Por que os sinais de infarto são diferentes em mulheres?
Os fatores que tornam os sinais de infarto em mulheres diferentes são biológicos e socioculturais.
O infarto agudo do miocárdio figura entre as principais causas de morte no Brasil. Dados do Cardiômetro, indicador criado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia para monitorar óbitos por doenças cardiovasculares no país, apontam cerca de 400 mil mortes anuais por esse grupo de enfermidades, das quais aproximadamente 100 mil são decorrentes de infarto.
Informações do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam ainda que, nos últimos 15 anos, o número de jovens acometidos pela doença mais que dobrou. Entre as mulheres, o cenário é mais preocupante: o risco de morte após um infarto é cerca de 50% maior em comparação aos homens.

Segundo o cardiologista intervencionista Silvio Gioppato, membro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), muitas mulheres tendem a subestimar os sinais do infarto, frequentemente associando os sintomas ao cansaço ou ao estresse. Essa interpretação equivocada pode atrasar a procura por atendimento médico e agravar o quadro clínico.
O que é o infarto e quais são os sinais
O infarto ocorre, em geral, quando o fluxo sanguíneo para o coração é interrompido pela formação de um coágulo, normalmente associado ao acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias. Outras causas possíveis incluem espasmos das artérias coronárias, que podem ser desencadeados por estresse intenso ou uso de drogas.
Em situações menos frequentes, o problema pode estar relacionado à embolia coronária, quando um material estranho obstrui a artéria, ou à dissecção espontânea da artéria coronária, que também compromete a circulação sanguínea.
Entre os sinais mais comuns do infarto estão mal-estar inespecífico, cansaço sem causa aparente, náuseas, vômitos, suor frio súbito, dor que se inicia no peito e pode irradiar para braços, ombros e cotovelos, além de dormência, formigamento e batimentos cardíacos acelerados ou irregulares.
De acordo com o especialista, diferenças biológicas e socioculturais influenciam a forma como as mulheres percebem esses sintomas. “Muitas têm maior resistência à dor e interpretam o quadro como um desconforto passageiro. Além disso, por frequentemente assumirem o papel central na organização familiar, acabam adiando a busca por ajuda médica”, explica Gioppato.
Fatores de risco e prevenção
A menopausa é apontada como um fator relevante de risco cardiovascular para as mulheres. Após esse período, a redução da proteção hormonal favorece o avanço mais rápido da aterosclerose. Em cerca de dez anos, o risco de infarto e de outras complicações cardiovasculares se equipara ao dos homens.
Outros fatores, como tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade e estresse, contribuem para o aumento desse risco.
Para prevenir o infarto, o cardiologista destaca a importância de mudanças no estilo de vida. A recomendação inclui a prática regular de atividade física, com ao menos 30 minutos diários de exercícios de intensidade moderada a alta, além de uma alimentação equilibrada, com menor consumo de ultraprocessados e maior presença de fibras, vegetais, carnes magras e peixes. Dormir bem, manter o peso adequado e evitar hábitos como o tabagismo também são medidas fundamentais.
O tempo é decisivo no tratamento do infarto. Quanto mais rápido o atendimento médico, menores são as chances de complicações graves, sequelas permanentes ou morte. Diante de qualquer um dos sintomas associados ao quadro, é essencial comunicar pessoas próximas e buscar assistência médica imediata.