Road trip pela América do Sul: pausa para degustar bons vinhos

Por: suasproximasviagens Comunicar erro

Nossa viagem de carro pela América do Sul nos reservou uma diversidade incrível de paisagens. Depois de passarmos por Foz, Salar de Uyuni, Atacama e Santiago, fizemos uma merecida pausa para degustar bons vinhos.

Chegamos às principais regiões vinícolas da América do Sul para tintos: Mendoza, na Argentina, e Valle de Colchagua, no Chile, em um momento do ano muito especial: a vendímia. É a época da colheita, quando as parreiras estão carregadas de suculentos cachos e podemos experimentar direto do pé as uvas utilizadas em vinhos como Malbec, Carménère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir  e vários outros.

Parreiras da Clos de los Siete, em Mendoza
Crédito: Adriano G BolzaniParreiras da Clos de los Siete, em Mendoza

Nesta etapa da nossa road trip pegamos muitas estradas sem pavimentação, em especial nos acessos às vinícolas. A maioria estava em bom estado e não demandariam um 4×4, ainda assim achamos excelente contar com o conforto e a segurança do Pajero, da Mitsubishi Motors.

Apesar de ambos os países falarem espanhol, vários anfitriões afirmaram que o portunhol está se tornando a língua oficial do turismo, uma vez que a maioria dos visitantes é brasileira. De fato, muitos dos profissionais com quem interagimos esforçaram-se para falar ao menos algumas palavras em nosso idioma. Mas em um ponto eles divergem: enquanto para os chilenos conhecemos viñas, para os argentinos visitamos bodegas. E não tente entender a diferença.

Estas regiões merecem ser visitadas por alguns dias, sem pressa alguma. Bem ao estilo slow travel proposto pela Vino Eventos, nova denominação da Eventos no Colchagua. Com muito carinho e profissionalismo, montaram nosso roteiro e nos assessoraram nas reservas e contatos. Ficamos absolutamente encantados com tudo o que vimos, experimentamos e vivenciamos nas regiões.

Valle de Colchagua

Imagine uma região super acolhedora, arborizada e florida, com construções bonitas e produtora de excelentes vinhos. Parece o paraíso na Terra, não é? Assim é a bucólica região do Valle de Colchagua, a apenas 160km da capital chilena.

Casa Silva

Nossa primeira parada foi a Casa Silva, e desta vez o melhor não ficou para o final. Esta premiada vinícola familiar é produtora de alguns dos melhores Carménères que já tivemos o privilégio de experimentar. Com um complexo maravilhoso, possui um hotel boutique montado na antiga casa da família, onde os hóspedes são recebidos como convidados.

O restaurante acompanha o alto nível de serviços e oferece um menu delicioso, harmonizado com os melhores vinhos da casa e com vista para o campo de polo, onde ocorrem algumas partidas do campeonato do esporte. Tivemos a honra de conhecer também um pouco desta outra paixão da família: os cavalos. A estrutura mantida para seus cavalos de competição é impressionante. Uma combinação sensacional para amantes de vinho que também se encantam com estes maravilhosos animais.

Crédito: Adriano G BolzaniBarris de envelhecimento – Casa Silva

Clos Apalta

A renomada Clos Apalta foi uma de nossas melhores surpresas. Apesar de conhecermos o premiado vinho Clos Apalta 2014, não imaginávamos a ótima estrutura que mantém, com visitas guiadas repletas de informações interessantes sobre seus vinhos orgânicos, produzidos através de viticultura biodinâmica e construção gravitacional.

Há também um hotel bem exclusivo, com apenas quatro casitas e um dos melhores restaurantes que já conhecemos, onde tivemos uma incrível experiência enogastronômica. É difícil conseguir reserva, mas se pretende visitar a região, recomendamos muito que planeje com antecedência e se dê este presente. Você vai nos agradecer pela dica, com certeza!

Crédito: Adriano G BolzaniImagem da sala de Degustação Clos Apalta

Neyen

Também já apreciávamos os reconhecidos vinhos da Neyen, mas ficamos mais encantados ao conhecer sua história. Vinícola mais antiga da região, suas instalações originais datam do final do século 19 e boa parte foi restaurada recentemente. A visita foi diferente das demais, pois ao invés de focarem no processo de produção, tivemos uma verdadeira aula sobre as diferenças entre os  tipos de uva utilizados em seus vinhos.

