O país onde se falam 843 línguas, apesar de ter menos de 12 milhões de habitantes
Uma língua viva ainda é aprendida como idioma materno e usada dentro de uma comunidade.
A Papua-Nova Guiné concentra a maior diversidade linguística do planeta, com 843 línguas vivas registradas no levantamento citado. O número impressiona porque o país da Oceania tem menos de 12 milhões de habitantes, o que significa que comunidades relativamente pequenas preservaram formas próprias de comunicação, memória e identidade cultural.

Por que existem tantas línguas em um país pouco populoso?
A explicação começa pela geografia. Montanhas elevadas, florestas densas, vales, rios e centenas de ilhas dificultaram o contato constante entre diferentes comunidades. Durante muitas gerações, grupos próximos permaneceram separados e desenvolveram vocabulários, pronúncias e estruturas gramaticais distintas.
A migração entre regiões e a ausência histórica de uma única língua dominante também ajudaram a conservar essa variedade. Em alguns locais, comunidades separadas por distâncias relativamente curtas podem falar idiomas que não são compreendidos pelos moradores do povoado vizinho.
O que significa dizer que uma língua está viva?
Uma língua viva ainda é aprendida como idioma materno e usada dentro de uma comunidade. O levantamento não conta simplesmente idiomas estrangeiros estudados na escola, mas formas de comunicação transmitidas entre gerações e utilizadas na vida cotidiana.
- A língua precisa ter ao menos um falante nativo;
- O idioma deve continuar sendo usado por uma comunidade;
- Dialetos podem ser classificados de maneiras diferentes;
- O total pode variar conforme a base de dados e os critérios linguísticos;
- Uma língua deixa de ser considerada viva quando não possui mais falantes nativos.
Confira a seguir o vídeo do canal Cia Trip mostrando festival, dicas e passeios em Papua Nova-Guiné:
Como pessoas de comunidades diferentes conseguem se comunicar?
O Tok Pisin funciona como uma das principais línguas de contato da Papua-Nova Guiné. Ele é usado em conversas entre moradores de regiões diferentes, nos meios de comunicação e em parte da vida pública, enquanto o inglês aparece com frequência na educação, no comércio e nas instituições.
O Hiri Motu também mantém importância em algumas áreas, especialmente no sul do país. Muitos habitantes são multilíngues: falam a língua de sua comunidade em casa e recorrem ao Tok Pisin, ao inglês ou a outro idioma regional quando precisam conversar com pessoas de fora.

Quais fatores ameaçam esse patrimônio linguístico?
A urbanização, a migração e o avanço de idiomas usados nas escolas e nas cidades podem interromper a transmissão das línguas menores. Quando crianças deixam de aprender o idioma dos pais e avós, o número de falantes diminui rapidamente, mesmo que existam gravações ou textos preservados.
- Mudança de famílias das aldeias para centros urbanos;
- Preferência por idiomas associados ao estudo e ao trabalho;
- Pequeno número de falantes em algumas comunidades;
- Falta de materiais escolares nas línguas locais;
- Perda de vocabulários ligados à natureza e às tradições.
A diversidade linguística guarda conhecimentos de centenas de comunidades
Cada idioma da Papua-Nova Guiné registra maneiras particulares de nomear plantas, animais, relações familiares, territórios e práticas culturais. Quando uma dessas línguas desaparece, não se perde apenas um conjunto de palavras, mas parte do conhecimento acumulado por uma comunidade ao longo de gerações.
Embora levantamentos recentes apresentem pequenas diferenças na contagem, todos colocam o país no topo da diversidade mundial, com cerca de 840 línguas vivas e mais de 10% dos idiomas ainda falados no planeta. Preservar esse patrimônio depende de manter o uso dentro das famílias, produzir materiais escritos e permitir que as novas gerações aprendam tanto os idiomas de comunicação nacional quanto a língua de sua própria comunidade.