Brian Michael Bendis na CCXP26: quais HQs levar para autografar e como aproveitar o encontro

COCRIADOR DE MILES MORALES E UM DOS PRINCIPAIS ROTEIRISTAS DOS QUADRINHOS NESTE SÉCULO ESTARÁ PELA PRIMEIRA VEZ NO ARTISTS’ VALLEY; VEJA O QUE VALE SEPARAR DA ESTANTE ANTES DO EVENTO

A CCXP26 confirmou Brian Michael Bendis como um dos convidados do Artists’ Valley. O roteirista, cocriador de Miles Morales e responsável por algumas das histórias mais importantes da Marvel nas últimas décadas, estará no evento em parceria com a Baú das HQs.

A primeira participação de Bendis na CCXP acontece de 3 a 6 de dezembro, no São Paulo Expo, e traz uma questão que todo colecionador conhece bem. Diante de uma carreira com Ultimate Spider-Man, Demolidor, Vingadores, X-Men, Superman, Alias e Powers, o que levar para autografar?

Eu já comecei a olhar para a minha coleção pensando nisso. E, olhando também para os outros quadrinistas confirmados na CCXP26, encontrei algumas escolhas que podem tornar a experiência ainda mais interessante.

Brian Michael Bendis estará pela primeira vez na CCXP, de 3 a 6 de dezembro, em São Paulo
Brian Michael Bendis estará pela primeira vez na CCXP, de 3 a 6 de dezembro, em São Paulo - divulgação/ DC Comics

Porque dá para levar uma HQ para Bendis e voltar para casa com a assinatura de outros convidados na mesma edição.

Qual HQ de Brian Michael Bendis levar para autografar?

Se a ideia for escolher uma história pelo peso que ela ganhou na cultura pop, começaria por Ultimate Fallout #4. Publicada em 2011, a edição apresentou Miles Morales, criado por Bendis e Sara Pichelli.

Mais de 15 anos depois, é difícil olhar para aquela primeira aparição sem pensar no tamanho que Miles alcançou. O personagem ultrapassou os quadrinhos, ganhou videogames, animações e se tornou um dos Homens-Aranha mais reconhecidos por uma nova geração.

E não precisa necessariamente ser a revista americana original. A história saiu algumas vezes por aqui e, para quem quer uma opção nacional mais recente, está em Marvel Essenciais: Ultimate Homem-AranhaQuem É Miles Morales?, publicado no Brasil pela Panini.

É uma alternativa bem mais simples do que sair atrás de uma Ultimate Fallout #4 importada. E, para mim, o importante não é apenas o valor da edição, mas o que aquela história representa para quem acompanhou o personagem.

Miles Morales foi criado por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli e estreou nos quadrinhos em 2011.
Miles Morales foi criado por Brian Michael Bendis e Sara Pichelli e estreou nos quadrinhos em 2011. - Marvel Comics

Outra escolha quase inevitável é Ultimate Spider-Man.

Bendis e Mark Bagley começaram a série em 2000 com a missão de recontar a história de Peter Parker para uma nova geração. O que poderia ter sido apenas uma modernização da origem se transformou em uma das fases mais importantes do Homem-Aranha neste século.

Para mim, é também uma das obras que melhor representam o Bendis que marcou os anos 2000.

Ultimate Spider-Man, de Brian Michael Bendis e Mark Bagley, ajudou a redefinir Peter Parker para uma nova geração
Ultimate Spider-Man, de Brian Michael Bendis e Mark Bagley, ajudou a redefinir Peter Parker para uma nova geração - Marvel Comics

Aliás, boa parte dos títulos da Marvel citados nesta matéria foi publicada no Brasil pela Panini. Então não vou ficar repetindo o nome da editora a cada parágrafo.

Demolidor, Powers e o Bendis além do Homem-Aranha

Eu colocaria Demolidor entre as primeiras opções. A longa passagem de Bendis pelo personagem, principalmente ao lado de Alex Maleev, levou Matt Murdock para histórias fortemente influenciadas pelo policial e pelo noir. Identidade secreta, crime organizado, imprensa e as consequências das decisões do herói passaram a dividir espaço com as tradicionais batalhas nas ruas da Cozinha do Inferno.

E essa fase está sendo republicada no Brasil na coleção Demolidor por Brian Michael Bendis, o que facilita bastante a vida de quem não tem as edições antigas.

Para quem quer fugir dos super-heróis mais tradicionais, Powers talvez seja uma escolha ainda mais pessoal.

A fase de Brian Michael Bendis no Demolidor está sendo republicada no Brasil.
A fase de Brian Michael Bendis no Demolidor está sendo republicada no Brasil. - Divulgação/Panini Comics

Criada por Bendis e Michael Avon Oeming, a HQ acompanha policiais que investigam crimes envolvendo pessoas com superpoderes. É um trabalho importante para entender características que apareceriam posteriormente em boa parte da produção do roteirista.

No Brasil, a Mythos publicou a série como Powers vol. 1: Quem Matou a Moça-Retrô?