Algumas parreiras cujas mudas foram trazidas da França há mais de um século ainda são usadas na produção de seus vinhos. Para finalizar esta tarde especial, tivemos uma surpreendente degustação harmonizada com chocolate meio amargo, realçando a qualidade dos vinhos.

Sala de degustação Neyen
Crédito: Adriano G BolzaniSala de degustação Neyen

Viu Manent

Finalizamos nossas visitas na região com uma visita obrigatória para os amantes de bons vinhos: Viu Manent. Além de ser uma das mais bonitas, oferece nas visitas guiadas uma verdadeira aula de História e processo produtivo. Está entre as mais conhecidas e admiradas entre nós, brasileiros, e com razão. Difícil mencionar qual parte mais nos encantou, entre vinhedos, degustações e um almoço espetacular.  Além dos ótimos vinhos, possui um dos melhores restaurantes da região, o Rayuela, e prima pela excelência em todos os pontos de interação com os visitantes. Fechamento com chave de ouro!

Entrada da Viña Viu Manent
Crédito: Adriano G BolzaniEntrada da Viña Viu Manent

Colchagua na Vendímia

Como dica para quem quiser visitar o Colchagua durante a vendímia, planejem tudo com antecedência. Recomendamos muito que aproveitem as parreiras carregadas de cachos e provem as frutas no pé, pois além do visual lindo, é uma experiência deliciosa. Contudo, a necessidade de ajuste em nossas datas pouco antes da viagem quase nos deixou sem hotel. Neste ponto, contar com uma boa assessoria de viagem fez toda a diferença! Se por um lado representou um trabalho adicional de check-in/check-out, por outro voltamos com ótimas dicas.

Hotel Parronales no Valle de Colchagua
Crédito: Adriano G BolzaniHotel Parronales

Conhecemos três excelentes opções, para onde voltaríamos felizes e recomendamos muito. O charmoso e romântico Parronales possui suítes confortáveis e um ótimo atendimento. Um ofurô estrategicamente posicionado ao lado das parreiras da casa proporciona uma experiência incrível e permite contemplar o belo céu chileno e suas estrelas.

Posada Colchagua
Crédito: Adriano G BolzaniPosada Colchagua

Na Posada Colchagua fomos recebidos pela proprietária com chá e flores do seu jardim, com tanto carinho que nos sentimos da família. Este mesmo carinho é demonstrado em cada detalhe das confortáveis acomodações.

Já o Casa de Campo é bem maior, surpreendendo pela estrutura, excelência dos serviços e café da manhã delicioso. As suítes, além de amplas e confortáveis, possuem uma vista de tirar o fôlego!

Crédito: Adriano G BolzaniHotel Casa de Campo, no Valle de Colchagua

O Valle de Colchagua nos surpreendeu e conquistou. Desde já, estamos com saudades dos sabores, aromas e sorrisos recebidos durante nossa agradável visita e sonhando voltar com mais tempo para desfrutar de tudo o que a região oferece.

Mendoza

Apesar de ficar na Argentina, é bem mais perto de Santiago que de Buenos Aires. Por este motivo, a maioria dos turistas brasileiros opta por fazer escala na capital chilena, o que achamos perfeito. Se tiver disponibilidade de tempo, sugerimos fazer o trajeto de carro, pelo Paso de Los Libertadores. São apenas 350km e a viagem leva aproximadamente 5h, dependendo do movimento na fronteira entre os países e das paradas para fotografar a paisagem deslumbrante. A estrada passa ainda ao lado do Aconcagua, maior montanha das Américas, com mais de 6.900m de altura.

Crédito: Adriano G BolzaniPaso los Libertadores, entre Santiago e Mendoza

A estrutura turística de Mendoza é muito boa, havendo opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos. Para quem estiver com o orçamento folgado, encontrará vários resorts e pousadas de luxo dentro das bodegas. Mas no centro da cidade há também hotéis de redes mais simples como Ibis, da Accor, assim como hostels.

Apesar da beleza natural e da gastronomia, a maior atração de Mendoza são realmente as vinícolas. E como há bons vinhos a degustar! Visitamos duas das três regiões produtoras: Valle de Uco e Luján de Cuyo.

