia para intensificar o envolvimento do ouvinte e tornar a experiência musical mais marcante no dia a dia.