Como será o transporte urbano em 2030

Nas megacidades do futuro, vamos encontrar novas maneiras de fazer todos se moverem por aí – de rodovias subterrâneas a estradas em que pedestres e carros compartilham o mesmo espaço – Por Sidney Brownstone, do Fast Co.Exist

Por: Redação | Comunicar erro

A ONU acredita que cerca de 60% da população mundial vai viver nas cidades até 2030. São 5,1 bilhões de pessoas. E espera-se que até lá elas pensem em um jeito melhor de se locomover pelo espaço urbano.

O transporte do futuro não será baseado em carros voadores, mas sim em redes integradas de deslocamento urbano compartilhado e acessível.

A exposição “Direitos de Passagem: Mobilidade e Cidade”, em exibição na Sociedade de Arquitetos de Boston, traz alguns novos modelos de transporte que podem nos mostrar tendências para esse futuro. Enquanto algumas ideias focam novos veículos com rodas, outras planejam renovar a infraestrutura das cidades por completo.

O intuito principal é incorporar as redes de mobilidade existentes em planos maiores, como forma enfrentar a desigualdade social – ou, como definem os curadores da exposição, disseminar “o acesso à mobilidade”. Confira alguns dos conceitos mais bem-sucedidos abaixo.

“Próteses”

Nem todas as necessidades de transporte no futuro serão resolvidas por um novo trem high-tech ou por um exército de skates motorizados. Algumas das nossas tecnologias existentes j´s funcionam muito bem. Considere a bicicleta, uma das máquinas mais eficientes do planeta.

reprodução
O LightLane cria uma solução prática com tecnologia simples, uma ciclofaixa instantânea.

Assim, no duelo entre ciclistas, pedestres e carros pelo espaço, soluções mais práticas e informais podem vir a calhar. São as “próteses de mobilidade” e o LightLane é uma delas.

O LightLane é apenas um conjunto de lasers e luzes LED que projetam sua própria ciclovia debaixo do ciclista. Outros projetos como ele permitem que o indivíduo conquiste um pouco de liberdade e segurança dentro da infraestrutura existente.

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Pode parecer estranho, mas algumas pesquisas sugerem que separar os meios de transporte, na verdade, faz mais mal do que bem para as pessoas que os utilizam. Na Europa, os “espaços comuns” acabaram com as marcações e luzes de trânsito para permitir que pedestres e motoristas negociem suas rotas por conta própria.

divulgação howeler yoon
O “Tripanel” pensa no espaço compartilhado, que pode ajudar a fortalecer a consciência coletiva da população.

Similar à ideia de que o compartilhamento de espaços pode criar mais consciência para quem os usa, a empresa de arquitetura Höweler + Yoon projetou o “Tripanel” para o corredor Boston-Washington.” O Tripanel apresenta uma superfície composta por pedaços de grama, asfalto, e células fotovoltaicas – considerando que veículos do futuro possam ser carregados enquanto se movem.

Ainda nesse modelo de compartilhamento de espaço, o escritório também sugeriu o “Sharestays”, um  sistema de estadia em que os apartamentos são alugados pelo tempo que o inquilino gasta em casa.

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O Delta do Rio das Pérolas, uma área de 15.200 km² no sudeste da China que engloba uma rede de cidades em rápido crescimento como Shenzhen. É uma das mais densamente povoadas do mundo. É também uma das mais poluídas.

divulgação node
Shenzhen, na China, pode ser a primeira cidade do mundo a transferir o transporte, principalmente o de cargas, para debaixo da superfície.

Com o crescimento da população de Shenzhen também vieram as estradas, os carros e seus escapamentos. No local em que a poluição asfixia a população, fecha escolas fere as normas de qualidade do ar, as autoridades chinesas ainda têm a tarefa de resolver uma crise de saúde pública crescente. É por isso que, quando o escritório NODE Architechture & Urbanism pensou em uma cidade redesenhada em 2030, seus planos de colocar o transporte abaixo do solo, liberando a cidade inteira acima para mais habitações e espaços públicos.

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“Eu diria que uma das coisas que precisamos pensar de forma diferente é assumir que não existe qualquer tipo de solução única que vai resolver os problemas de mobilidade”, explica Meredith Miller, uma das curadoras da exposição. “As melhore propostas da mostra relembram que é necessária uma abordagem mais integrada.”

Em Caracas, o Metrocable conecta os bairros mais pobres à rede de transporte público com teleféricos.

Uma dessas abordagens integradas que ela destaca é o sistema de teleféricos de Caracas, Venezuela. Em vez de construir uma nova infraestrutura no centro da cidade o escritório Urban-Think Thank sugeriu ligar via cabos os bairros de baixa renda, habitados por trabalhadores imigrantes, ao transporte público da cidade. A primeira linha, que atende ao bairro San Agustin, foi inaugurada em 2010, e a cidade agora planeja expandir o serviço.

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“Muitos desses futuros urbanos tendem a implicar uma espécie de estrutura ‘de cima para baixo’, que é quando os arquitetos e urbanistas se dedicam a enquadrar a forma como as pessoas devem usar a cidade”, diz James Graham, o outro curador. “Mas uma coisa que encontramos em nossa pesquisa é que o fluxo muitas vezes se move na direção oposta, quando as pessoas da cidade tomam conta da estrutura e a usam de acordo com sua vontade.”

marcello casal jr / agência brasil
O transporte urbano deve ser pensado para ser apropriado pela população.

Como ambos os curadores apontam, novos planejamentos urbanos muitas vezes se transformam em redes totalmente não planejadas, ou geram novos modos criativos de deslocamento coletivo. Tanto Miller quanto Graham salientam que a flexibilidade e a abertura são conceitos de planejamento mais importantes do que planejar apenas um recorte da vida na cidade.

“Temos algumas visões realmente fantásticas sobre como as cidades podem ser em 2030, mas também estamos interessados ​​no que está acontecendo agora, uma espécie de futuro transgressivo para 2014”, diz Graham.

O futuro do transporte já começou.

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Via Fastcompany.

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