Em Powers, Bendis e Michael Avon Oeming misturam investigação policial e super-heróis.
Em Powers, Bendis e Michael Avon Oeming misturam investigação policial e super-heróis. - Divulgação/Mythos Editora

Também colocaria Alias, série em que Bendis e Michael Gaydos apresentaram Jessica Jones, nessa lista. A edição brasileira já tem algum tempo, mas ainda é possível encontrá-la em algumas lojas.

E existe, claro, toda a era dos Vingadores.

Vingadores: A Queda abriu uma fase em que Bendis se tornou um dos principais arquitetos do Universo Marvel. Vieram Novos Vingadores e grandes eventos que atravessaram diferentes títulos da editora.

Bendis reformulou os Vingadores e se tornou um dos principais arquitetos da Marvel nos anos 2000.
Bendis reformulou os Vingadores e se tornou um dos principais arquitetos da Marvel nos anos 2000. - Divulgação/Marvel Comics

Nesse caso, minha escolha seria menos histórica e mais afetiva. Se uma dessas histórias marcou sua época como leitor, provavelmente essa é a revista que merece entrar na mochila.

Uma HQ pode render três autógrafos na CCXP26

Aqui entra uma dica para quem gosta de colecionar assinaturas.

Antes de escolher a revista, vale olhar não apenas para Brian Michael Bendis, mas também para os outros artistas confirmados na CCXP26.

Um ótimo exemplo é Avengers vs. X-Men #1, ou Vingadores vs. X-Men na publicação brasileira, que, por sinal, já merece uma republicação por aqui.

Avengers vs. X-Men #1 é uma das HQs para ficar de olho: Brian Michael Bendis, John Romita Jr. e Scott Hanna estarão na CCXP26.
Avengers vs. X-Men #1 é uma das HQs para ficar de olho: Brian Michael Bendis, John Romita Jr. e Scott Hanna estarão na CCXP26.

Bendis está entre os roteiristas da história, John Romita Jr. é o desenhista da edição e Scott Hanna trabalhou na arte-final.

Os três estão confirmados para a CCXP26.

Na prática, quem tiver essa edição pode tentar sair do evento com Bendis, Romita Jr. e Hanna assinando a mesma HQ.

Claro que isso dependerá das regras de autógrafos, horários e disponibilidade de cada convidado. Mas é justamente o tipo de revista que eu começaria a procurar agora, meses antes do evento.

E já adianto: não está tão fácil encontrá-la por um preço justo.

Bendis e Mark Brooks também podem dividir uma HQ

Existe outra combinação entre os convidados já anunciados.

Mark Brooks também estará na CCXP26 e participou de Ultimate Spider-Man #200, edição comemorativa escrita por Bendis e publicada em 2014.

A história reuniu diferentes artistas ligados à trajetória de Ultimate Spider-Man, incluindo Brooks.

E aqui temos uma opção brasileira para procurar: a história foi publicada mais recentemente em Marvel Teens: Miles Morales nº 3

É, portanto, outra possibilidade de conseguir duas assinaturas de convidados da CCXP26 na mesma edição.

Essa procura pelos créditos pode ser uma brincadeira interessante antes do evento. Em vez de separar uma HQ para cada artista, vale conferir quem escreveu, desenhou, arte-finalizou e coloriu cada revista da coleção.

Com tantos quadrinistas internacionais já anunciados, algumas combinações podem estar escondidas na estante.

Da Marvel para o Superman

E não dá para falar de Brian Michael Bendis olhando apenas para a Marvel.

Em novembro de 2017, depois de quase duas décadas trabalhando com personagens da Casa das Ideias, Bendis anunciou sua ida exclusiva para a DC Comics. A estreia aconteceu em uma edição histórica: Action Comics #1000, publicada em 2018.

Essa você vai ter que procurar um pouco. A edição nacional anda cara em algumas lojas.

Logo depois veio The Man of Steel, minissérie que marcou o início de sua passagem pelo universo do Superman. E aqui temos uma ligação especial com o Brasil: Ivan Reis desenhou a primeira edição.

Brian Michael Bendis trabalhou com o brasileiro Ivan Reis em sua chegada ao universo do Superman.
Brian Michael Bendis trabalhou com o brasileiro Ivan Reis em sua chegada ao universo do Superman. - Divulgação/DC Comics

A parceria continuou no relançamento de Superman, também em 2018, com Bendis nos roteiros e Ivan Reis nos desenhos. Essa fase anda um pouco sumida, mas ainda é possível encontrar algumas das edições nacionais em lojas online.

Então, se você quiser fugir de Miles Morales, Ultimate Spider-Man, Demolidor e Vingadores na hora de escolher o que levar para a CCXP, eu colocaria uma HQ dessa fase do Superman entre as opções.

Até porque ela representa um momento importante da carreira de Bendis. Depois de tantos anos ajudando a construir a Marvel dos anos 2000, ele atravessou para a concorrência e recebeu justamente um dos personagens mais importantes da história dos quadrinhos.

