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Delegado gay prende mulher que cometeu homofobia contra ele

Railson Ferreira tem mais de 8 anos na polícia e disse que nunca havia sofrido homofobia de forma tão explícita durante o trabalho

Por: Redação

Um delegado gay da Polícia Civil de Feijó (AC), Railson Ferreira, prendeu uma mulher que cometeu homofobia contra ele na última quarta-feira ,29, durante uma operação que investigava pessoas envolvidas no tráfico de drogas. A detida é cunhada de um dos presos e chamou o agente de “gay safado” e ainda falou que ele “deveria virar homem”.

Delegado gay prende mulher que cometeu homofobia contra ele
Crédito: Arquivo pessoalDelegado gay prende mulher que cometeu homofobia contra ele – Railson Ferreira é o do meio 

Ela foi presa em flagrante e levada para audiência de custódia na quinta-feira, 30, e agora continua detida preventivamente. Em 2019, STF decidiu que declarações homofóbicas podem ser enquadradas no crime de racismo; pena é de 1 a 3 anos, podendo chegar a 5 em casos mais graves.

As equipes de Feijó estava de apoio junto aos policiais da Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) que cumpriam mandados judiciais contra envolvidos com uma carga de 25 quilos de maconha apreendida em janeiro deste ano na Rodoviária Internacional de Rio Branco.

Dois homens de 20 e 25 anos foram presos. O delegado disse ao g1 que a família do investigado já recebeu as equipes policiais de forma agressiva. A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão contra o cunhado da mulher.

“Fomos recebidas pela cunhada do rapaz com palavrões, a família é bem problemática. Já cumprimos outros mandados na casa, sempre nos xingando, mas a gente relevava”, contou.

Ainda na casa do suspeito, Ferreira disse que deu ordem de prisão contra a mulher do suspeito de tráfico de drogas por desacato. Revoltada, a cunhada do homem xingou os policiais e urinou no quintal da casa na frente das equipes.

“Falei que ela estava presa, mas não algemei, não gosto de algemar mulher. Elas continuaram a falar palavrões, a gente gravou tudo. Quando foi para ir embora, falei que a irmã do suspeito estava presa, pedi para trocar de roupa. Desisti de levar a cunhada dele para que ela ficasse com as crianças. A ideia era só levar a mulher dele, ouvir por desacato e liberar”, relatou.

Presa por homofobia

O delegado contou que a mulher que o ofendeu ficaria na casa para cuidar das crianças e os demais iriam para a delegacia. No entanto, ao chegar na delegacia, ela já estava lá e voltou a causar atrito, xingando e mordendo um dos agentes da polícia.

“Um dos policiais falou que ela estava xingando todo mundo, que ela queria o celular dela. Na hora que o policial perguntou o nome dela, ela xingou ele de novo, chamou palavrão. Eu sai e fui ouvir a irmã dela, elas queriam os celulares de volta, ameaçaram ir na promotoria. Liberei elas e sai para tomar banho porque estava na operação, mas a Antônia me acompanhou xingando, gravei tudo”, acrescentou.

O delegado afirmou que estava relevando todas as ofensas ditas, nenhum policial reagiu as agressões e xingamentos, porém que não poderia tolerar o crime de homofobia.

“Falei para trancarem a porta e deixar elas fora. Ela falou: ‘tu deveria virar homem, seu gay safado’. Como a injúria racial é inafiançável, assim como o racismo, não arbitrei fiança, mandei para audiência de custódia e a Justiça a deixou presa”, falou.

Railson Ferreira é delegado de Polícia Civil há um ano e sete meses, porém o tempo total na corporação já chega há mais de oito anos. Ele entrou como agente de policia, depois foi para o cargo de escrivão e logo após se tornou delegado. Ele falou que nunca sofreu homofobia durante esse tempo e lamentou a prática do crime justamente durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+.

“Sempre me impus como gay porque fui criado em uma família muito respeitosa. Sou casado há dez anos com o William, é um relacionamento muito maduro. Ele é uma pessoa incrível. Nunca tinha passado por isso, sempre me impus, sempre respeitei e me dei ao respeito. Emocionalmente não me abala, mas não poderia deixar passar por tudo aquilo que acredito. Sou muito crítico em relação ao preconceito, por mais que eu nunca tivesse passado por isso como outros passaram, sei o quanto dói”, lamentou.

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