Passeio pela Rua Direita revela passado e presente de Tiradentes (MG)

Caminhada pelas pedras pé de moleque e pelo casario colonial mostra um pouco do que a cidade mineira oferece

Por: Como Viaja

Voltei a Tiradentes agora no meio de 2019, depois de 12 anos, e vi como a cidade mudou. Para melhor. Não perdeu o que tinha de essencial, seu casario colonial preservado e o calçamento com pedras pé de moleque, e acrescentou a isso novas possibilidades gastronômicas, além de ateliês de artistas gráficos e ceramistas. Para você ir até lá conferir também, veja nosso Guia Tiradentes: dicas de viagem à cidade histórica de Minas Gerais, completo e grátis.

Um passeio pela Rua Direita, em Tiradentes, dá uma boa ideia do charme da cidade mineira e da mistura de programas que ela atualmente oferece. Seja qual for seu tempo de permanência, você inevitavelmente vai passar por essa rua. É a mais tradicional do centro histórico e já serviu de cenário para novelas como Sinhá Moça e Espelho da Vida. Na viagem que fiz agora em 2019, fiquei hospedada na Pousada do Largo, bem em frente à praça central, o Largo das Forras. Uma caminhada de 5 minutos me levava para todo canto. Para chegar à Rua Direita bastava subir uma ladeirinha, a Rua Resende Costa, curtinha, mas com algumas boas opções de compras.

Na Rua Direita, só o conjunto arquitetônico já rende muitas fotos de viagem e descobertas interessantes a cada metro percorrido. De lindas janelas com treliça –filtravam a luz solar e ainda permitiam aos moradores da casa observar o que acontecia na rua sem serem vistos–, a restaurantes (de comida mineira ou não) e lojas com produtos típicos (queijo, doce de leite e afins) e outros modernosos.

Nathalia Molina @ComoViaja
Janelas e portas coloridas de Tiradentes rendem boas fotos

Brinque com as placas, as janelas e as portas coloridas nas molduras das fotos. Também registre o calçamento no estilo pé de moleque de dia e à noite. Seu brilho fica lindo nas imagens.

Do início da Rua Direita caminhando até o fim dela, vê só quanta coisa legal você encontra — alguns desses empreendedores integram o Tiradentes Mais, coletivo com 52 artistas e empresários que divulga o destino mineiro:

Gourmeco: cardápio italiano com ingredientes regionais

No casarão de esquina com a Rua do Chafariz — ligação da Igreja Matriz de Santo Antônio com o Chafariz de São José, dois cartões-postais de Tiradentes —, o restaurante oferece pratos e vinhos italianos. Umberto e Juliana cuidam da comida, da trilha sonora e da decoração do Gourmeco, escolhendo produtos regionais para incorporar às receitas.

Taberna dos Inconfidentes: opções de menu do dia

O salão rústico da frente tem a imagem de Tiradentes acima de um dos cantos. Nos fundos, há um pequeno quintal. No almoço, oferece menu do dia, com bom custo-benefício. Com entrada, prato principal e sobremesa, a Taberna dos Inconfidentes prepara opções como o lombo com ora-pro-nobis, angu e farofa.

Daniela Karam: arte gráfica em objetos para casa e papelaria

Há 3 anos morando em Tiradentes, a designer gráfica de Belo Horizonte se inspira em viagens no Brasil e no exterior para criar estampas e, depois, desenvolve com elas coleções de objetos para a casa (almofadas), de uso pessoal (necessaires) ou com artigos de papelaria (cadernos). Ela também faz a curadoria do trabalho de outros artistas, caso dos extravagantes colares coloridos encontrados na loja que leva seu nome, Daniela Karam.

Antiquário Casarão: para ver e comprar móveis e arte

É uma ideia para quem gosta de garimpar móveis, peças de arte e objetos de decoração. Trabalha com exemplares do século 17 ao 20. Este é um dos endereços do Antiquário Casarão; o outro fica no caminho para Bichinho, distrito do vizinho município de Prados.

Tragaluz: cozinha de autor conectada a Minas Gerais

O casarão do Tragaluz é lindo por fora e por dentro. A ambientação é perfeita para um restaurante que mantém sua gastronomia conectada às raízes mineiras, com receitas relacionadas a Tiradentes e ao Campo das Vertentes (denominação da região mineira onde a cidade se encontra). Com passagens pelos restaurantes D.O.M. em São Paulo, de Alex Atala, e Olympe no Rio de Janeiro, de Claude Troisgros, o chef Fred Trindade cria em cima de clássicos como a galinha d’Angola. A harmonização pode ser feita com rótulos mineiros como os das vinícolas Luiz Porto e Casa Geraldo. A sobremesa mais famosa do Tragaluz é a goiabada frita, sobre queijo cremoso e com sorvete de goiaba. Simplesmente peça. O motivo: a goiabada cascão prensada com castanha de caju e frita na manteiga é sensacional.

