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Em carta aberta, Emicida defende protestos, condena violência policial e cobra Fernando Haddad

"A internet pode ser uma rede de compartilhamento de informações, mas a revolução e as mudanças carecem de que as pessoas estejam nas ruas."

Por: Redação
Em meio à polêmica gerada pelas últimas manifestações em São Paulo, alguns pontos tem mobilizado mais a opinião pública, entre eles a legitimidade e a amplitude dos protestos e a truculência da polícia de São Paulo. Confira (abaixo) uma carta aberta escrita pelo rapper Emicida e publicada em seu Facebook sobre os últimos acontecimentos.

Emicida (via Facebook)

Salve irmãos e irmãs, companheiros.   Estive à distância, devido à nossa tour pela Europa – onde ainda me encontro -, acompanhando os recentes acontecimentos em São Paulo, e orando, desde o primeiro momento, para que o desfecho fosse um saldo positivo para o lado dos que representam o povo.   Infelizmente duas coisas ruins meu coração já esperava: a truculência da polícia militar do estado de São Paulo, que nem de longe tem preparo algum para lidar com pessoas, por mais contraditório que isso possa parecer. A sociedade parece não ver e, no final das contas, eles se tornam os “heróis”, mesmo com as mãos sujas de sangue inocente.

A segunda coisa era a cobertura distorcida da grande imprensa brasileira, que não tem – e parece fazer questão de deixar cada vez mais clara e gritante a sua falta de – compromisso com a verdade.   A combinação é perigosa quando essas forças se colocam contra a população, a quem deveriam servir: e essa é a obrigação de ambas – polícia e imprensa. E não sei se me alivia ou me assusta mais ver que a mídia só começou a mudar de tom ao tratar do caso depois de vários jornalistas serem covardemente agredidos pela PM.   Desde o primeiro momento, vi com muito orgulho meus irmãos e irmãs tomarem as ruas. A internet pode ser uma rede de compartilhamento de informações, mas a revolução e as mudanças carecem de que as pessoas estejam nas ruas, deixando à vista suas (muitas) insatisfações.  

Acho, a essa altura da situação, desnecessário deixar aqui explícita minha desaprovação a atos de vandalismo. Óbvio que desaprovo a depredação do patrimônio público, assim como é óbvio que a nossa luta é por muito mais do que esses vinte centavos. Já estamos muito além disso nessa discussão, certo?   Na noite de ontem, a polícia militar (mais uma vez) passou dos limites, mostrou (mais uma vez) que é saudosista da ditadura militar, assim como o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin. Desses nunca esperei nada de positivo, nada mesmo. Sentem-se bem por manter o estado na lama desde que atendam às demandas dessa burguesia cruel que controla o dinheiro e a informação no Brasil.

Agora, de quem eu espero uma postura diferente? Do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do qual fui eleitor. Como eleitor, tenho o direito e o dever de cobrar mais atenção com essa situação. Muitos dos que lotam as ruas hoje disseram “não” a José Serra por “pensar novo”, como sugeria a campanha de Haddad. Não creio que “pensar novo” seja fechar as portas para o diálogo ou se referir aos manifestantes como vândalos, indo na mesma direção da opinião dos que abominavam e ainda abominam o fato de a cidade ser gerenciada por ele.

Vale lembrar que o Partido dos Trabalhadores nasceu, cresceu e ganhou forças graças a pessoas como essas que hoje lotam as ruas pedindo uma gestão que se posicione a favor dos trabalhadores, e o primeiro passo para tal são a comunicação e o reconhecimento da seriedade da causa. Acredito que, assim como eu, vários de seus eleitores estão esperando resposta à altura do que merecemos por termos confiado a ele a gestão de São Paulo.   Convido meus irmãos e irmãs e todos que se identificam com nossa arte e verdade, todos que se identificam com a frase “a rua é nóiz” a, de forma pacífica, mostrar a força que temos e ocupar as ruas em todas as manifestações que ocorrerem nos próximos dias.   Isso é sobre Liberdade, direitos e a construção de uma nova realidade, mais próxima da que desejamos.

Obrigado pela atenção,

Emicida

A rua é nóiz

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