8 álbuns brasileiros para entender a Gen Z

Show na casa Natura Musical. Créditos: Curumim e Desconhecido Juvenal

Entre apontar as contradições do modo de vida contemporâneo e mergulhos melancólicos profundos, a geração Z é composta por gostos musicais igualmente diversos.

Figurinhas carimbadas em todo tipo de festival e amantes da música brasileira em diversos gêneros, a geração Z pode ser retratada de forma fidedigna em alguns álbuns que se tornaram símbolo da expressão dos nativos digitais. Eis aqui oito álbuns que compõem e compreendem essa geração repleta de contradições e dicotomias.

8 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – Música do Esquecimento

Créditos: Helena Ramos

Uma das manifestações mais originais do que podemos definir como a intersecção entre o experimentalismo e o pop. As músicas resguardam composições ácidas e irônicas com uma fusão entre o ruído e a estética independente. “Música do Esquecimento” é o segundo álbum do projeto e tem a produção de Vitor Araújo, que conduz com maestria elementos industriais, clássicos e do rock.

O álbum é um retrato fidedigno de uma geração que lida com contradições e, em várias medidas, se lança em uma espécie de voz própria que remonta signos do passado.

7 – NAIMACULADA – A Cor Mais Próxima do Cinza

Créditos: @marcoshermes

Viver em São Paulo é um caos romântico e impetuoso; uma eterna mastigação que nos obriga a devolver algo digerido. Essa “digestão” transparece no pós-rock progressivo da banda NAIMACULADA. O álbum conceitual emula os sentimentos dúbios da Geração Z na maior metrópole da América Latina.

A obra apresenta uma catarse jovial, existencial e romântica, sem jamais tirar o pé do acelerador. Álbum que combina perfeitamente com os ouvintes de gerações anteriores que gostam do consagrado rock dos anos 70, pois permite contemplar o sentimentalismo atual sob um prisma sonoro que remete à era de ouro do progressivo.

6 – Emicida – AmarElo

Créditos: Claudia Andujar

Emicida é uma força sem igual no que tange a produção de talentos e construção de contextos. A obra que ajuda a sintetizar o rapper para além do rap é o seu trabalho manifesto “AmarElo”.

Na obra, as impressões e o descolamento diante da barbárie ganham o reforço de participações brilhantes, que transitam do ska japonês ao gospel negro. O rapper catalisa o tempo de incertezas e nos entrega um álbum que soa como um mantra. Temáticas como amizade, religiosidade, relacionamentos e “modo de viver a vida” constroem o álbum que envelhece melhor a cada dia.

5 – Ana Frango Elétrico – Little Electric Chicken Heart 

Créditos: Hick Duarte

Artista de múltiplas influências, Ana Frango Elétrico sintetiza seu vasto campo criativo em vocais agudos e arranjos lo-fi. O álbum ditou um conjunto de tendências que viria a ser replicado na cena independente de diversas partes do Brasil. Uma combinação de arranjo maximalista que, porém, encontra sentimentos menores e pessoais, causando uma espécie de completude entre os elementos mencionados.

Após o sucesso de Little Electric Chicken Heart, Ana lançou “Me Chama de Gato que Sou Sua” igualmente celebrado e ganhou holofotes internacionais como um dos melhores álbuns de 2023.

4 – Liniker – CAJU

Créditos: Liniker, Poliana Feulo

Liniker é o fenômeno pop mais importante dentro da música brasileira. Em CAJU, ela amarra texturas e gêneros em um caldeirão efervescente, criando uma expressão sentimental para uma geração muitas vezes fragmentada em seus próprios hábitos. CAJU funciona como a expressão da geração Z adulta, geração essa que sente o niilismo de um domingo tedioso e a necessidade de um amor impetuoso romântico ao longo da semana. Liniker também não se exime e se expressa verdadeiramente, causando uma sensação de proximidade entre a geração Z e a personalidade da própria cantora.

3 – FBC e VHOOR – BAILE

Créditos: Rocinante Atividades Artísticas

FBC é um rapper na acepção mais pura do termo. Em BAILE, seu projeto mais popular, o compositor resgata a estética musical dos bailes funks dos anos 90 e começo dos anos 2000. Contudo, o trabalho distancia-se do saudosismo inerte ao lançar-se em um território que equilibra modernidade e memória.

O álbum é um verdadeiro retrato do que é um baile. Não somente na estética sonora, mas nas composições que soam extremamente contemporâneos, acompanhadas de uma assinatura de som extremamente característica.

2 – Lupe de Lupe – Sal Grosso 

Créditos: Reprodução

Do interior de Minas Gerais para uma das bandas mais celebradas do underground, a Lupe de Lupe funde uma série de influências que vão do noise até o progressivo.

Ruidoso, corajoso e uma manifestação das emoções. Sal Grosso tornou-se um fenômeno no início dos anos 2010 e ainda hoje é celebrado pela cena independente como um reflexo de uma geração que se entende a partir do ruído.

1 – Boogarins – Manual

Créditos: Other Music Recording Co.

Assim como Rita Lee, sou um grande crítico do revival. Talvez seja a expressão mais preguiçosa para um músico que quer se destacar. Definitivamente não é o caso de “Manual”. Já fazem 10 anos que o álbum encontrou a luz do mundo e, desde que foi lançado, reverberou com suas guitarras psicodélicas como uma fresta de luz frente ao muro. Neo-psicodélicos, a banda Boogarins adicionou em seus arranjos espaciais, letras delicadas e expressivas, condicionando o espaço em uma maré de sentimentos poéticos e assertivos.

Um álbum é uma forma de parar o tempo em meio a tanta pressa. Esses oito discos pedem o que a lógica do scroll raramente permite: ouvir do começo ao fim, sem pular faixa. Talvez seja aí que a gente se entenda melhor.


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