DEZ ENTRE OS MAIS CRIATIVOS DIRETORES DE CINEMA DE TERROR
O fã do cinema de terror deveria se empenhar na valorização não apenas dos filmes, mas também das mentes por trás dos filmes de terror mais originais e criativos do cinema. Com base nisso enumero aqui dez diretores que sem dúvida abordaram o cinema de terror com extrema inventividade.
ROBERT WIENE (NASCIMENTO 1873/FALECIMENTO1938)

Embora não tenha sabido sustentar a mesma qualidade ao longo de toda a sua carreira, Wiene assina a direção de um dos filmes mais revolucionários de todos os tempos: “O Gabinete do Dr.Caligari”. O diretor instaurou o Expressionismo no cinema e até gerou uma “escola” a partir de seu filme, o assim chamado “caligarismo” cinematográfico.
F.W. MURNAU (NASCIMENTO 1888/ FALECIMENTO 1931)

Murnau não realizou apenas filmes de terror, mas seu “Nosferatu” e seu “Fausto” estão entre as obras máximas do gênero. O maior mérito de Murnau foi ajudar a instaurar o Expressionismo cinematográfico no cinema e levar as técnicas associadas a este – que incluem uma luz com contrastes extremos de claro e escuro e atuações propositalmente exageradas – à perfeição. Seu “Fausto” é uma aula de invenção.
PAUL LENI (NASCIMENTO 1885/ FALECIMENTO 1929)

É lamentável que este mestre da invenção costume ser esquecido. No Expressionismo alemão realizou a pérola da criatividade “O Gabinete das Figuras de Cera”, filme que radicaliza tudo o que se associa ao Expressionismo – cenários artificiais, atuações exageradas e contrastes extremos de claro e escuro – além de fazer um uso brilhante de histórias dentro de histórias e de sobreposição de imagens. Já nos EUA nos presenteou com o brilhante “O Homem que Ri” e com o ultra-inventivo “O Gato e O Canário”, filme que praticamente fundou no cinema as comédias de terror e as histórias de casas assombradas.
ROMAN POLANSKI ( NASCIMENTO 1933)

Este mestre da invenção instaura um cinema em que os mundos mentais dos personagens se fundem, de modo constante e tenso, com o que parece ser mais indiscutivelmente a realidade. Inútil lembrar que “Repulsa ao Sexo” e “O Bebê de Rosemary” mudaram o cinema de ponta a ponta. Lembro aqui de um filme menos comentado do diretor: sua adaptação de “Macbeth”, que além de tornar a peça uma história de terror, transforma textos originais inalterados de Shakespeare em fluxos de consciência dos personagens ( ! ) em um dos melhores exemplos de como transformar um texto clássico em uma peça modernista tendo o máximo respeito pelo material de origem!
MARIO BAVA (NASCIMENTO 1914/ FALECIMENTO 1980)

Este mestre do terror italiano foi do cinema gótico ao terror realista. Praticamente fundou o giallo junto com Dario Argento. Sua gramática de câmeras inquietantes, que ora imitam ora apenas parecem imitar a visão de um observador perigoso de identidade desconhecida, foi uma inovação poderosa e fundamental para o giallo. No cinema gótico o seu “Ciclo de Pavor” é de criatividade desconcertante!
GEORGE A. ROMERO (NASCIMENTO 1940/ FALECIMENTO 2017)

Nosso querido mestre das tramas criativas inventou o imaginário atual do “universo” zumbi e a linha de terror chamada de splatter. Formalmente seus filmes as vezes são algo toscos – como em “Zombie. O Despertar dos Mortos”- e as vezes são requintados – como em “Martin” – mas nele o elemento tosco é linguagem sempre, fundando uma estética underground sarcástica ao extremo. Seu brilhantismo mais comumente está nas tramas, que chegam a criar subgêneros, e no uso brilhante de certa imperfeição, que nele vira elemento de linguagem contracultural. Atentem para a ironia amarga que permeia seus filmes, principalmente nas conclusões.
DARIO ARGENTO (NASCIMENTO 1940)

Argento ajudou a fundar e a levar a perfeição o cinema giallo: cinema marcado pela invenção formal e pela abordagem e temática polêmica ao extremo. As câmeras inquietantes antecipadas por Mario Bava são em Dario desenvolvidas e radicalizadas. O tema de Argento é comumente o próprio olhar: o ver que não vê, o recorte da visão que cria interpretações incompletas ou erradas. Cada filme dele é um conjunto de invenções formais, algumas instauraram procedimentos recorrentes no giallo e outras quase só se encontram em Argento.
TOBE HOOPER (NASCIMENTO 1943/ FALECIMENTO 2017)

Hooper não manteve a mesma força em todos os filmes, mas em seu “O Massacre da Serra Elétrica” colocou o cinema de terror de cabeça para baixo: montagem de cortes abruptos inventiva ao extremo, trilha sonora experimental de ruptura, estilo documental. Hooper fez do retrato chocante das maiores violências um elemento justificado de crítica social e instaurou o horror transgressor pelas abordagens e temas maximamente polêmicos e tabus. Seu “Funhouse” é também um excelente trabalho.
WES CRAVEN ( NASCIMENTO 1939/ FALECIMENTO 2015)

Na linha de Hooper, Craven abordou o polêmico, o brutal e o chocante extremos para gerar reflexões. A opressão da juventude pelo adulto, a sociedade patriarcal e questões de classes foram temas de seus filmes ousados. “A Hora do Pesadelo” é um dos filmes mais criativos e instigantes já feitos, tanto em forma quanto em conteúdo.
DAVID CRONENBERG ( NASCIMENTO 1943)

Cronenberg é o rei do horror corporal, das tramas inusitadas, da mistura criativa entre realidade e delírio e do debate acerca de como os horrores da mente se refletem no corpo. Alguns de seus filmes, como “Videodrome” e “Mistérios e Paixões” são praticamente filmes de vanguarda. Cronenberg é mestre na abordagem inusitada e em fazer os temas de seus trabalhos crescerem por um exagero que transforma, sobrenaturalmente, toda questão psíquica em uma questão corporal.
Eis aqui minha lista. Que ela inspire e instigue o leitor!
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