Quanto mede sua cintura? Esse número pode indicar risco de infarto

Acúmulo de gordura visceral no abdômen libera substâncias inflamatórias que favorecem a obstrução de artérias e doenças do coração

09/04/2026 14:05

O Ministério da Saúde registra anualmente cerca de 400 mil casos de Infarto Agudo do Miocárdio no Brasil. O índice posiciona a condição como uma das principais causas de óbito no território nacional.

Apesar da alta incidência, a percepção de bem-estar da população permanece vinculada apenas ao peso corporal total, ignorando indicadores específicos de distribuição de gordura.

Acúmulo de gordura visceral no abdômen libera substâncias inflamatórias que favorecem a obstrução de artérias e doenças do coração
Acúmulo de gordura visceral no abdômen libera substâncias inflamatórias que favorecem a obstrução de artérias e doenças do coraçãoImagem gerada por inteligência artificial

Um dos fatores de risco centrais para o coração reside na gordura abdominal, especificamente na variedade denominada gordura visceral. Segundo a cardiologista Rafaela Penalva, do Instituto Dante Pazzanese, esse tecido gorduroso atua no metabolismo e interfere diretamente no funcionamento do sistema circulatório.

Gordura na região abdominal

O acúmulo de gordura na região abdominal está associado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Diferente da gordura subcutânea, a gordura visceral localiza-se profundamente no abdômen, ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino.

A gordura visceral libera substâncias que elevam o colesterol ruim (LDL), reduzem o colesterol bom (HDL) e aumentam a pressão arterial. Esse cenário favorece a formação de placas de gordura nas paredes das artérias. Com o tempo, o estreitamento dos vasos dificulta a passagem do sangue, podendo levar a bloqueios completos caso ocorra o rompimento de uma placa e a formação de coágulos.

A medida da circunferência abdominal é utilizada como um indicador prático do risco cardiovascular. Valores acima de 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres são considerados pontos de alerta pelas autoridades de saúde. O risco elevado também se aplica a indivíduos que possuem peso total dentro da normalidade, mas apresentam concentração de gordura na barriga.

Além da medida isolada da cintura, a relação cintura-quadril (RCQ) ajuda a avaliar a distribuição de gordura no corpo. Uma cintura proporcionalmente maior que o quadril indica maior probabilidade de síndrome metabólica. Outra aferição importante é a circunferência do braço, que monitora a massa muscular e auxilia na identificação de sarcopenia, especialmente em pacientes com mais de 50 anos.

Prevenção e controle do risco metabólico

As doenças do coração podem evoluir de forma silenciosa por anos sem apresentar sintomas claros. A formação das placas nas artérias é um processo lento que culmina em obstruções repentinas. Por esse motivo, a monitoração constante de indicadores como glicemia, pressão arterial e níveis de colesterol é necessária para a detecção precoce de anomalias.

A redução da gordura abdominal passa pela adoção de hábitos alimentares equilibrados e pela prática regular de atividades físicas. O controle do peso corporal e a cessação do tabagismo são medidas que auxiliam na proteção das paredes arteriais. A manutenção da massa magra também é citada como fator relevante para a saúde metabólica e redução do esforço cardíaco.

Consultas médicas periódicas e exames de rotina permitem a avaliação da composição corporal e do estado nutricional. A identificação de fatores de risco antes do surgimento de eventos agudos é a principal estratégia para evitar complicações graves. O acompanhamento profissional orienta o paciente sobre as metas de medidas antropométricas ideais para cada perfil.

A prevenção cardiovascular é fundamentada no manejo de múltiplos fatores que, somados, determinam a longevidade do sistema circulatório. A atenção à fita métrica serve como um sinalizador inicial para mudanças no estilo de vida. O cuidado preventivo busca evitar que a inflamação constante gerada pela gordura visceral comprometa órgãos vitais.