Musicoterapia ajuda vítimas de violência doméstica no Grajaú

O projeto 'Desconstruindo Amélias' procura empoderar as mulheres que já sofreram agressões

Por: Heloisa Aun | Comunicar erro

A cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil e, a cada 11 minutos, uma vítima é estuprada, de acordo com o dossiê divulgado pela Agência Patrícia Galvão. Em uma cultura ainda extremamente machista, muitas pessoas têm medo de denunciar e não recebem acolhimento adequado nessas situações.

No Grajaú, zona sul de São Paulo, um grupo de quatro profissionais está ajudando a mudar essa realidade com técnicas de musicoterapia como forma de empoderamento das vítimas de violência doméstica. O projeto, chamado Desconstruindo Amélias, promove encontros semanais gratuitos no Centro de Cidadania da Mulher (CCM) Capela do Socorro, localizado no bairro.

O Desconstruindo Amélias promove encontros de musicoterapia com mulheres que sofreram violência
O Desconstruindo Amélias promove encontros de musicoterapia com mulheres que sofreram violência

A iniciativa foi criada em junho deste ano por quatro musicoterapeutas da região, Estela Cândido dos Santos, Daniel Santana Conceição, Verônica Lelis e Waleska Tigre dos Santos, que formam o Coletivo MT. Por meio de experiências musicais, o objetivo é apoiar as mulheres no enfrentamento da violência e da desigualdade de gênero, favorecendo a reflexão pessoal e coletiva sobre comportamentos e relações.

Ao Catraca Livre, Estela contou que os encontros são semanais e têm uma hora de duração. “Com as experiências musicoterapêuticas, como a improvisação, composição, recriação e escuta, as participantes recebem estímulos em relação à percepção corporal, resgate da autoestima e autonomia de acordo com a demanda do grupo em um ambiente de respeito e sigilo”, afirma.

Desconstruindo Amélias

A ideia para lançar o projeto surgiu a partir de um artigo feito por Waleska Tigre, uma das integrantes do coletivo, como trabalho de conclusão de curso da faculdade. A partir da pesquisa, intitulada “A intervenção da musicoterapia com Mulheres Vítimas de Violência Doméstica”, o grupo estudou o tema e enviou uma proposta para o Programa VAI 2016, da Secretaria Municipal de Cultura.

Após ser submetida a um processo seletivo, a iniciativa foi aprovada e tornou-se realidade há cerca de um mês e meio. O primeiro grupo formado tem cerca de 6 mulheres e o projeto está com vagas abertas, pois a meta é ter 20 participantes.

A musicoterapia usa instrumentos para trazer uma reflexão coletiva sobre as agressões
A musicoterapia usa instrumentos para trazer uma reflexão coletiva sobre as agressões

No entanto, ainda há certa resistência do público em procurar ajuda. “De vez em quando, algumas delas faltam. Isso é característico de pessoas em situação de vulnerabilidade”, ressalta Estela. Para divulgar a iniciativa e atrair cada vez mais pessoas, o coletivo também tem organizado encontros abertos que visam esclarecer possíveis dúvidas.

“Nós recebemos inscrições de mulheres que não necessariamente são vítimas de violência doméstica, mas têm interesse em participar. Por isso, o intuito é iniciar um novo grupo agora em agosto para receber essas pessoas que querem uma experiência de autoconhecimento”, completa a musicoterapeuta.

Em 2017, o coletivo planeja ampliar o projeto em mais dois CCM, o de Santo Amaro e de Parelheiros, para beneficiar cada vez mais mulheres.

Os encontros são semanais e estão com inscrições abertas para uma nova turma

Inscrições

As inscrições para o novo grupo podem ser feitas até 30 de setembro pelo e-mail do coletivo: coletivomt.zs@gmail.com. Os encontros acontecem às quintas-feiras, em dois horários às 15h e às 16h30. Podem participar mulheres acima de 18 anos. Para mais informações, acesse o site.

Os parceiros do Desconstruindo Amélias são: Programa VAI, Secretaria Municipal de Cultura, Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Centro de Cidadania da Mulher.

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Autor: Heloisa Aun

Feminista, vegetariana e repórter de Cidadania no Catraca Livre. ("nossas costas / contam histórias / que a lombada / de nenhum livro / pode carregar" - Rupi Kaur)

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