Dimenstein: você chamaria os paulistanos de burros e ignorantes?

Sou judeu com raízes na África e na Europa, nascido em São Paulo, filho de nordestino e nortista.
Daí ser impossível eu não ser sensível ao preconceito. Qualquer preconceito.

A pergunta que fiz no título pode até chocar. Mas ela mostra exatamente como funciona o preconceito.
Ninguém ousou a chamar os paulistanos de burros, ignorantes ou dependentes do Bolsa-Família, apresentada como uma esmola.

Ninguém ousou porque, afinal, é onde vive a maior parte da elite empresarial, cultural e acadêmica do Brasil -uma elite composta por todos os brasileiros. Por isso, é cobiçada pelos empreendedores.
Mas é o que é apresentado pelo fato de uma parte do Nordeste ter votado no PT – mesmo sabendo-se que Bolsonaro teve uma boa votação na região.
É assim que funciona o preconceito: por definição é burro e ignorante. Burro porque generaliza; ignorante por que não se propõe a conhecer o outro lado, como se a vida só tivesse duas cores

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De acordo com o Ibope, no primeiro turno da eleição presidencial, Haddad perdeu de lavada de Bolsonaro: 19,7% contra 44,58%.

O Ibope divulgado nesta semana mostra uma realidade diferente: uma virada. Haddad, 51%; Bolsonaro, 49%.

Isso significa que a maior parte dos paulistanos está fazendo a melhor escola? Não necessariamente.
Significa apenas que o preconceito contra quem quer que seja – no caso os nordestinos – é uma idiotice.