Aluna do 6º ano cria campanha por merenda de qualidade em escolas

Estudante de escola estadual em Hortolândia lança abaixo-assinado na internet pedindo que o governador João Doria melhore a alimentação oferecida

Crédito: Arquivo pessoalBolinho, achocolatado e bolacha no lugar do almoço

Foi depois de receber um bolinho e achocolatado quente como refeição que a aluna Ashley Giovanna Franco, do 6º ano da Escola Estadual Professora Maria Antonietta Garnero La Fortezza, em Hortolândia, interior de São Paulo, decidiu recorrer à internet para criar uma campanha pedindo ao governador João Doria que melhore a qualidade da merenda escolar. Sensibilizados pela causa da menina, 67 mil pessoas já apoiaram o abaixo-assinado que a estudante abriu na plataforma Change.org.

A consciência da garota, de apenas 11 anos de idade, impressiona. No texto da petição, ela destaca a importância de uma merenda reforçada e saudável, já que “a alimentação na escola é a melhor refeição do dia de muitas crianças”. Ashley ressalta, ainda, que os pais dos alunos que frequentam escolas públicas já enfrentam grandes dificuldades para pagar impostos, aluguel e outras despesas, não conseguindo manter uma alimentação balanceada em casa.

Problemas com a merenda, entretanto, principalmente a falta de mantimentos, já foram denunciados em instituições estaduais da Grande São Paulo e também da capital ao longo deste ano. Segundo conta a estudante, os transtornos começaram logo que os alunos voltaram das férias para o segundo semestre e duraram de forma mais intensa até o mês passado.

Durante o período mais grave, as refeições foram substituídas por um bolinho de cenoura, achocolatado não refrigerado e bolacha água e sal ou de maisena. “A maioria dos alunos sempre comeu o lanche dado e passava mal, inclusive eu, que sempre comia e muitas vezes ficava com dor de barriga e vomitava porque o achocolatado estava quente”, conta a aluna. Segundo a mãe de Ashley, a servente Maria Aparecida de Lourdes Assis Franco, a menina vem reclamando da qualidade da merenda, dizendo que já foi melhor.

Antes dos problemas começarem, o cardápio da escola contava com arroz, feijão, salada, carne moída, macarrão, frutas, suco, carne de panela, batata, cenoura, além de café da manhã. Por um período, a refeição foi trocada apenas pelo bolinho, achocolatado e bolacha. “E no Dia das Crianças, eles substituíram as bolachas por umas bolachas de chocolate e deram um pacotinho pequeno com goiabada”, comenta a jovem aluna e líder da campanha.

Recentemente a situação foi parcialmente restabelecida, porém, a aluna ainda se queixa da falta de qualidade dos alimentos, que, segundo ela, estão sendo oferecidos com mais sal e às vezes a carne moída vem com sardinha. “E não tem café da manhã, uma alimentação fundamental”, protesta a estudante da escola, localizada no bairro Jardim Novo Angulo.

Por uma merenda que mate a fome

Crédito: Google MapsA escola onde Ashley estuda fica em Hortolândia, no interior de São Paulo

Mesmo com sua mãe tendo condições de mandar um lanche complementar para o dia a dia na escola, Ashley criou a campanha também em solidariedade aos seus colegas. No texto do abaixo-assinado faz um apelo lembrando dos estudantes que carecem da alimentação fornecida na merenda escolar: “Queremos refeições completas e que realmente matem a fome daqueles que não têm o que comer e dependem da refeição escolar!”, clama a menina.

Ashley comenta, ainda, que em sua própria sala de aula há casos de colegas que passam pela situação. “A comida da escola é uma das principais refeições dos alunos e deve ser saudável para contribuir com nossa saúde”, defende a garota.

Os episódios de falta ou de má qualidade da merenda são vistos com indignação pela mãe da aluna. “Eu acho péssimo, pois o governo nos cobra impostos e, além de meus filhos irem à escola para estudar, eles merecem uma refeição saudável e adequada para sua saúde.”

Assim como a mãe de Ashley, muitas pessoas que se juntaram à mobilização da menina e assinaram a petição online deixaram comentários indignados e que apontam o descaso do governo com a questão. A apoiadora Clarisse Salgueiro, por exemplo, assinou a campanha e postou o seguinte desabafo: “O dinheiro dos impostos é para o povo. Se está faltando dinheiro, comecem cortando os privilégios e altos salários dos políticos e judiciário”.

O abaixo-assinado criado pela jovem segue aberto na plataforma Change.org e deixa um pedido especial da menina: “Assine e nos ajude a receber comida de verdade!”.

Em parceria com Change.org (Oficial)

O maior portal de petições online do Brasil. São 329 milhões de pessoas fazendo a diferença em 196 países e 26 milhões só no Brasil.

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