Nathalia Molina @ComoViaja
Goiabada frita do restaurante Tragaluz: sensacional

Raiz Mineira Moda e Cerâmica: estampadas roupas e colares

Pode ser que você entre na loja e Lourdes esteja tecendo as echarpes que vende ali. A paulista, que se mudou para Tiradentes há 6 anos, representa as marcas de roupa Reserva Natural e Amanhecer Minas, com muitas estampas. A cerâmica na loja está nos pingentes dos colares da Raiz Mineira, em formas moldadas e esmaltadas com 2 queimas.

Nathalia Molina @ComoViaja
Compras em Tiradentes: roupas e colares na loja Raiz Mineira

Museu de Sant’Ana: imagens sacras e regionalismo

A construção, antiga cadeia da cidade, foi adaptada para receber o acervo com quase 300 imagens de Santa Ana com a filha, Maria. A maior parte das peças é dos séculos 18 e 19, mas há algumas dos séculos 17 e 20. Com explicação clara, o acervo mostra como a santa é retratada em diferentes regiões brasileiras. Também é possível ver a cela antes usada como solitária, através do chão de vidro, abaixo de uma das salas. O casarão do Museu de Sant’Ana fica na esquina com a Rua da Cadeia (por onde tem sua entrada).

Nathalia Molina @ComoViaja
Rua Direita na cidade histórica de Tiradentes

Nossa Senhora do Rosário: a igreja dos negros

Não deixe de parar no largo em frente à igreja. Olhe para os dois lados, para apreciar a beleza da mais tradicional rua de Tiradentes. Naquele ponto, as charretes de passeio fazem a curva, após subir a Rua da Cadeia. Erguida no início do século 18 por escravos, a igreja era frequentada apenas por eles, como explicou Vicente, guia da Estrada Real, agência de turismo que faz passeios a pé pela cidade, contando detalhes históricos e curiosidades. Segundo ele, o único branco a entrar na igreja era o padre, para rezar a missa.

Nathalia Molina @ComoViaja
Igreja Nossa Senhora do Rosário, no centro histórico de Tiradentes

Passo da Paixão de Cristo: aberto nas procissões da Semana Santa

Bem ao lado do largo da igreja, diante do Museu de Sant’Ana, está a construção em forma de capelinha, com portas cor de abóbora e contornos em um tom de marrom meio ferrugem. Você vê várias dessas em Tiradentes. Representam os Passos da Paixão de Cristo e são abertas nas procissões da Semana Santa.

Uai Thai: restaurante tailandês com toque mineiro

O chef Ricardo Martins comanda a inusitada mistura de culinária tailandesa com toque mineiro. Parte da picância é suavizada, e ingredientes regionais são incorporados às receitas. Os janelões dos fundos do Uai Thai emolduram a Serra de São José. Prove o rolinho primavera de pato na entrada e o sorvete de tamarindo com banana caramelada ao curry (Makham) na sobremesa. Coquetéis a cargo do mixologista Pedro Resende, como o Chiang Mai (gin, suco de limão siciliano e xarope de jasmin, melissa e flor de hibisco), dão mais colorido à refeição.

Design By Somers: objetos modernos com estanho

Junta a tradição de peças de estanho, da vizinha cidade de São João del Rei, a um desenho moderno e funcional. As partes de metal da Design by Somers são trabalhadas do mesmo modo como eram fabricadas por artesãos nos séculos 17 e 18. Materiais como madeira, pedra sabão e vidro são adicionados para criar produtos como tábuas, travessas, castiçais, talheres e jarras.

Casagrande Cerâmica Artesanal: peças coloridas

Os objetos queimados em cores sólidas passam por todos os tamanhos de colheres, potes, pratos e travessas. Na loja da paulista Heide, moradora de Tiradentes há dois anos e meio, a boleira recebe uma característica regional, com a base em estanho. Além de vermelho, azul, amarelo e verde-água, a Casagrande Cerâmica Artesanal também produz muitos objetos em tons de areia.