E tem Bendis no universo de Spawn

Tem mais uma opção que não pode ficar de fora, principalmente olhando para a lista de convidados da própria CCXP26.

Antes de se tornar um dos principais nomes da Marvel, Bendis escreveu Sam & Twitch, série policial protagonizada pelos dois detetives criados por Todd McFarlane para o universo de Spawn.

E aqui temos outro encontro interessante: Todd McFarlane também estará na CCXP26. Quem acompanha a minha coluna talvez se lembre que já tive a oportunidade de entrevistá-lo com exclusividade e conversar sobre sua carreira, Spawn e a relação que ele mantém com suas criações décadas depois.

No Brasil, essa fase escrita por Bendis foi publicada recentemente em Spawn Apresenta: Sam & Twitch nº 1 e nº 2, então não é preciso procurar as antigas revistas americanas para ter esse material na coleção.

Spawn Apresenta: Sam & Twitch reúne no Brasil histórias da dupla escritas por Brian Michael Bendis.
Spawn Apresenta: Sam & Twitch reúne no Brasil histórias da dupla escritas por Brian Michael Bendis. - Divulgação/Panini Comics

São mais duas HQs que eu colocaria na lista para levar. Além de representarem uma fase diferente da carreira de Bendis, elas abrem a possibilidade de tentar reunir as assinaturas de Bendis e McFarlane no mesmo encadernado.

Só vale fazer uma distinção: McFarlane é o criador de Sam, Twitch e de todo o universo de Spawn, mas não é o desenhista das histórias escritas por Bendis reunidas nesses volumes.

Ainda assim, para um fã de Spawn, ter no mesmo livro a assinatura do roteirista daquela fase e do criador dos personagens seria uma bela lembrança da CCXP26.

O que falar com Brian Michael Bendis?

Encontrar um autor que você acompanha há anos pode gerar aquela situação clássica: chega sua vez na fila e você simplesmente não sabe o que dizer.

Eu tentaria partir da própria HQ escolhida.

Se você levar Ultimate Spider-Man, fale sobre o que aquela fase representou para você como leitor. Com Miles Morales, dá para conversar sobre a importância que o personagem ganhou muito além do Universo Ultimate e como ele conquistou uma geração que talvez nem tivesse nascido quando Bendis começou a escrever o Homem-Aranha.

Se a escolha for Demolidor, vale lembrar um arco ou momento que tenha ficado na memória e falar sobre o lado policial e urbano daquela fase. Com Powers, o caminho pode ser justamente a produção autoral de Bendis e a liberdade de criar um universo próprio.

Os Vingadores abrem outro mundo de possibilidades. Dá para falar sobre as mudanças que Bendis provocou na equipe, os grandes eventos da Marvel dos anos 2000 ou simplesmente sobre como era acompanhar aquela sequência de histórias quando elas estavam sendo publicadas.

E tem a DC. Se você levar Superman, pode puxar uma conversa sobre a mudança da Marvel para a concorrente depois de tantos anos, a responsabilidade de assumir um personagem com décadas de história ou até a parceria com o brasileiro Ivan Reis.

Se aparecer com Sam & Twitch, o assunto já muda completamente. Crime, investigação, o universo de Spawn e uma fase da carreira de Bendis que muita gente conheceu antes mesmo de ele se transformar em um dos principais roteiristas da Marvel.

Minha dica é não tentar mostrar para Bendis o quanto você conhece a carreira dele. Escolha uma história, um personagem ou uma lembrança e comece por ali.

Às vezes, dizer ao autor por que aquela HQ que está na sua mão foi importante para você rende uma conversa muito melhor do que tentar encontrar a pergunta perfeita.

E, claro, seja rápido. Tem mais gente na fila querendo viver exatamente o mesmo momento.

Antes de levar a coleção inteira para a CCXP

Ainda é cedo para definir exatamente como será o encontro com Brian Michael Bendis.

A CCXP informa que fotos e autógrafos com convidados podem ter regras e experiências específicas, e a presença de um artista no evento não significa necessariamente autógrafos ilimitados. Limites de itens, valores, horários e dinâmica de filas podem variar.

Por isso, minha recomendação é não aparecer no São Paulo Expo carregando uma pilha de encadernados antes de conferir as regras específicas para Bendis.

A CCXP26 ainda terá novos anúncios até dezembro. E cada novo quadrinista confirmado também abre outra possibilidade para quem gosta desse tipo de caça aos autógrafos.

Eu continuarei olhando os créditos.

Porque talvez a melhor HQ para levar para Brian Michael Bendis nem seja aquela que tem apenas o nome dele na capa.

Serviço: CCXP26

Data: 3 a 6 de dezembro de 2026

Spoiler Night: 2 de dezembro

Local: São Paulo Expo, Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo

Brian Michael Bendis: Artists’ Valley, em parceria com a Baú das HQs

Autógrafos: regras, horários, limites e eventuais valores devem ser consultados na programação oficial do evento.