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Origami transforma vida de paciente em hospital

Em 2005, durante o doutorado em direito na Espanha, Lina Saheki, hoje com 38 anos, teve uma miocardite viral (inflamação do miocárdio) e ficou quase dois meses internada. No começo, se sentiu “inútil”, até passar a fazer peças de origami. “É como saber fazer mágica”, diz ela.

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As dobraduras, segundo Saheki, mudaram-na de sujeito passivo para ativo. “O papel se transforma em objetos e impactam o ambiente e a relação com as pessoas. Com ele, eu tirava beleza e sorrisos de quem me visitava e me atendia. E o sorriso transformava nossa relação”, lembra.

Já fora de perigo, o origami ficou de lado, até que ela decidiu fazer uma revisão dos planos de vida. Em 2013, reconhecendo a função transformadora das dobraduras de papel, criou o Projeto Dobrando Alegrias.

A ONG treina voluntários para que eles atuem em hospitais. A primeira experiência foi na ala de hematologia de um hospital de Curitiba (PR), com crianças em tratamento contra o câncer.

Bruno Covello/Divulgação
Crédito: Brunno CovelloVoluntários do Projeto Dobrando Alegrias, em que as pessoas visitam hospitais e ensinam pacientes e familiares a fazer origami

Lina diz que consegue fazer de cabeça 30 figuras. Mas acrescenta que não é preciso saber fazer origamis dificílimos, mas simples, que os pacientes possam reproduzir.

“Os mais fáceis são mais interativos”, diz ela, citando a história de um menino com câncer. Ao visitar a ala em que ele estava, recebeu um copo com papel amassado dentro. “Ele estava feliz, dizendo que eram origamis de pipoca ou meteoro.”

O origami, diz ela, entretém e ajuda a melhorar não apenas a coordenação motora fina e a concentração. “Pedimos que quem aprende a fazer doe alguns. Isso ajuda a pessoa a demonstrar agradecimento e carinho e a fortalecer laços.”

Giuliano Gomes/Divulgação
Crédito: GIULIANO GOMES - TRIBUNA DO PARANÁMãos de paciente e voluntário criam origami de papel

Nesses dois anos de projeto, Lina coleciona histórias. Como a de um menino que não falava com ninguém. Quando uma das voluntárias chegou em seu quarto, ele perguntou quanto custava para aprender a fazer origami. Ela respondeu: “Um sorriso”. “Ele enfrentou a fase pós-cirúrgica com dor, à base de morfina, mas sorrindo.”

Hoje, o Projeto Dobrando Alegrias está em seis hospitais de Curitiba e um de Itajaí (SC). A ONG tem cerca de 60 voluntários.

Em parceria com qsocial

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