Nathalia Molina @ComoViaja
Cerâmica em Tiradentes, na Casagrande Artesanal

Pacco & Bacco: iluminação para destacar rótulos e pratos contemporâneos

O que era para ser um wine bar terminou como restaurante aberto em 2013, com uma carta de vinho de cerca de 150 rótulos. Lionara e Francisco, sommeliers, encomendaram o projeto de iluminação a Maneco Quinderé. O chef Rafael Pires passou 5 anos fora, passando pela canadense Toronto (Canadá) e pela francesa Lyon (Institut Paul Bocuse), antes de voltar para sua Minas Gerais e criar o cardápio do Pacco & Bacco. Usa detalhes da cozinha local em receitas contemporâneas como o confit de pato perolizado, com ravioli recheado de batata doce com mussarela de búfala e quiabo assado.

Sesi Centro Cultural Yves Alves: apresentações e passaporte da Estrada Real

Aberto em 1998, o Sesi Centro Cultural Yves Alves tem em sua programação shows, espetáculos de teatro infantil e sessões de cinema. A agenda de exposições cobre temas diversos, entre eles, poesia, gravura, fotografia, pintura e artesanato. Desde 2009, é administrado pelo Sistema Fiemg/Sesi e pelo Instituto Estrada Real. Lá é, portanto, o lugar para retirar o Passaporte Estrada Real, que recebe os carimbos dos pontos visitados nas 4 rotas — Tiradentes faz parte do Caminho Velho.

Mia Confeitaria: pão artesanal, tortas ou refeições com vinho

O convite está na porta: “Não deixe para amanhã o que você pode comer hoje”. A Mia Confeitaria é um lugar bom para um café à tarde, com pães artesanais e tortas (entre elas, holandesa e cheesecake). Ou, por que não?, para uma taça de vinho. Nas refeições, o cardápio pequeno inclui bombom de alcatra com gnocchi ao molho de queijo. Aconchegante, o espaço dispõe de um jardim no fundo da propriedade.

Nathalia Molina @ComoViaja
Convite na porta da Mia Confeitaria

LuTh Bistrô: menu com harmonização de cerveja mineira

Luiz César e Elizabeth são sócios no LuTh Bistrô e idealizadores do Trembier, festival de cerveja artesanal, e do Festival Quatro Estações, eventos do calendário anual de Tiradentes. O chef prepara um menu com harmonização de 3 tipos de cerveja e também serve pratos à la carte. O restaurante fica no espaço da Rampa das Flores, uma vilinha com outros pontos comerciais. A cerveja Trembier existe em 9 tipos da bebida, com um rótulo lindo, desenhado pelo artista local Thi Rohrmann. Além de provar, dá para levar para casa um par de garrafas numa bonita embalagem. O case com a cerveja de Tiradentes também é encontrado em outras lojas da cidade.

Nathalia Molina @ComoViaja
Cerveja artesanal Trembier de Tiradentes

Entrepôt du Vin: vinho e bate-papo para fechar a noite

Se pintar aquela vontade de tomar uma taça de vinho antes de ir para cama, esse é o lugar a que se dirigir. O movimento da Rua Direita vai caindo após o horário do jantar nos restaurantes, mas essas portinhas estreitas sempre estão lá com gente animada batendo papo na calçada. As bebidas alcoólicas no Entrepôt du Vin não se resumem aos exemplares de espumantes, brancos e tintos. Também oferece variedade em destilados.

Ouro Canastra Q’jaria: queijo e produtos mineiros de primeira

A estreita loja é bonita e deliciosa, lugar para degustar e comprar queijo artesanal das várias regiões mineiras (Carrancas, Serro e Alagoa, entre eles), além da especialidade que a casa leva no nome, o queijo da Canastra. É possível agendar degustações harmonizadas com vinho, por exemplo. A Ouro Canastra Q’jaria também vende ótimos tipos de mel (experimente o de cipó-uva) e de doces (destaque para goiabada e mangada e para as variedades do doce de leite), além de bonitas ‘gaiolinhas’ de madeira para você curar o queijo em casa.

Nathalia Molina @ComoViaja
Queijo de várias regiões de Minas Gerais

Teatro Casa de Boneco: marionetes para adultos e crianças

São espetáculos de marionetes capitaneados pela família Rohrmann. Há quase 30 anos em Tiradentes, o teatro emociona adultos e crianças com as histórias vividas pelos bonecos da Companhia de Inventos. No domingo de Carnaval, o desfile do Bloquinho, o menor bloco do mundo, alegrou a meninada.

Por Nathalia Molina

Por: Como Viaja

Nathalia Molina e Fernando Victorino escrevem o Como Viaja, com dicas de viagem e destinos. Jornalistas, os dois adoram conhecer culturas, hotéis e gastronomia. Na montanha, na praia ou na cidade. Sozinhos, a dois ou com o filho, Joaquim. Veja mais em comoviaja.com.br e @ComoViaja nas redes sociais

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