Após massacre, neozelandeses devolvem suas armas voluntariamente

Diferentemente do Brasil, a Nova Zelândia mostra ter consciência de que a melhor alternativa para a segurança é um controle ainda mais rígido das armas

Por: Maurício Costa | Comunicar erro
Tags: #violencia
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Crédito: reproduçãoApós massacre que vitimou 50 pessoas, neozelandeses começam a entregar suas armas à polícia

Seria meu sonho viver num país em que as pessoas entendem o que significa empatia, bem-estar social e consciência política?

Na Nova Zelândia, nação com o 16º IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais alto do mundo, parte dos cidadãos neozelandeses decidiram devolver suas armas de forma voluntária após o massacre que matou 50 pessoas nas mesquitas em Christchurch.

Desde esta segunda-feira, 18, a polícia pede para que a população entre em contato com a delegacia mais próxima e se informe sobre como transportar suas armas com segurança.

A estimativa é de que existam 1,1 milhão de armas de fogo no país, uma proporção de uma arma para cada quatro habitantes, incluindo armamentos para caça.

O crime incendiou o debate sobre porte de armas na Nova Zelândia, o que levou a primeira-ministra Jacinda Ardern a conceber uma reforma na lei de armamento do país, que deve ficar pronta nos próximos dias.

Ardern afirmou que os ataques “evidenciaram uma série de debilidades na lei de armas” do seu país e que todo o governo coincide na necessidade de realizar mudanças.

Nova Zelândia x Brasil

Quando aconteceu o massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), em que 10 pessoas foram mortas (contando com os assassinos), alguns argumentos que surgiram na web foram: “se os professores estivessem armados os danos teriam sido menores”.

Quando comparamos com a realidade da Nova Zelândia, vemos que o Brasil ainda tem muito arroz e feijão para comer.

A alternativa mais óbvia para diminuirmos o número de assassinatos no país é termos menos armas disponíveis nas mãos das pessoas. Arma de fogo não tem outro objetivo senão matar.

Se um dos professores estivesse armado no momento do massacre de Suzano, ninguém aqui pode afirmar o que aconteceria. Não posso ser leviano em dizer que haveria mais mortes, mas também não posso ser irresponsável em afirmar que menos danos seriam causados.

Por isso, a preocupação deve estar centrada nos causadores do massacre.

Como e por quê Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, conseguiram as armas e tiveram o impulso de cometer tal crime bárbaro? Como e por quê o autor do massacre na Nova Zelândia matou 50 pessoas?

A partir dessas respostas, as medidas a serem tomadas ficarão muito mais claras. Mas colocar em risco ainda mais pessoas ao distribuir armas de fogo para a população não me parece a saída mais razoável. Isso seria ignorar a real causa desses dois crimes de ódio.

Os neozelandeses já entenderam isso.

Quantos assassinatos precisarão acontecer no Brasil para que nós consigamos entender? Ou estamos realmente dispostos a correr o risco de vitimar ainda mais pessoas?

Este é um sangue que eu não gostaria de ter em minhas mãos.

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Autor: Maurício Costa

Coordenador de Tempo Real. Libriano com traços piscianos. Amante da praia e do concreto. Rolês no centro de São Paulo são os meus preferidos.

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