Mulher denuncia homofobia em restaurante de Salvador

Estabelecimento chegou a publicar nota de esclarecimento nas redes sociais, mas depois apagou

Por: Redação

Duas mulheres de 30 anos prestaram queixa à Polícia Civil pelo crime de homofobia sofrido no restaurante Barravento, em Salvador (BA), na última sexta-feira, 15. Gabriella Santana Garrido estava com Maiana Mendes quando o gerente foi avisá-las que o estabelecimento era um “ambiente familiar”.

Crédito: Reprodução/InstagramBarravento – restaurante homofóbico em Slavador (BA)

“Depois de comer dois pratos, fomos para uma mesa mais próxima da fachada, fizemos algumas fotos e lembro de ter feito uma carinho no cabelo dela [Maiana] e também dei um beijo próximo do cabelo dela, que retribui com um selinho”, disse Gabriella ao G1. “Logo em seguida, ele [o gerente] me abordou e pediu para que a gente contivesse o nossos contatos e diminuísse nossas caricias.”

Ela pediu ao gerente, identificado simplesmente como “senhor Aurélio”, os dados para fazer a denúncia de homofobia na delegacia. Outros consumidores testemunharam a ocorrência e se solidarizaram com o casal.

Uma das presentes disse tinha acabado de beijar o marido, mas não foi abordada pela gerência por isso.

O restaurante Barravento chegou a publicar nota de esclarecimento nas redes sociais, mas depois apagou a postagem.

Abaixo, leia o relato de Gabriella Garrido:

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AMBIENTE HOMOFÓBICO Boa tarde a todos, acabo de sofrer um ato de homofobia neste nosso BAHIANO restaurante local chamado Barravento, localizado na Av. Oceania no bairro da Barra em Salvador. Não tenho palavras para descrever esse momento. Tão injusto e tão sofrido. Tudo o que posso falar é, compartilhem e me ajudem a não permitir que isso continuem a acontecer. ————— Boa noite Gostaria de nesse momento, após todos os trâmites legais terem sido realizados, descrever a todos o ocorrido nesta tarde de feriado. Era para ser apenas um feriado agradável, num restaurante tradicional de salvador. Eu estava acompanhada de minha namorada no Restaurante Barravento quando o Sr. “Aurelio“ que se auto intitulou como gerente do estabelecimento, nos abordou solicitando que os os contatos entrem nós duas fossem contidos, essa é a melhor forma que eu consigo relatar o que foi dito pelo mesmo. Seguindo um pouco mais, o mesmo informou que o Barravento era um restaurante familiar e que os carinhos trocados por nós duas não eram condizentes ao local e que de alguma forma incomodavam e agrediam os outros clientes, e como exemplo dele mesmo, as duas crianças que estavam na mesa atrás da minha não precisavam presenciar tal cena. Tudo isso foram palavras dele, mas tudo isso foi sentido por mim. Não tenho palavras para descrever o que senti e o que sinto ainda após tudo isso. Acreditamos que a homofobia, o preconceito e o racismo está tão longe de nós, mas na verdade está tão perto. E para quem nunca sofreu como eu até algumas horas atrás eu lhes digo, doe e doe muito. Por isso eu agradeço as mensagens de apoio, agradeço ao carinho recebido pelos amigos e familiares, mas também pelos desconhecidos. Alguns clientes que se encontravam no local no momento, se dirigiram até a mim e com uma delicadeza tão simples e tão carinhosa apenas perguntaram “Posso Lhe dar um abraço?”. Parece pouco? Mas não foi, foi bem importante na verdade. Como uma deles mesmo alegou, “Como pode, vocês duas não poderem se beijar enquanto eu e meu marido podemos? “ Não sei, acho que essa é a pergunta que apenas o Sr. Aurélio e o Restaurante Barravento pode responder.

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AMBIENTE HOMOFÓBICO Boa tarde a todos, acabo de sofrer um ato de homofobia neste nosso BAHIANO restaurante local chamado Barravento, localizado na Av. Oceania no bairro da Barra em Salvador. Não tenho palavras para descrever esse momento. Tão injusto e tão sofrido. Tudo o que posso falar é, compartilhem e me ajudem a não permitir que isso continuem a acontecer. ————— Boa noite Gostaria de nesse momento, após todos os trâmites legais terem sido realizados, descrever a todos o ocorrido nesta tarde de feriado. Era para ser apenas um feriado agradável, num restaurante tradicional de salvador. Eu estava acompanhada de minha namorada no Restaurante Barravento quando o Sr. “Aurelio“ que se auto intitulou como gerente do estabelecimento, nos abordou solicitando que os os contatos entrem nós duas fossem contidos, essa é a melhor forma que eu consigo relatar o que foi dito pelo mesmo. Seguindo um pouco mais, o mesmo informou que o Barravento era um restaurante familiar e que os carinhos trocados por nós duas não eram condizentes ao local e que de alguma forma incomodavam e agrediam os outros clientes, e como exemplo dele mesmo, as duas crianças que estavam na mesa atrás da minha não precisavam presenciar tal cena. Tudo isso foram palavras dele, mas tudo isso foi sentido por mim. Não tenho palavras para descrever o que senti e o que sinto ainda após tudo isso. Acreditamos que a homofobia, o preconceito e o racismo está tão longe de nós, mas na verdade está tão perto. E para quem nunca sofreu como eu até algumas horas atrás eu lhes digo, doe e doe muito. Por isso eu agradeço as mensagens de apoio, agradeço ao carinho recebido pelos amigos e familiares, mas também pelos desconhecidos. Alguns clientes que se encontravam no local no momento, se dirigiram até a mim e com uma delicadeza tão simples e tão carinhosa apenas perguntaram “Posso Lhe dar um abraço?”. Parece pouco? Mas não foi, foi bem importante na verdade. Como uma deles mesmo alegou, “Como pode, vocês duas não poderem se beijar enquanto eu e meu marido podemos? “ Não sei, acho que essa é a pergunta que apenas o Sr. Aurélio e o Restaurante Barravento pode responder.

Homofobia é crime!

Desde junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o crime de homofobia deve ser equiparado ao de racismo. Os magistrados entenderam que houve omissão inconstitucional do Congresso Nacional por não editar lei que criminalize atos de homofobia e de transfobia. Por isso, coube ao Supremo aplicar a lei do racismo para preencher esse espaço.

Crédito: Getty ImagesEm alguns casos, a discriminação pode ser discreta e sutil, como negar-se a prestar serviços

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