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MAIA, a assistente que ajuda mulheres em relacionamentos abusivos

Iniciativa desenvolvida pelo Ministério Público de SP com apoio da Microsoft pode ser um canal de apoio e orientação durante período de isolamento

Por: Redação

Os relacionamentos abusivos nem sempre são caracterizados por violência física. Por isso, muitas mulheres têm dificuldade em entender se estão vivendo nesta situação, que tende a aumentar durante o período de isolamento social. A fim de orientar as vítimas a entenderem sobre o problema, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) lançou a assistente virtual MAIA (Minha Amiga Inteligência Artificial), com o apoio da Microsoft.

A assistente MAIA orienta meninas e mulheres sobre relacionamentos abusivos
Crédito: Moyo Studio/iStockA assistente MAIA orienta meninas e mulheres sobre relacionamentos abusivos

A chatbot é uma ferramente para auxiliar mulheres que estejam vivendo abuso físico ou psicológico dentro de casa. Além de trazer informações e exemplos do que caracteriza uma relação de abuso, oferece dicas para que a mulher procure uma pessoa de confiança para se abrir e busque ajuda psicológica de um profissional, e direciona as usuárias para ouvidorias e Delegacias de Defesa da Mulher em casos de violência física.

A assistente MAIA já está disponível na página dedicada ao projeto e pode ser acessada pelo público em geral. A iniciativa é apadrinhada pela ONG Plan International, pelo movimento global da ONU, Girl Up, e pelo Instituto AzMina.

Segundo levantamento do Ministério Público de São Paulo (MPSP), entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020, houve queda de 10% no número de prisões em flagrante em casos de violência doméstica no país, mas após o início da quarentena, esse número cresceu em 51,4% – um total de 268 em março, contra 177 em fevereiro.

“Fatores como o consumo de álcool ou drogas ilícitas, desemprego e comportamento controlador dentro de casa são considerados aspectos de risco para as mulheres e que podem se agravar durante esse período de confinamento. Por esse motivo reforçamos o trabalho que criamos com a campanha Namoro Legal, que conta com a MAIA como uma aliada para ajudar mulheres a saírem de relacionamentos abusivos”, explica Valéria Scarance, promotora de Justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do MPSP.

Como a MAIA funciona

A Inteligência Artificial entra no projeto como uma aliada para ajudar a esclarecer dúvidas sobre relacionamentos abusivos, fazendo a interação das perguntas feitas pelas usuárias com o conteúdo da cartilha do MPSP sobre relacionamentos abusivos.

O desenvolvimento da MAIA foi feito em parceria com a Elo Group, consultoria especializada em tecnologia, e com a Ilhasoft, empresa focada no desenvolvimento de chatbots e soluções de comunicação.

Todo o processo de criação da Maia e a criação de seus diálogos foi verificado pelo AETHER (Comitê de IA e Ética em Engenharia e Pesquisa da Microsoft). Esse é um grupo responsável por avaliar iniciativas de chatbot em todo o mundo e garantir que elas estejam alinhadas às normas de segurança e ética da empresa.

Além disso, em suas interações, a MAIA não solicitará nenhum tipo de identificação ou dados pessoais para quem interagir com ela. A anonimização das usuárias é uma premissa do projeto, e o conteúdo das conversas não será armazenado. A assistente virtual está hospedada na plataforma de nuvem Microsoft Azure e segue as políticas de privacidade da empresa.

Saiba mais sobre a assistente aqui!

Entenda as etapas do ciclo da violência doméstica
Entenda as etapas do ciclo da violência domésticaCamila Lustosa
Fase 1 do ciclo da violência doméstica
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Fase 2 do ciclo da violência doméstica
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Fase 3 do ciclo da violência doméstica
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Como identificar a violência doméstica

Mas como identificar as situações de violência que não são tão explícitas? A psicóloga Kátia Braz cita comportamentos recorrentes que caracterizam um relacionamento abusivo, como o sujeito oferecer algo à companheira que não vai entregar, vender uma ideia de si mesmo totalmente errada e prometer amor e companheirismo eternos.

“Tudo que não tem comum acordo pode ser caracterizado como uma violência. Ele querer controlar a sua vida, ter posse sobre você e fazer com que tudo que você faça seja para o prazer dele são alguns pontos a se destacar”, afirma.

A especialista lista alguns exemplos de situações vistas com frequência em relacionamentos abusivos. Não é possível afirmar que as pessoas com essas atitudes virão a praticar violência física, mas são alguns dos caminhos que historicamente resultaram nesse tipo de situação.

“Quanto mais eu estudo esse tema e mais tenho contato com essas mulheres, mais percebo a sutileza de violências que a gente vai sofrendo no dia a dia. É muito característico, bem triste”, completa.

Veja abaixo alguns indícios:

Demonstra amor de forma exagerada

As demonstrações de amor de forma exagerada, com pedidos de casamento, noivado ou namoro muito prematuros são indícios de um relacionamento que pode vir a ser abusivo.

Se dedica 100% à relação

Sabe aquela pessoa que parou de jogar futebol com os amigos, parou de ir aos passeios e fica 100% do tempo com a namorada, observando tudo o que acontece com ela? Isso é outro indício de uma tentativa de controle e, portanto, de violência.

Faz uso de um falso moralismo

O sujeito fala para que você precisa respeitar a sua família, mas ele não fala com a mãe dele há 5 anos e nunca a tratou bem. É algo que não se encaixa muito bem.

Utiliza chantagens frequentes

Chantagens, muitas chantagens. Para que a mulher não termine, o homem usa aspectos e pessoas essenciais da vida dela e a chantageia. Inclusive, em certos casos, o agressor chega a inventar que está com uma doença grave ou até mesmo ameaça se matar.

Se vitimiza sempre

O homem sempre se coloca como vítima. Às vezes de antigas namoradas, em outros casos de familiares ou chefes mulheres. Todas causaram mal a ele. Ou seja, a raiva com que ele trata a companheira e o resto das pessoas é justificada como se fosse uma reação ao sofrimento que enfrentou ao longo da vida. No entanto, a mulher precisa prestar atenção, pois, após certo tempo, ela mesma será colocada como mais um algoz na vida do rapaz.

Desqualifica a mulher em público

A todo momento, ele tenta desqualificar a vítima em público e deslegitimar todos seus sentimentos, desde a dor, o sofrimento e até a alegria.

Por exemplo: a mulher chega toda feliz em casa porque será promovida no emprego, e ele responde: “Não tem nada a ver com talento, mas sim porque seu chefe está querendo te pegar”.

Além disso, o companheiro passa a minar todas as coisas que são básicas a ela: faz silêncios violentos, ameaça ficar sem falar com ela caso não siga um pedido seu, entre outros comportamentos.

Trai com frequência

Um aspecto que aparece frequentemente são as traições. O indivíduo tem o hábito de trair e colocar essas traições como culpa do outro: “Olha, eu te traí porque você ficou diferente comigo, porque você está muito fria”.

Um caso que acontece sempre é o homem ter brigado o dia todo com a mulher, aí chega à noite e quer ter relação sexual, mas ela nega. Então, ele a trai e ainda diz que fez isso porque ela não tem mais interesse e o jogou nos braços de outra mulher.

Confira a matéria na íntegra.

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