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Um tigre gigante pelas ruas de São Paulo

Único nome brasileiro escolhido para ciclo de palestras, Guilherme Marcondes acumula experiências de sucesso no mundo da animação

Por: Catraca Livre

O menino que lia quadrinhos e assistia a todos os desenhos que passavam na televisão tinha, desde pequeno, o sonho de ser um desenhista profissional. Nasceu em São Paulo, onde começou a trabalhar como ilustrador quando ainda era aluno da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo.

Em 2000, juntou-se a equipe do estúdio de animação brasileiro “Lobo Filmes”, onde trabalhou por cinco anos.

Mais tarde, foi responsável por inserções animadas no thriller brasileiro “Nina”, de Heitor Dhalia. Ainda no cinema, também acumulou experiência com a abertura do filme “Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. “Meu trabalho é muito disciplinar. Apesar de muito técnico, tenho uma visão de fora graças ao cinema e a arquitetura”, comenta.

Marcondes define seu trabalho autoral carregado de símbolos e mistérios e imagens subconscientes. “A vontade que tenho de fazer animação para mim está muito ligada com a ideia do autoral”, define.

Como diretor de animações atuou em campanhas publicitárias para marcas como: Diesel, Cartoon Network, Nickelodeon e MTV. Em 2007, realizou o curta-metragem “Tyger”, inspirado no poema de mesmo nome de William Blake. O curta foi ganhador de diversos prêmios, entre eles, o de melhor filme de festivais como: o Internacional de Clermont Ferrand, a edição do Anima Mundi, na Bélgica e em mais de 18 prêmios em festivais pelo mundo. “Os elementos todos para a construção da narrativa já existiam, o poema de Blake ajudou a articulá-los”, comenta.

Marcondes decidiu que “Tyger” seria ambientado na cidade de São Paulo graças à sua paisagem caótica. Para isso, fotografou cenários urbanos durante a noite, que serviram de paisagem para o passeio do Tigre gigante. “Sempre quis abordar a cidade de São Paulo de uma maneira mais simbólica”, diz.

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“Os criadores usam pouco da fantasia que a cidade tem”

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O curta é uma espécie de “Godzilla”, em que um tigre gigante visto pelo espectador como um boneco em escala maior do que os conhecidos arranha-céus encontrados na cidade, caminha por ela transformando tudo em animais e plantas. “O tigre representa tudo aquilo que as pessoas buscam na cidade como a vontade de brilhar, a ambição e o poder”, coloca. O curta surpreendeu o diretor com o número de acessos na web.

“O tigre gigante é uma espécie de personagem fantástico que parece mais palpável que as pessoas animadas que povoam a cidade ao seu redor. Os manipuladores do boneco são a imagem mais importante do filme, que brinca com a idéia de controle e percepção da realidade. Quem está no controle? O tigre? Os manipuladores? O diretor? A platéia?”, coloca.

Em 2006, mudou-se para Los Angeles onde trabalhou durante um ano no renomado estúdio “Motion Theory”.

Hoje, aos 32 anos, Guilherme Marcondes vive em Nova York e é diretor de curtas e comerciais colaborando também os estúdios Hornet Inc., nos Estados Unidos e Passion Pictures, na Europa.

Hoje, o mercado de filmes de animação vive um público mais amadurecido. No entanto, ainda a ideia de que o formato seja um subgênero do cinema para o público infantil ainda é real. “O público (de animação) está mudando no mundo inteiro”, sustenta.

Na sexta-feira, 20, o animador participa da 18ª edição do Anima Mundi.

Dará uma palestra para o ‘Papo Animado’ e uma aula (masterclass) em que ensinará detalhes técnicos que desenvolveu durante a criação de seus projetos, entre elas, a utilização de bonecos, animação 2D, 3D, maquetes e filmagem ao vivo.

Assista ao curta-metragem “Tyger”

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