Engenheira diz que não se arrepende da discussão com fiscal no RJ

“Não é arrependimento. Hoje posso reconhecer minha alteração de voz e meu tom foi mal interpretado", disse Nívea Maestro

Por: Redação

A engenheira Nívea Valle Del Maestro, que protagonizou uma discussão com um fiscal da Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro exibida no programa Fantástico, da TV Globo, disse que não se arrepende de ter ido questionar a ação do agente público. A confusão foi mostrada durante uma reportagem sobre aglomerações em bares durante a pandemia do novo coronavírus.

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Crédito: Reprodução/Globo‘Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você’, diz mulher a fiscal da Vigilância Sanitária

“Não é arrependimento. Hoje posso reconhecer minha alteração de voz e meu tom foi mal interpretado. Se a gente se arrepende de alguma coisa é de ter saído de casa”, afirmou a engenheira, em entrevista ao portal G1.

Segundo Nívea, ela não teve a intenção de humilhar o fiscal quando disse: “Cidadão não, engenheiro civil formado, melhor do que você”.

“Ele [o fiscal] respondia: ‘Cidadão, vai lá na prefeitura para ver o procedimento’. Aquilo dava a entender que ele não tinha obrigação de responder. Então, esse ‘cidadão’ se tornou algo pejorativo, não era um substantivo. Senti aquilo de uma forma agressiva. Naquele momento, eu interferi e disse que ela um engenheiro civil formado. Quando disse “melhor do que você”, quis dizer que ele sabe o que fazer aqui e fiscal, não. Ele não dava provas técnicas do que estava fazendo. O que eu não quis naquele momento foi, de forma alguma, humilhar aquela pessoa. Eu nem conheço aquela pessoa. Ali, eu estava nervosa, queria defender meu marido”, contou a engenheira.

Segundo ela, a frase ficou fora do contexto. “Minha frase ficou descontextualizada. Sei que tenho tom de voz alta, tenho sangue italiano, e às vezes se torna agressivo no calor da emoção. Mas em momento algum eu desacatei ou quis diminuir o rapaz”, disse Nívea, que após o episódio acabou demitida.

“Continuamos achando que temos o direito de questionar os servidores públicos, qualquer atendente ou pessoa. Não é afrontar – é questionar tudo aquilo que possa ser considerado arbitrário. Isso nós não podemos perder. Do contrário, as pessoas vão ficar com medo de agir. Nunca vou me arrepender de questionar. Talvez eu possa reconhecer que houve um excesso que, descontextualizado, ficou ainda pior. Dentro do contexto, nem acredito que tenha acontecido tanto excesso assim. Mas realmente, eu quando olho aquela cena fico com raiva daquela mulher. Não é possível que uma pessoa, do nada, aja daquela maneira. Mas não foi do nada. Existe um contexto, existe uma história. Existem atos antes e depois”, afirmou a engenheira.

Nívea ainda contou que vem sofrendo ameaças. “Nós já estamos sendo condenados sem direito de defesa. Nossa vida acabou. Perdemos nossos empregos e estamos sendo achincalhados. Estou recebendo ameaças por telefone e todos os nossos dados pessoais foram parar na internet. Os efeitos que isso causou na gente são desproporcionais. Há um linchamento virtual, todas as mensagens que recebo no celular de pessoas me agredindo. A coisa chegou a um nível no qual, além de perdermos nossos empregos, querem que não trabalhemos nunca mais. O que querem mais? Querem que a gente morra?”, questionou. Para ver a integra da entrevista da engenheira, clique aqui.

O estado do Rio de Janeiro registrou 10.970 mortes por covid-19. O número de casos confirmados da doença chega a 126.329 infectados. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 8, pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Foram registrados 89 óbitos e 2.243 infectados.

Entenda o caso

A mulher que foi flagrada pela reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, ofendendo um fiscal da Vigilância Sanitária do Rio foi demitida da empresa onde trabalhava nesta segunda-feira, 6, por causa do episódio.

Em nota, a TAESA afirmou que “compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio, sobretudo em um momento no qual o número de casos da doença [covid-19] segue em alta no Brasil e no mundo”. A empresa disse ainda que adotou “inúmeras iniciativas para proteger a saúde de seus profissionais e familiares”, e que a funcionária foi demitida por desrespeitar a “política vigente na empresa”.

O caso ocorreu na noite do último sábado, 4, durante blitz da Vigilância Sanitária a bares da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Depois que o caso viralizou, o engenheiro civil que aparece ao lado da esposa na reportagem afirmou que tem sido ameaçado desde que o caso viralizou. “Estamos com medo por nossa integridade física”.

O fiscal se manifestou sobre o episódio. “Não cabe mais no Brasil o “Você sabe com quem está falando?”. Isso está ficando cada vez mais banido. Todo cidadão contribui com seus impostos para justamente nós o protegermos. Esse foi o princípio da cidadania que eles não exerceram”.

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