Documento confirma ação ilegal de mensagens no WhatsApp

A Folha divulgou documento que atesta ação irregular para beneficiar candidatos via mensageiro

Por: Redação | Comunicar erro
jair bolsonaro e fernando haddad
Crédito: Reprodução/FotomontagemJair Bolsonaro e Fernando Haddad disputam o segundo turno das eleições

Após trazer à tona a denuncia de um esquema ilegal bancado por empresários para difamar o candidato à Presidência Fernando Haddad, o jornal Folha de S.Paulo divulgou na noite deste sábado, 20, documentos que confirmam a ação ilegal de mensagens por WhatsApp.

De acordo com a jornalista Patrícia Campos Mello, a Folha obteve troca de e-mails e a proposta de um contrato que confirmam a oferta de disparos em massa via o mensageiro, utilizando base de usuários de terceiros, em desacordo com a lei eleitoral.

Conforme o jornal, a Croc Services formalizou proposta de R$ 8,7 milhões à campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), que ficou em quarto lugar no primeiro turno. O esquema era feito usando nomes e números de celulares obtidos pela própria agência, e não pelo candidato.

A Folha cita que Marcelo Vitorino, coordenador da área digital da campanha de Alckmin afirmou que a campanha não comprou a opção de serviço usando base de terceiros, mas apenas a lista de telefones de militantes e membros do PSDB e de apoiadores que forneceram dados nas redes do candidato – o que não é ilegal.

Sócio-diretor da Croc, Pedro Freitas disse não ter ciência que a prática era ilegal e afirmou que só prestou serviços para a campanha de Romeu Zema (Novo) que disputa o governo de Minas Gerais. “Se as campanhas compraram a base de alguém eu não sei, mas o fato é que me mandaram a lista de telefones”, declarou.

Na sexta-feira, 19, o jornal O Globo revelou que Marcelo Vitorino citou o nome de outra empresa, a DOT Group, que, segundo ele, ofereceu a entrega de disparo de mensagens via WhatsApp para até 80 milhões de pessoas usando cadastros de terceiros. A DOT Group nega a acusação.

“Pelo volume de mensagens geradas em favor do Bolsonaro, é possível que sua campanha tenha sido beneficiada, mesmo que ele não tenha conhecimento pleno”, disse o coordenador do PSDB. “Existem muitas empresas que oferecem o serviço com bases de terceiros e será muito difícil conseguir comprovar a quantidade de mensagens enviada, bem como as fontes pagadoras, dado que muitas dessas empresas são informais”, ressaltou.

A compra desse tipo de serviço para beneficiar algum candidato é considerada uma prática ilegal pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por configurar doação ilegal, algo similar à caixa 2, o que é vedado pelo Supremo Tribunal Federal desde 2015.

De acordo com a primeira reportagem da Folha sobre o assunto, empresários simpáticos à campanha de Bolsonaro, como Luciano Hang, dono da Havan, compraram pacotes de disparos ao custo de R$ 12 milhões para enviar mensagens contrárias a Fernando Haddad uma semana antes da votação do segundo turno, que acontecerá no dia 28.

Após a reportagem, o PT acionou o TSE denunciando a campanha de Bolsonaro – o requerimento foi aceito e uma investigação foi aberta. Ainda, a procuradora-geral, Raquel Dodge, pediu à Polícia Federal neste sábado para apurar o caso, a fim de investigar possíveis ilegalidades em ambas as campanhas: tanto a de Bolsonaro quanto a de Haddad.

Ainda na quinta-feira, 18 Jair Bolsonaro disse não ter “controle se tem gente fazendo isso [disparando mensagens através do WhatsApp]”. Posteriormente, ele voltou a se manifestar alegando não ter nada “a ver com isso”.

Para o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, a reportagem da Folha de S.Paulo é “fake news”. Já Hang disse que processará a Folha.

1 / 8
1
03:46
‘Pretendo beneficiar um filho meu, sim’ diz Bolsonaro sobre embaixada
Em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a nomeação de seu filho, …
2
03:15
Num ato de coragem, MBL pede desculpas publicamente
O jornalista Gilberto Dimenstein e a Catraca Livre já foram diversas vezes vítimas das milícias digitais do MBL com as …
3
03:04
O real motivo do ataque de Bolsonaro ao filme de Bruna Surfistinha
Jair Bolsonaro decidiu atacar o filme realizado por Deborah Secco sobre a ex-prostituta Bruna Surfistinha. Motivo oficial: o filme, usando …
4
02:13
Entenda os desdobramentos do caso Tabata Amaral no PDT
O PDT suspendeu a deputada federal Tabata Amaral e outros sete parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência, …
5
02:03
Incêndio em estúdio de animação em Japão deixa dezenas de mortos
Dezenas de pessoas morreram durante um incêndio criminoso que tomou conta do estúdio de animação da Kyoto Animation, na cidade …
6
02:19
Barragem abandonada corre risco de rompimento no interior de SP
Uma matéria publicada pelo G1 alerta para o risco de rompimento da barragem de água em Iaras, no interior de …
7
02:30
O que significa a gargalhada de Caetano Veloso?
Um vídeo do cantor Caetano Veloso gargalhando está viralizando nas redes sociais. O motivo da piada é a entrevista que …
8
01:51
Site ‘Não me Perturbe’ permite bloquear ligações de telemarketing
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lançou o Não me Perturbe, site que permite bloquear ligações de telemarketing. O sistema …