A aldeia de 115 habitantes procura novos moradores: oferece casa, trabalho e uma nova vida nas montanhas

O esvaziamento de Santo Stefano di Sessanio acompanha uma tendência que afeta centenas de municípios rurais europeus.

10/05/2026 10:15

A poucos quilômetros de Roma, encravada entre os picos dos Apeninos dentro do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, existe uma aldeia medieval com ruas de pedra, casas centenárias e um problema urgente: está ficando sem gente. Santo Stefano di Sessanio, em Abruzzo, tem apenas 115 habitantes, metade deles aposentados, e lançou um programa que oferece até 44.000 euros em subsídios, aluguel simbólico e apoio para abrir negócios a quem decidir se mudar de forma permanente. A proposta virou notícia internacional e atraiu atenção de quem sonha em trocar o caos urbano por uma vida completamente diferente.

O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente.
O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente.Imagem gerada por inteligência artificial

Por que uma aldeia histórica chegou ao ponto de pagar para ter moradores?

O esvaziamento de Santo Stefano di Sessanio acompanha uma tendência que afeta centenas de municípios rurais europeus. As gerações mais jovens migram para cidades maiores em busca de trabalho e estudo, deixando para trás casas vazias e uma população cada vez mais envelhecida. Com pouco mais de 20 crianças abaixo de 13 anos e cerca de 70 moradores vivendo ali durante todo o ano, a aldeia chegou a um ponto em que a continuidade dos serviços básicos passou a depender diretamente da chegada de novos residentes.

O prefeito Fabio Santavicca estruturou o programa com uma lógica clara: não oferecer apenas casa, como outras localidades italianas fizeram ao vender imóveis por um euro simbólico, mas criar condições concretas para que as pessoas possam construir uma vida sustentável ali. Subsídio anual, suporte para empreender e moradia acessível formam um conjunto que vai além do apelo visual da aldeia medieval.

Confira a seguir o vídeo do canal Viaggia Con Wallaece mostrando a cidade de Santo Stefano di Sessanio:

O que exatamente o programa oferece a quem se mudar?

O pacote de incentivos de Santo Stefano di Sessanio é um dos mais completos entre os programas de repovoamento rural europeus ativos em 2026. Os benefícios incluem:

  • Contribuição anual de até 8.000 euros durante três anos consecutivos, apenas por residir na aldeia
  • Subsídio único de até 20.000 euros para quem abrir um negócio compatível com os objetivos de desenvolvimento local
  • Moradia disponível com aluguel simbólico, muito abaixo do praticado em qualquer cidade italiana
  • Apoio institucional para a regularização burocrática da mudança, especialmente para estrangeiros
  • Acesso ao Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, que garante fluxo turístico constante para quem empreende no setor
O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente.
O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente. - Créditos: (trolvag, CC BY-SA 3.0 , via Wikimedia Commons)

Quem pode se candidatar e quais são os requisitos?

O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente. Turistas curiosos ou interessados em uma experiência temporária estão fora do escopo da iniciativa desde o início. Os critérios de seleção definem bem o perfil buscado:

  • Candidatos com menos de 40 anos de idade têm prioridade na seleção
  • Compromisso de residência mínima de cinco anos na aldeia
  • Cidadãos da União Europeia ou pessoas com condições de obter residência legal na Itália
  • Apresentação de um projeto de negócio viável, alinhado com turismo, gastronomia ou cultura local
  • Disposição para integração efetiva à vida comunitária da aldeia
O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente.
O programa foi desenhado para atrair pessoas dispostas a morar em Abruzzo de forma real e permanente.Imagem gerada por inteligência artificial

Como é viver em Santo Stefano di Sessanio no dia a dia?

A aldeia fica a cerca de 1.300 metros de altitude, o que define o clima e o ritmo das estações. Os invernos são frios e nevados, com as ruas de pedra medieval cobertas de branco por semanas. Os verões oferecem temperatura amena, paisagens abertas sobre os Apeninos e um fluxo constante de visitantes atraídos pelo patrimônio histórico e pela proximidade com o Gran Sasso. A aldeia é considerada um dos vilarejos medievais mais preservados da Itália, o que a torna um polo de turismo cultural com demanda estável ao longo do ano.

O cotidiano exige adaptação. Supermercados maiores e serviços hospitalares de maior complexidade ficam a dezenas de quilômetros. Ter carro é indispensável. Mas quem chegou a Santo Stefano di Sessanio para ficar raramente descreve essa realidade como um problema. A ausência de congestionamentos, o silêncio noturno, as relações de vizinhança genuínas e a beleza constante da paisagem montanhosa compensam cada deslocamento necessário até o centro urbano mais próximo.

O que essa proposta revela sobre o futuro das cidades pequenas na Europa?

Desde que o programa foi lançado, mais de 1.500 pessoas manifestaram interesse em apenas algumas semanas. O número mostra que a demanda por alternativas à vida metropolitana cresceu de forma consistente, especialmente depois que o trabalho remoto tornou geograficamente possível o que antes parecia uma renúncia profissional definitiva. Designers, fotógrafos, escritores, consultores e profissionais de tecnologia figuram entre os perfis mais comuns dos candidatos interessados em repovoamento rural europeu.

A iniciativa de Santo Stefano di Sessanio vai na direção contrária ao esvaziamento passivo. Em vez de esperar que a tendência se reverta sozinha, a aldeia decidiu criar as condições para que a reversão aconteça. O resultado ainda está sendo construído, mas o interesse gerado deixa claro que existe um contingente significativo de pessoas prontas para trocar o metro quadrado caro e o ritmo frenético das capitais europeias por ruas de pedra, montanhas e uma comunidade onde todo mundo ainda se conhece pelo nome.