Por que o cuidado com a boca faz diferença para toda a saúde?
Dentista explica por que manter hábitos de higiene e visitas ao dentista previnem complicações que vão além do sorriso
A saúde bucal tem impacto direto no funcionamento do organismo, incluindo o coração e o sistema imunológico. Apesar disso, parte da população brasileira ainda negligencia os cuidados orais. Um indicativo é que metade dos adultos do país apresenta ao menos um dente com cárie não tratada, segundo a pesquisa SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde.
“A saúde bucal está diretamente ligada à saúde geral, já que a boca é uma das principais portas de entrada para bactérias”, afirma Milca Cabral, dentista da AmorSaúde.

Segundo a profissional, infecções ou inflamações na cavidade oral podem permitir que microrganismos atinjam a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios em outras partes do corpo.
Higiene bucal e saúde geral
Para manter o equilíbrio do organismo, a especialista destaca a importância de hábitos básicos de higiene oral. A ausência de escovação adequada e o não uso do fio dental podem contribuir para o agravamento de doenças como a diabetes, entre outras condições. Entre os exemplos citados pela dentista estão:
- Infecções: a falta de higiene bucal favorece o acúmulo de placa bacteriana, tártaro dentário e o surgimento de infecções gengivais, dentre elas a gengivite e a periodontite;
- Doenças cardiovasculares: as infecções na gengiva e em outras áreas da boca aumentam a inflamação sistêmica no corpo, o que pode contribuir para doenças cardiovasculares, como endocardite bacteriana e aterosclerose;
- Problemas nos rins: inflamações crônicas causadas por bactérias na boca podem sobrecarregar os rins, o que diminui a capacidade do órgão de filtrar o sangue;
- Diabetes: em diabéticos, as infecções bucais dificultam o controle glicêmico, criando um ciclo em que a inflamação na boca piora o controle da doença. A dentista também lembra que complicações da diabetes podem gerar problemas nos rins, nos olhos e no coração, além de causar amputações;
- Doenças pulmonares: o acúmulo de bactérias na boca favorece que esses microrganismos sejam aspirados. No pulmão, eles podem gerar doenças como pneumonia e bronquite.
A boca emite alertas de doenças
Segundo Cabral, o corpo dá alguns sinais de que é necessário prestar atenção à higiene bucal. A dentista ressalta que é preciso redobrar o cuidado com a escovação e procurar um profissional da área caso algum desses sintomas se apresente:
- Sangramento gengival;
- Mau hálito persistente;
- Dor e/ou sensibilidade nos dentes;
- Inchaço ou vermelhidão na gengiva;
- Mobilidade dental;
- Feridas na boca que não cicatrizam.
A dentista ainda complementa explicando que alguns sintomas na boca podem indicar doenças em outras áreas do corpo. “Alterações na cor da mucosa, feridas que aparecem e somem, boca seca, sangramentos, infecções recorrentes e mudanças no paladar podem estar associadas a condições como anemia, diabetes, deficiências nutricionais ou doenças autoimunes”, ressalta.
Caso perceba alguns desses sinais, Milca Cabral ressalta que o ideal é procurar um dentista e um médico para uma avaliação completa. “O diagnóstico precoce permite tratar tanto o problema bucal quanto possíveis doenças sistêmicas, prevenindo futuras complicações”, pontua.
Boas práticas para saúde bucal
Para garantir uma boa higiene bucal e evitar problemas de saúde em todo o corpo, Cabral cita algumas práticas simples: “escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, usar fio dental diariamente, utilizar creme dental com flúor e higienizar a língua, já ajudam a evitar doenças”, ela explica.
A dentista ainda ressalta que mudanças na alimentação, como evitar o consumo excessivo de açúcar e manter uma alimentação equilibrada, e evitar hábitos danosos, como fumar, também garantem uma boa saúde bucal e, por consequência, no corpo todo.
Por fim, a profissional afirma que o ideal é visitar um dentista a cada seis meses para checar se a saúde oral e do corpo estão em dia. No entanto, pacientes com doenças crônicas, histórico de problemas na gengiva ou próteses dentárias devem procurar o profissional com mais frequência, seguindo as orientações dele.