Por que o cuidado com a boca faz diferença para toda a saúde?

Dentista explica por que manter hábitos de higiene e visitas ao dentista previnem complicações que vão além do sorriso

19/03/2026 17:32

A saúde bucal tem impacto direto no funcionamento do organismo, incluindo o coração e o sistema imunológico. Apesar disso, parte da população brasileira ainda negligencia os cuidados orais. Um indicativo é que metade dos adultos do país apresenta ao menos um dente com cárie não tratada, segundo a pesquisa SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde.

“A saúde bucal está diretamente ligada à saúde geral, já que a boca é uma das principais portas de entrada para bactérias”, afirma Milca Cabral, dentista da AmorSaúde.

Segundo a profissional, infecções ou inflamações na cavidade oral podem permitir que microrganismos atinjam a corrente sanguínea, desencadeando processos inflamatórios em outras partes do corpo.

Higiene bucal e saúde geral

Para manter o equilíbrio do organismo, a especialista destaca a importância de hábitos básicos de higiene oral. A ausência de escovação adequada e o não uso do fio dental podem contribuir para o agravamento de doenças como a diabetes, entre outras condições. Entre os exemplos citados pela dentista estão:

  • Infecções: a falta de higiene bucal favorece o acúmulo de placa bacteriana, tártaro dentário e o surgimento de infecções gengivais, dentre elas a gengivite e a periodontite;
  • Doenças cardiovasculares: as infecções na gengiva e em outras áreas da boca aumentam a inflamação sistêmica no corpo, o que pode contribuir para doenças cardiovasculares, como endocardite bacteriana e aterosclerose;
  • Problemas nos rins: inflamações crônicas causadas por bactérias na boca podem sobrecarregar os rins, o que diminui a capacidade do órgão de filtrar o sangue;
  • Diabetes: em diabéticos, as infecções bucais dificultam o controle glicêmico, criando um ciclo em que a inflamação na boca piora o controle da doença. A dentista também lembra que complicações da diabetes podem gerar problemas nos rins, nos olhos e no coração, além de causar amputações;
  • Doenças pulmonares: o acúmulo de bactérias na boca favorece que esses microrganismos sejam aspirados. No pulmão, eles podem gerar doenças como pneumonia e bronquite.

A boca emite alertas de doenças

Segundo Cabral, o corpo dá alguns sinais de que é necessário prestar atenção à higiene bucal. A dentista ressalta que é preciso redobrar o cuidado com a escovação e procurar um profissional da área caso algum desses sintomas se apresente:

  • Sangramento gengival;
  • Mau hálito persistente;
  • Dor e/ou sensibilidade nos dentes;
  • Inchaço ou vermelhidão na gengiva;
  • Mobilidade dental;
  • Feridas na boca que não cicatrizam.

A dentista ainda complementa explicando que alguns sintomas na boca podem indicar doenças em outras áreas do corpo. “Alterações na cor da mucosa, feridas que aparecem e somem, boca seca, sangramentos, infecções recorrentes e mudanças no paladar podem estar associadas a condições como anemia, diabetes, deficiências nutricionais ou doenças autoimunes”, ressalta.

Caso perceba alguns desses sinais, Milca Cabral ressalta que o ideal é procurar um dentista e um médico para uma avaliação completa. “O diagnóstico precoce permite tratar tanto o problema bucal quanto possíveis doenças sistêmicas, prevenindo futuras complicações”, pontua.

Boas práticas para saúde bucal

Para garantir uma boa higiene bucal e evitar problemas de saúde em todo o corpo, Cabral cita algumas práticas simples: “escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, usar fio dental diariamente, utilizar creme dental com flúor e higienizar a língua, já ajudam a evitar doenças”, ela explica.

A dentista ainda ressalta que mudanças na alimentação, como evitar o consumo excessivo de açúcar e manter uma alimentação equilibrada, e evitar hábitos danosos, como fumar, também garantem uma boa saúde bucal e, por consequência, no corpo todo.

Por fim, a profissional afirma que o ideal é visitar um dentista a cada seis meses para checar se a saúde oral e do corpo estão em dia. No entanto, pacientes com doenças crônicas, histórico de problemas na gengiva ou próteses dentárias devem procurar o profissional com mais frequência, seguindo as orientações dele.