Expansão de transporte sobre trilhos ainda é lenta em São Paulo

Na Semana da Mobilidade, mostramos os atrasos e desafios do governo para expandir a malha metroviária e ferroviária da Grande São Paulo

Por: Jéssica Lima

O transporte sobre trilhos em São Paulo exerce um papel importante na mobilidade, seja para trabalho ou lazer, mas a melhoria e a ampliação por parte da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) ainda são desafios constantes para o governo estadual: cresce o número de usuários, mas a entrega de mais estações para atender a demanda sofre cada vez mais atrasos.

Metrô e CPTM são desafios da gestão para conseguir cumprir prazos estipulados de entrega das estações

Metrô

Em março deste ano, o governo do estado prometeu entregar mais estações de metrô em 20 meses do que entregou em 12 anos, só que, na prática, não é bem isso o que acontece. Conforme foi mostrado pela “Folha de S. Paulo“, há sete obras de expansão em andamento e todas as metas estão atrasadas.

Um exemplo recente foi a inauguração, no início de setembro, das três novas estações da Linha 5-Lilás do Metrô (Alto da Boa Vista, Borba Gato e Brooklin), que deveria ter ocorrido em 2014, conforme foi prometido. A cada ano que se passava o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi dando um novo prazo até que se passaram três anos.

A Linha 15-Prata, o famoso monotrilho da zona leste, foi prometida para 2016, mas desde 2014 funciona apenas em um trecho de 2,6 km que fica entre a Vila Prudente e o Oratório. O atraso, segundo o governo, está ligado a erros no projeto, como as galerias subterrâneas de água que tiveram que ser deslocadas para que o solo pudesse suportar as vigas que sustentam toda a linha.

O monotrilho da zona sul, a Linha 17-Ouro, vai ligar o aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da CPTM, mas teve problema com as empreiteiras e de 2014, quando deveria ter sido entregue a tempo da Copa do Mundo, teve novo prazo dado para 2019, conforme mostrou a “Folha“.

Na Linha 18-Bronze, o monotrilho que vai até o ABC, há uma licitação de PPP (parceria público privada), mas o governo não conseguiu liberar recursos com o governo federal para pagar as desapropriações. O prazo para a entrega era 2018, depois foi prorrogado para 2020, mas como as obras nem começaram, esse prazo também deve sofrer alterações.

A reportagem também lembrou que a Linha 2-Verde deveria ligar a Vila Prudente à rodovia Dutra, em Guarulhos, até 2020, mas não tem recurso federal para tal e por isso o projeto está suspenso.

Outra linha em atraso é a 4-Amarela, que vai ligar o centro da cidade à zona sul, e deveria ter sido totalmente entregue em 2014, agora o prazo é para cinco anos depois, em 2019, também por rompimento do contrato com as empreiteiras.

Já a linha 6-Laranja (entre a estação São Joaquim e a Brasilândia) está com as obras paradas há um ano por conta das empreiteiras que estão envolvidas na Lava Jato e por isso não conseguiram financiamento.

Segundo o “Estadão“, o investimento do governo na manutenção e na expansão da rede diminuiu 30% no ano passado e um balando do próprio Metrô diz que a estatal investiu R$ 2,34 bilhões em 2016, que foi o menos valor em cinco anos. A explicação para isso é de que as obras da Linha 5-Lilás exigiram menos recursos e as obras das linhas 4-Amarela e 17-Ouro foram paralisadas por conta do rompimento do contrato com as empreiteiras.

Só nos primeiros seis meses deste ano o Metrô já transportou 539,4 milhões de passageiros. No mesmo período de 2016, transportaram 547,8 milhões.

No primeiro semestre deste ano, o Metrô informou que foram registradas apenas sete ocorrências que causaram alguma alteração na circulação dos trens por uma hora ou mais. No mesmo período do ano anterior, foram dez.

CPTM

A empresa só está com duas obras de expansão da CPTM para atender a região metropolitana de São Paulo. Prometida para 2005, o governador anunciou que em março de 2018 deve entregar a Linha 13-Jade, que vai ligar a capital ao Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Outra linha em que a obras se arrastam foi da Linha 9-Esmeralda, na região do Grajaú, na zona sul. Também segundo o “G1” , deveria estar pronta há três anos até Varginha. As obras foram prometidas pelo governo para serem retomadas até agosto, mas isso não aconteceu.

No primeiro semestre deste ano, a CPTM registrou 11 ocorrências “notáveis” e 18 no mesmo período de 2016, sem explicar o que é considerado como notável. A companhia foi indagada sobre quantas vezes o Plano de Atendimento entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) foi acionado neste período, mas não respondeu.

De janeiro a junho, 403,3 milhões de passageiros foram transportados, ante 402,6 milhões no mesmo período do ano anterior.

Promessa

O governador Geraldo Alckmin voltou a afirmar que está planejando abrir 19 novas estações de Metrô e trem até março de 2018, segundo informações do “G1“. Ele afirmou que vai entregar outras sete estações da Linha Lilás, assim como duas da Linha 13-Jade, da CPTM, duas estações da Linha 4-Amarela do Metrô e mais oito estações da Linha 15-Prata.

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