Efeito Bolsonaro: Pai espanca filho que brincava com batom em MG

"Minha família não tem viado", disse o agressor. Em vídeo, o atual presidente já afirmou que para mudar o comportamento de um gay, basta dar uma surra nele

Por: Maurício Costa | Comunicar erro
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Crédito: reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaroEfeito Bolsonaro: Pai espanca filho que brincava com batom em MG

Um pai espancou o filho de apenas 3 anos de idade quando o viu brincando com um batom, em Uberaba, Minas Gerais. “Minha família não tem viado”, alegou o criminoso de 29 anos. A mãe da vítima e a irmã mais velha foram ameaçadas por ele ao denunciarem o ataque.

Segundo informações do jornal Estado de Minas, o agressor e a mãe do menino são divorciados. Quando o pequeno foi passar o fim de semana na casa do pai, ele foi encontrado pelo criminoso com o rosto sujo de batom. O pai, então, desferiu diversas chineladas nas costas da criança.

A adolescente, perplexa com o ocorrido, tirou uma foto e mandou para sua mãe pelo celular. “Olha o que o pai dele fez”, escreveu. Ao ir buscar a criança, a mãe afirmou que chamaria a polícia, mas foi ameaçada.

Mesmo assim, a mãe deu continuidade ao plano, e a Polícia Militar prendeu o agressor em sua própria casa. Aos PMs, ele afirmou que “não gostou de ver a criança brincando com batom”, mas não tinha intenção de machucá-lo (com chineladas nas costas???). O agressor ainda afirmou que tinha ingerido bebida alcoólica.

EFEITO BOLSONARO

Quando dizemos que a fala de uma pessoa pública tem poder, é de casos como este que estamos falando.

Todo mundo se lembra do vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) diz que, para impedir que um filho seja gay, basta dar uma surra nele, certo? “O filho começa assim, meio gayzinho, leva um coro e muda o comportamento dele”, afirmou.

Para quem acha que isso é fake news:

As falas do então deputado federal repercutem nas mídias, são disseminadas pelo WhatsApp e acatadas por seus fiéis seguidores como verdade.

Enquanto olharmos para a homossexualidade como um defeito, jamais conseguiremos garantir que a população LGBT seja respeitada.

Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais sempre existiram e existirão. Não há espancamento que mude essa realidade. Portanto, o mais correto a se fazer é garantir que essas pessoas sejam acolhidas pela sociedade e tenham todo o suporte necessário para viverem suas vidas de forma digna e com oportunidades iguais.

Espalhar a violência só deixará cicatrizes – no corpo e na alma – de pessoas como esse menino de apenas três anos de idade. E pra quê?

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Autor: Maurício Costa

Coordenador de Tempo Real. Libriano com traços piscianos. Amante da praia e do concreto. Rolês no centro de São Paulo são os meus preferidos.

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