A maior cidade do mundo está afundando

A causa principal do afundamento de Jacarta é surpreendentemente simples

01/04/2026 13:45

Com impressionantes 42 milhões de habitantes, Jacarta ultrapassou Tóquio e Dhaka e se tornou a maior megacidade do planeta. Mas enquanto a população cresce, o solo sob seus pés faz o caminho oposto. A capital da Indonésia está afundando a uma velocidade alarmante, chegando a 30 centímetros por ano em algumas regiões. Relatórios da ONU sobre urbanização global e estudos regionais revelam que partes da cidade já se encontram abaixo do nível do mar, protegidas apenas por um imenso muro costeiro cuja eficácia a longo prazo ninguém ousa garantir.

A região metropolitana da capital indonésia concentra mais pessoas do que todos os países nórdicos juntos
A região metropolitana da capital indonésia concentra mais pessoas do que todos os países nórdicos juntosImagem gerada por inteligência artificial

Por que Jacarta está afundando tão rapidamente?

A causa principal do afundamento de Jacarta é surpreendentemente simples: a extração descontrolada de água subterrânea. Residências, indústrias e empresas bombeiam água do subsolo em volumes que excedem a capacidade natural de reposição. Quando os lençóis freáticos se esvaziam, o terreno acima perde sustentação e começa a ceder, um fenômeno geológico conhecido como subsidência.

A situação se agrava quando somamos os efeitos das mudanças climáticas a esse cenário. A elevação do nível do mar, as tempestades cada vez mais intensas e as marés irregulares pressionam uma cidade que já se encontra em posição vulnerável. Pesquisadores alertam que bairros inteiros podem se tornar inabitáveis nas próximas décadas se medidas drásticas não forem adotadas. O que deveria ser uma megacidade pujante se transforma, aos poucos, em uma lição sobre os limites do crescimento urbano sem planejamento.

Como Jacarta se tornou a maior cidade do mundo?

O relatório mais recente da ONU sobre urbanização mundial mostra que o número de megacidades com mais de 10 milhões de habitantes saltou de 8 para 33 desde 1975. Nesse cenário de explosão urbana, Jacarta subiu ao topo da lista graças a um crescimento populacional acelerado, impulsionado pela migração rural e pela expansão econômica do sudeste asiático.

A região metropolitana da capital indonésia concentra mais pessoas do que todos os países nórdicos juntos. São shoppings do tamanho de pequenas cidades, engarrafamentos que duram horas e uma infraestrutura que luta para acompanhar o ritmo da expansão. Veja o ranking atualizado das dez maiores cidades do mundo segundo a ONU:

  • Jacarta (Indonésia): 41,9 milhões de habitantes
  • Dhaka (Bangladesh): 36,6 milhões
  • Tóquio (Japão): 33,4 milhões
  • Nova Déli (Índia): 30,2 milhões
  • Xangai (China): 29,6 milhões
  • Guangzhou (China): 27,6 milhões
  • Cairo (Egito): 25,6 milhões
  • Manila (Filipinas): 24,7 milhões
  • Calcutá (Índia): 22,5 milhões
  • Seul (Coreia do Sul): 22,5 milhões
A região metropolitana da capital indonésia concentra mais pessoas do que todos os países nórdicos juntos
A região metropolitana da capital indonésia concentra mais pessoas do que todos os países nórdicos juntosImagem gerada por inteligência artificial

O que está sendo feito para conter o afundamento da cidade?

A resposta mais visível do governo indonésio é a construção de uma muralha costeira gigantesca, projetada para conter o avanço do oceano sobre as áreas mais baixas de Jacarta. Essa barreira mantém a água do mar afastada por enquanto, mas especialistas consideram a solução temporária. Sem enfrentar a causa raiz, que é a extração excessiva de água subterrânea, o afundamento continuará independentemente de qualquer muro.

Outra medida em andamento é a transferência da capital administrativa da Indonésia para Nusantara, uma cidade planejada na ilha de Bornéu. O projeto busca aliviar a pressão demográfica sobre Jacarta e criar um centro governamental mais sustentável. No entanto, os 42 milhões de pessoas que já vivem na megacidade continuam enfrentando os desafios diários de uma metrópole que literalmente se move para baixo enquanto o mar sobe ao seu redor.

Confira o vídeo do canal Mundo Sem Fim, com mais de 200 mil visualizações mostrando a cidade de Jacarta, capital da Indonésia:

Quais outras grandes cidades do mundo enfrentam riscos semelhantes?

O fenômeno do afundamento urbano não é exclusividade de Jacarta. Diversas megacidades ao redor do mundo lidam com problemas parecidos, embora em escalas diferentes. Bangcoc, na Tailândia, afunda cerca de dois centímetros por ano. Veneza, na Itália, convive há séculos com inundações cada vez mais frequentes. Cidades costeiras como Miami e Xangai também monitoram a elevação do nível do mar com preocupação crescente.

O que todas essas cidades têm em comum é a combinação perigosa entre alta densidade populacional, infraestrutura envelhecida e vulnerabilidade climática. A urbanização acelerada do último século trouxe prosperidade e oportunidades, mas também criou riscos que estão se materializando agora. Para urbanistas e gestores públicos, o caso de Jacarta funciona como um alerta global: quando uma cidade cresce sem respeitar os limites do ambiente que a sustenta, o preço pode ser literalmente o chão sob os pés de milhões de pessoas.

Por que o caso de Jacarta importa para o futuro das cidades?

A história de Jacarta é, em muitos sentidos, a história do nosso tempo. Uma megacidade que cresce mais rápido do que sua infraestrutura consegue acompanhar, onde o desenvolvimento econômico colide com os limites físicos do território. O relatório da ONU sobre urbanização indica que, até 2050, quase 70% da população mundial viverá em áreas urbanas, o que torna os desafios enfrentados pela capital indonésia relevantes para todas as nações.

Entender como o afundamento de Jacarta chegou a esse ponto, o que está sendo feito para mitigar seus efeitos e quais lições podem ser extraídas dessa crise é fundamental para qualquer pessoa interessada no futuro das cidades. O equilíbrio entre crescimento urbano e sustentabilidade ambiental será um dos maiores desafios do século, e a maior megacidade do mundo já está nos mostrando, em tempo real, o que acontece quando esse equilíbrio é ignorado.