Centro de Memória do Circo: um lugar para vivenciar a magia

Localizada no Centro Cultural Olido, a instituição resgata a história do circo e promove diversos espetáculos; confira a programação de agosto

Por: Agência Fática

Segunda Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo

Segunda, quarta, quinta e sexta, das 10h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 20h

Grátis

E se houvesse um lugar que te permitisse vivenciar toda a magia do circo 365 dias por ano? Pois este espaço existe, funciona desde 2009 e está no centro de São Paulo, em pleno Largo do Paissandu. É o Centro de Memória do Circo, instituição cuja missão é manter viva a história desta arte.

O local escolhido não poderia ser mais apropriado. “O largo foi uma espécie de pátio do circo, recebendo as principais lonas entre o fim do século 19 e o começo do 20. O primeiro documento atestando a presença do circo na região é de 1887, com uma temporada da trupe dos Irmãos Carlo. Mas, ao longo da década de 1920, houve uma alternância entre os grupos Queirolo e o Alcebíades, onde consagrou-se o palhaço Piolin”, explica Verônica Tamaoki, coordenadora da instituição.

Mas o que marcou essa região foi o Café dos Artistas, encontro que acontecia – talvez ainda aconteça – todas as segundas ao redor do Largo do Paissandu. Circenses do Brasil inteiro formavam uma roda e trocavam contratos e notícias.

Ocupando algumas salas do Centro Cultural Olido, o Centro de Memória do Circo mantém um museu e recebe espetáculos gratuitos dos grupos mais tradicionais do país. O local desenvolve um trabalho pioneiro ao coletar e preservar itens que formam um acervo inédito.“Os circenses têm o hábito de registrar sua história, guardando objetos, roupas e escrevendo diários. Nosso trabalho começa por aí: receber esse material e cataloga-lo”, diz Verônica.

Preservação da memória

Quem vai ao museu é automaticamente transportado para outro universo. Logo na entrada, há uma maquete de um circo feita pelo Mestre Maranhão (1923-2012). Ele foi acrobata, trapezista e funâmbulo (profissional que caminha e faz acrobacias sobre uma corda de aço), dono dos circos Europeu e Evans, além de professor da Escola Picadeiro e do Projeto Enturmando.

Desmontagem da Maquete do Mestre Maranhão

[11 de Junho de 2018] Nossa primeira ação de experimentação com o acervo do Centro de Memória do Circo foi a desmontagem da Maquete do Mestre Maranhão, para limpeza e avaliação do estado de conservação de seus componentes. Somando aprendizado e homenagem ao Mestre, a maquete foi desmontada como num circo de verdade, respeitando cada etapa e a funcionalidade de cada peça. Todo o processo foi capitaneado pelo Mestre Joinha que, entre uma etapa e outra, nos contava histórias do cotidiano circense associadas ao processo de montagem e desmontagem da lona.As incríveis maquetes do Mestre Maranhão, grande artista circense, começaram a ser elaboradas por ele nos primeiros anos deste século, impressionantes por seu valor estético, histórico e de fidelidade estrutural com os componentes da arquitetura nômade circense. O Mestre Maranhão (José Araújo de Oliveira, 1923-2012) foi acrobata, trapezista e funâmbulo, dono dos circos Europeu e Evans, além de professor da Escola Picadeiro e do Projeto Enturmando. Esteve bastante presente nos primeiros anos de existência do Centro de Memória do Circo, ministrando oficinas, contando histórias e transmitindo seu conhecimento do circo. A sala em que sua maquete, adquirida pelo Centro de Memória do Circo em seu acervo permanente, fica em exibição na parte térrea da Galeria Olido, sala que recebeu o seu nome após seu falecimento em 2012.—Parceria: Associação dos Amigos do Centro de Memória do CircoRealização: Centro de Memória do Circo, Centro Cultural Olido e Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade de São PauloTrilha Sonora: Circus Marcus

Posted by Sou de Circo on Monday, July 30, 2018

Nesse espaço, também são apresentadas todas as artes que compõem a linguagem circense. Há painéis explicativos sobre os aéreos, as acrobacias, o equilibrismo, o malabarismo, o ilusionismo, a teatralidade e tantas outras performances que podem integrar um espetáculo de circo.

O público ainda encontra uma linha do tempo sobre a história do circo no Brasil e uma série de objetos e fotos. Há, por exemplo, os sapatos do mágico Dossel, que, segundo a coordenadora, tinham sempre a sola engraxada, “porque um artista não pode mostrar a sola suja para o público”.

Entre os itens memoráveis, também estão o cinturão confeccionado em 1968 para a trapezista Joanita Pereira, considerada a mulher com a cintura mais fina do mundo; a bicicleta miniatura (22,3 X 29,5 X 9,5 cm) do palhaço Figurinha (Nelson Garcia); os trajes do palhaço Piolin (Abelarto Pinto); o terno do mágico Tihany, fundador do Circo Tihany; a casaca de Marlene Querubim, fundadora e diretora do Circo Espacial e muito mais.

As fotos auxiliam no resgate dessa memória. Estão retratadas as mais importantes famílias ligadas ao circo, bem como os seus principais artistas. “Os cantores populares, os primeiros a gravarem discos, nasceram no circo. O palhaço Carequinha, por exemplo, foi o primeiro cantor profissional do Brasil”, revela a coordenadora. Outras personalidades como o Oscarito, o Arrelia e a Carola Harcia, conhecida como a Luz del fuego belga, também ganham destaque no Centro de Memória do Circo.

O nascimento de um sonho

Tudo começou com uma paixão. Verônica Tamaoki se encantou pelo circo e decidiu graduar-se em artes circenses em 1982 pela primeira escola de circo do Brasil, a Academia Piolin de Artes Circenses, apresentando-se como equilibrista e malabarista em diversos eventos.

Em seus estudos, aproximou-se de Roger Avanzi, conhecido como palhaço Picolino II, e juntos publicaram o livro “Circo Nerino”, em 2004. “Quando a obra saiu, o Circo Garcia tinha acabado de fechar as portas e eu havia conseguido reunir na minha casa objetos e documentos de dois dos mais importantes circos do país”, lembra. Este material é o ponto de partida para a criação do Centro de Memória do Circo.

“Ao longo desses anos, juntamos 80 mil documentos, por isso, estamos encontrando a melhor forma de classificar, orientar e guardar tudo isto. Para ajudar nessa tarefa, criamos o programa Sou de Circo e recrutamos oito jovens envolvidos com artes circenses para nos ajudar”, conta.

Apesar de tanto avanço, o trabalho de resgate histórico ainda está no começo. “Sinto que montamos uma coisa que exige mais 50 anos de trabalho. O Sou de Circo também está tentando correr contra o tempo e ajeitar esse acervo para que outras gerações possam dar continuidade ao trabalho. É preciso aproveitar também o que existe de memória oral”, revela.

Programação de novembro

O museu fecha às terças e funciona de segunda, quarta, quinta e sexta, das 10h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 20h. Quem quiser fazer uma visita mediada à exposição “Hoje Tem Espetáculo” pode mandar um e-mail para educativocmc@hotmail.com. O programa é gratuito e tem a duração de 60 minutos.

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Tags:#Circo
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