Valle de Uco

Clos de los Siete

A Clos de los Siete fica em Valle de Uco,  a pouco mais de 1h do centro de Mendoza, região onde recomendamos passar ao menos um dia. Entre as várias opções, escolhemos este complexo por oferecer visitas guiadas às quatro vinícolas que compõe o grupo de investidores. Difícil dizer o que mais nos encantou, entre conhecer as belas instalações, degustar os deliciosos vinhos ou ouvir a história de empreendedorismo e amizade de seus proprietários franceses. Diferentes em estilo, mas complementares e comprometidas com a qualidade de seus vinhos, as bodegas Rolland, Diamandes, Monteviejo e Cuvelier los Andes são simplesmente sensacionais.

Bodegas que integram o Clos de los Siete - Rolland, Diamandes, Monteviejo e Cuvelier los Andes
Crédito: Adriano G BolzaniBodegas que integram o Clos de los Siete – DiamAndes, Monteviejo, Cuvelier los Andes e Rolland

Luján de Cuyo

Catena Zapata

Em Luján de Cuyo encontram-se algumas das mais famosas vinícolas do país. Entre elas, a principal responsável pelo desenvolvimento da região: Catena Zapata. Uma experiência memorável, desde a fantástica construção, inspirada nas pirâmides Mayas, à degustação de alguns dos melhores vinhos que já provamos, como Malbec Argentino e Adrianna. Se já éramos admiradores de seus vinhos antes de conhecer a bodega, saímos de lá absolutamente encantados.

Bodega Catena Zapata
Crédito: Adriano G BolzaniBodega Catena Zapata

Norton

Norton, outra entre as grandes vinícolas argentinas, também fica na região. Uma perfeita combinação de tradição e inovação, possui uma estrutura impressionante. Oferece uma ampla gama de experiências, além de possuir um dos restaurantes mais concorridos da cidade: o La Vid. Atualmente, pertence a um dos herdeiros da Swarovski, que se apaixonou não apenas pelos vinhos como por sua bela propriedade.

Bodega Norton
Crédito: Adriano G BolzaniBodega Norton

Pulenta Estate

Menor e mais jovem entre as bodegas que visitamos na Argentina, a Pulenta Estate tem estrutura de gente grande. Pertence a dois irmãos, vindos de uma família cuja ligação com o vinho é bem antiga, proprietários de vinícolas tradicionais da região antes de fundar a Pulenta. Também já éramos fãs de seus bons vinhos e foi muito interessante conhecer um pouco sobre sua história e processo produtivo. Os irmãos também nutrem outra paixão comum: carros esportivos. São os representantes da Porsche na Argentina.

Bodega Pulenta Estate
Crédito: Adriano G BolzaniBodega Pulenta Estate

Chandon

Saindo um pouco dos tintos, estávamos ansiosos para conhecer a Chandon argentina, que não decepciona. Ao contrário, a primeira unidade da renomada Moët & Chandon francesa fora do país de origem prima pela qualidade de seus espumantes, ótimo atendimento e belas instalações. Os jardins convidam a uma degustação ao ar livre em dias ensolarados, sendo possível contratar também um picnic bem elaborado.  O restaurante segue o ótimo nível e o almoço harmonizado vale cada centavo.

Loja no interior da Chandon, em Mendoza
Crédito: Adriano G BolzaniLoja no interior da Chandon, em Mendoza

Apesar de termos visitado várias vinícolas, temos consciência de que há muito a explorar nestas regiões. De acordo com a Vino Eventos, ainda faltaram algumas excelentes, ou seja, temos ótimos motivos para voltar em breve. Se, como nós, você gosta de bons vinhos e belas paisagens, esta será uma viagem inesquecível!

Na parte seguinte de nossa road trip pela América do Sul, fomos à região dos lagos e vulcões. Passamos por Pucón, no Chile, e exploramos bastante a região de Bariloche, na Argentina. Em breve contaremos para você como foi, com muitas dicas que o deixará com vontade conhecer a região. Para saber mais sobre esta viagem incrível, leia o post completo sobre a Expedição Cone Sul, do Suas Próximas Viagens.

Por: suasproximasviagens

Sílvia Bolzani - Autora do Blog Suas Próximas Viagens Marketeira por formação, escolheu ser blogueira de viagens após um período sabático explorando o mundo. Trouxe na bagagem boas lembranças, dicas incríveis e fotos maravilhosas.

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